Para os sumérios e babilônicos, o Dragão encarnou a figura arquetípica da Deusa Criadora, e também destruidora, chamada Tiamat.
Sendo o dragão uma força absoluta e libertadora, é óbvio que atraiu inúmeros inimigos. Nas culturas celtas era celebrado como um braço forte da Senhora de Dez mil Nomes. Um sinônimo de nobreza e honra, levando ao surgimento de várias lendas. Para os chineses, o Dragão é ainda uma componente das suas crenças, quer seja como representação da intervenção divina, quer seja como um arauto de conhecimentos milenares, sorte, ou brincadeiras.
Esta força chamada Dragão, que ora é representada como um réptil alado ou não, é um traço presente tanto na natureza quanto na humanidade, onde se manifesta com rara freqüência e em poucos indivíduos. Quando um raio corta os céus, quando o mar se agita, um vulcão acorda, um furacão varre a terra, quando cumprimos o nosso legado...
Na humanidade, apresenta-se como um ímpeto avassalador que leva ao extremo da existência. É como se a vida perdesse o sentido e então tudo renascesse, mais forte, mais vívido, mais intenso. Um humano que dá abrigo a um Dragão naquela que é a sua alma, não passa despercebido, pois sua presença incomoda, tal é a violência das suas vibrações, tanto na intensidade como na inconstância. É um ser de extremos, de emoções intensas, de atitudes radicais e instantâneas. Conviver com um humano-dragão é tão difícil como a exposição à fúria de um vendaval. É preciso paciência e determinação.À primeira vista, o dragão humano pode parecer extremamente sedutor, a vivacidade que brota das suas palavras e do seu olhar encanta, fazendo qualquer um crer que ele é capaz de tudo. Ou então, pode mesmo parecer, um ser muito tosco, insensível e desagradável. É a liberdade quem alimenta suas chamas, que endurece suas escamas, que faz suas asas alcançarem os mais altos vôos.
Os que convivem, ou que conheceram, um dragão-humano, podem atestar a veracidade destas observações. A imagem que temos dele é a de um animal grotesco, porém majestoso, assustador e ao mesmo tempo inebriante. É uma metáfora perfeita para descrever a natureza da sua psique controversa.
O Dragão, tanto o mítico como o arquétipo psicológico, evoca força, o selvagem, nobreza, magia, momentos decisivos. É importante observar que o que parece à primeira instância um rugido mal educado pode ser apenas um modo draconiano de dizer o quanto se preocupa (coisa rara) e que está consciente das tuas necessidades. Requintes intelectuais não são freqüentes em Dragões, pois o seu instinto vale mais que mil conjecturas.
Tornando-se um Dragão, o humano passa harmoniza-se com o seu próprio contexto, recusando a si a futilidade e o ostracismo, envolvendo-se, quase que instintivamente em tarefas que exigem muito desprendimento e espírito altruísta.
Resumindo, o importante é que eles são reais, que vivem normalmente entre humanos e nuvens, e que estão longe, muito longe, de serem uma lenda.
Não posso dizer que não vislumbrei essa galáxia ou que não consegui entrar nesse buraco negro. Não mentirei renegando o eu tempo, o meu momento e a minha meta. O que sei é que sempre que cheguei, voltei a partir. Sempre que encontrei um novo refúgio, aprisionei a minha capacidade de fazer a diferença, e voltei a buscar o meu eu.
Acho que faço isso todos os dias, acho que não consigo satisfazer-me com simples metas. Aprendi que por muitas estrelas e cometas que revele, jamais deixarei de imaginar o próximo astro a revelar.
Afinal não desistir, persistir, é isto mesmo.... continuar no sempre que sempre fomos, no existir de que nunca desistimos, no continuar em nome do nosso legado... por muito insignificante que seja...
Mas metas à parte a reflexão que metraz hoje cá é o regresso ao trabalho. Uma das mais interessantes «intensidades» em ser professor, é que todos os anos são uma novidade relativamente ao outro, então na minha área (Animação Socio Cultural), isso acontece com uma singular regularidade. Novas turmas, novas disciplinas, novos colegas, mas sobretudo, todo um novo processo de reciclagem e preparação para um desconhecido familiar.
Este ano regresso com mais energia ainda (espero que um pouquinho mais sábio), com a mesma garra e com vontade de fazer melhor. Sei que tenho um campo de oportunidades valioso e que me cabe a mim dar-lhe forma como nunca, porque mais cedo ou mais tarde, o campo de oportunidades se pode tornar num campo de contrariedades. Mas o que empolga é poder conhecer novos rostos, novas histórias, novas formas de regressar... Daqui a poucos dias recomeça o ano lectivo...espero estar à altura ...
Mas pormenores à parte vamos ao que realmente interessou. Todos traçamos linhas de orientação, pensámos caminhos que queremos que nos levem ao rumo certo. Preparar um campo é assim, traçar linhas de orientação que, esperamos nós, com o percorrer de caminho, nos levem a bom rumo. Acho que o Open Minds conseguiu esse desiderato.
Mais do que dar aos amigos uma oportunidade de se encontrarem, este campo deu aos «amigos» a oportunidade de se redescobrirem e outros de perceberem que eram mesmo amigos: As Saras eram como uma especie de três mosqueteiros, menos um (e não era o Dartanhã). Não digo que tenham sido solidárias uma com as outra, mas realmente acredito que o céu nocturno de cada uma passou a ter estrelas comuns; a Elisabete resolveu voltar ao trilho que um dia ajudou a desenhar; a Lara surpreendeu pela humildade, entrega e disposição natural com que se entregou ao seu próprio processo de descoberta; a Patrícia cimentou e fortaleceu o seu ainda recente legado como Animadora; a Diana lapidou um pouco mais o diamante que pode ser; o Alberto descobriu na Expressão dramática o que já sabia, «é difícil ganhar €75000» - quem não perceber o comentário, só precisa de saber que no campo não davamos este tipo de prémios-; o Luís confirma e reafirma a sua maturidade como membro e alma de uma equipa; o Ricardo foi uma agradável surpresa; a Cátia fez corar Baden Powel; a Heloise encontrou-se no processo de Interculturalidade; a Mayra deu à sua Animação SocioCultural e às velhas amizades uma nova chama; a Carla para além de exercitar os dedos (constante apelo ao telemóvel) revelou uma surpreendente naturalidade para a gestão de grupos e momentos de inegável descontração; o Frank comprovou a sua queda para as Engenharias de largo alcance; o Bernardo estoirou o stock de pilhas de todos os hipermecados das redondezas, tal a chama inesgotável que evidenciou; eu consegui acabar mais uma pequena obra de arte feita de pessoas e momentos especiais....
Fica uma palavra para o Peixoto (dos Nova Fénix) para que esteja no próximo campo (fez falta neste) e deixo-vos com uma última mensagem: 'Permitir a existência, dar-mos forma aos nossos sonhos, não é apenas ser persistente e empreendedor... é ter medo e mesmo assim continuar.... é errar e não ter medo de tentar resolver o erro.... é perder no ganhar e ganhar em perceber... a sua própria simplicidade e Humanidade........
Estou de férias... ou melhor, já me sinto de férias....
Nas últimas semanas estive por Viana do Castelo (Amorosa), pelo menos dormi por lá.... durante o dia andei à descoberta de Castros (citâneas ou aglomerados pré-romanas espalhados desde a Galiza até ao Litoral Norte português) e a fazer GeoCatching (tesouros simbólicos escondidos um pouco por toda a parte que têm as coordenadas disponíveis na web e a que chegamos via GPS, normalmente em locais «favorecidos pela natureza»).
Depois de ter conhecido o Castro de Eiras e as Citâneas de Sanfins e Briteiros, nestas férias, entre outros, fiquei a conhecer o Castro de São Lourenço e Santa Lúzia e o imponente Castro de Santa Trega, na Galiza. De lá de cima podemos ver a foz do Rio Minho, o oceano Atlântico e toda a área natural costeira desde Esposende até Caminha e a Galiza Litoral.
Mas particularmente impressionante foi a experiência que GeoCatching me tem proporcionado. Já foram algumas as Catch's que descobri (Catch's são os tais tesouros simbólicos), mas ainda estou dependente de amigos porque não tenho GPS.
Fui com o Fernando (amigo que me deu a conhecer o GeoCatching) à Serra Amarela, mais concretamnte para a Freguesia de Ermida, em pleno coração do Parque Natural da Peneda Gerês... daí fomos até Bilhares, aglomerado onde os pastores albergam o feno para o gado e daí avançamos pelos trilhos da serra rumo ao ponto mais alto que conseguissemos deslumbrar... objectivo.... em vez de procurar uma cash.... íamos colocar uma. O Fernando escolheu como tema «As Chaves»...
Mas o impressionante esteve no caminho até lá... juro-vos que em parte do percurso pensei que não conseguia...para além das «poderosas vacas barrosãs».... encontramos cavalos em estado selvagem... paisagens de perder de vista, quase em estado virgem. É nestas alturas que perco a noção do tempo, dos sons, da matéria e do espaço que «supostamente» nos fazem. Olhar sem fim, sem rever a Civilização de que tanto tento fugir, para além de tranquilizador enche-nos a alma com a paz que todos nós procuramos.
O cavalo é um símbolo, que para além do dragão sempre povoou a minha vida, poder vê-los em liberdade dá-me a noção do que não sou, do tempo que perco com a minha própria superficialidade. O que me deixa feliz... é que tenho a certeza que ainda não vi nada... e que ainda agora comecei... e aqui tão perto de casa....................
