5.06.2008

Homenagem aos presentes...


Quando olhamos no distante percebemos o que realmente importa... parece simplista?... talvez não...





4.29.2008

Antigas linhas de pensamento...




Seria impossível retirar todos os textos do meu antigo Blog... Ficam aqui aqueles que me marcaram mais por data de publicação...


Descobrir que a descobrir somos descobertos... 2008-02-22 16:11:02


É interessante disfarçar a rebeldia com sentidos figurados. Eu gosto de dar-lhes símbolos, criar metáforas a partir de imagens, astros, momentos de perfeição épica.Hoje, conto-vos partes de uma pequena grande história de 10 personagens de uma fábula que ainda estou a escrever: temos um Furão protagonista, astuto, leal e pensador de causas; temos uma Urze que nasce nas mais altas montanhas, de onde pode vislumbrar tudo e todos; temos um Lince planificador, meticoloso e à procura do mapa do tesouro; temos uma Foca medrosa e irrequieta; da história fazem ainda parte um Panda sábio de aspecto feroz e uma Raposa criado pelos Deuses e que amedronta os humanos; cabem ainda um Rouxinoul tímido e esbelto e um Cisne à procura da sua primeira grande prova de vôo; temos ainda uma Cegonha Real a quem todos buscam conselhos e um pequeno Chacal brincalhão e perspicaz... Nesta história eu faço de Árvore secular onde todos se juntam para conversar e planear novas aventuras. Estou ansioso pelo lançamento deste livro. Identifico-me com os personagens, e parece-me que esta pode ser uma história quase perfeita... se lhe retirasse uma qualquer personagem alteraria o seu sentido... a descobrir descobrimos que podemos ser descobertos...


Caminhar na rua da minha alma... 2008-02-08 18:42:34


Acho que todos temos o desejo de caminhar em um qualquer sítio «perfeito na sua totalidade», e bem longe do olhar humano. Todos gostaríamos de saber a localização desse refúgio mágico, longe tudo, perto de nada e que é só nosso. Também todos nós gostariamos de contar aos outros, o quão especial é esse sítio e como essa localização divina é inatingível.Eu, para mim, só queria a capacidade de caminhar só, por entre os «sítios dos outros», por entre «vidas alheias», sem querer nada e tudo querer, sem perder, porque não espero ganhar. Quero, na minha simplicidade reviver.E digo reviver, por de reviver se trata... reviver os momentos alados de amigos que não deixei de escutar... reviver o caminhar na rua da minha alma com a ansiedade de quem espera por quem ama... reviver a necessidade de viver sem que para isso tenha de comprar...Só quero caminhar por entre a penumbra, por entre apocalipses saborosos e serenos que iluminam a minha mente e que nela se perdem... à procura de novas ruas na mesma alma de sempre.


Dragão, o espírito... 2008-01-17 21:52:15


Explorando a Simbologia em que me revejo, aqui ficam umas ideias que aprendi em «investigações-acções» intemporais:Para todos os efeitos, o Dragão resume em si toda a força criadora e destrutiva do Universo. Desde tempos imemoriais, o Dragão tem sido o símbolo do poder espiritual em diversas culturas. Mesopotâmia, Oriente, Europa...
Para os sumérios e babilônicos, o Dragão encarnou a figura arquetípica da Deusa Criadora, e também destruidora, chamada Tiamat.
Sendo o dragão uma força absoluta e libertadora, é óbvio que atraiu inúmeros inimigos. Nas culturas celtas era celebrado como um braço forte da Senhora de Dez mil Nomes. Um sinônimo de nobreza e honra, levando ao surgimento de várias lendas. Para os chineses, o Dragão é ainda uma componente das suas crenças, quer seja como representação da intervenção divina, quer seja como um arauto de conhecimentos milenares, sorte, ou brincadeiras.
Esta força chamada Dragão, que ora é representada como um réptil alado ou não, é um traço presente tanto na natureza quanto na humanidade, onde se manifesta com rara freqüência e em poucos indivíduos. Quando um raio corta os céus, quando o mar se agita, um vulcão acorda, um furacão varre a terra, quando cumprimos o nosso legado...
Na humanidade, apresenta-se como um ímpeto avassalador que leva ao extremo da existência. É como se a vida perdesse o sentido e então tudo renascesse, mais forte, mais vívido, mais intenso. Um humano que dá abrigo a um Dragão naquela que é a sua alma, não passa despercebido, pois sua presença incomoda, tal é a violência das suas vibrações, tanto na intensidade como na inconstância. É um ser de extremos, de emoções intensas, de atitudes radicais e instantâneas. Conviver com um humano-dragão é tão difícil como a exposição à fúria de um vendaval. É preciso paciência e determinação.À primeira vista, o dragão humano pode parecer extremamente sedutor, a vivacidade que brota das suas palavras e do seu olhar encanta, fazendo qualquer um crer que ele é capaz de tudo. Ou então, pode mesmo parecer, um ser muito tosco, insensível e desagradável. É a liberdade quem alimenta suas chamas, que endurece suas escamas, que faz suas asas alcançarem os mais altos vôos.
Os que convivem, ou que conheceram, um dragão-humano, podem atestar a veracidade destas observações. A imagem que temos dele é a de um animal grotesco, porém majestoso, assustador e ao mesmo tempo inebriante. É uma metáfora perfeita para descrever a natureza da sua psique controversa.
O Dragão, tanto o mítico como o arquétipo psicológico, evoca força, o selvagem, nobreza, magia, momentos decisivos. É importante observar que o que parece à primeira instância um rugido mal educado pode ser apenas um modo draconiano de dizer o quanto se preocupa (coisa rara) e que está consciente das tuas necessidades. Requintes intelectuais não são freqüentes em Dragões, pois o seu instinto vale mais que mil conjecturas.
Tornando-se um Dragão, o humano passa harmoniza-se com o seu próprio contexto, recusando a si a futilidade e o ostracismo, envolvendo-se, quase que instintivamente em tarefas que exigem muito desprendimento e espírito altruísta.
Resumindo, o importante é que eles são reais, que vivem normalmente entre humanos e nuvens, e que estão longe, muito longe, de serem uma lenda.


Procurar no futuro... (mensagem à Sara Oliveira) 2007-11-05 22:10:49


Continuo a descobrir universos novos todos os dias, a procurar sonhos e a tentar desvendar que novas histórias posso contar. Continuo a acreditar nos Cavaleiros dos nossos dias, daqueles que não se perdem, que procuram, mesmo que às vezes isso não faça muito sentido.Durante este fim de semana tivemos mais um Mini-Campo de Formação do Grupo Nova Fénix. Temos entre nós uma espécie de tradição a que chamamos «O Ritual dos Símbolos». Durante esta Cerimónia, um elemento do grupo assume o seu compromisso enquanto parte integrante do grupo «Nova Fénix» sendo-he atribuído um símbolo. Depois do Alberto (Neblina) e do Miguel (Nuvem), foi a vez da Sara Oliveira e do Luís. Depois de muita reflexão e meditação a Sara assumiu o símbolo do Fogo, o Luís viu adiada a atribuição do seu símbolo.Mas histórias e explicações à parte, ficam aqui algumas «achas para a fogueira»: «O fogo é intenso, mas não constante. Precisa dos outros elementos para persistir, embora só a «água celeste» o acalme. É terno e generoso com a terra, embora em momentos de intensa disposição se deixe levar pela sua furia. É filho do Sol e afilhado da Lua, não procura respostas, prefere dar aso às dúvidas. É humano no aconchego, na luz, na linha do seu próprio tempo. É vermelho cor da dor, do amor e da distância. O Fogo representa a alma do guerreiro, a solidão em busca de companhia, a liderança com disfarce.... sê bem vinda ao compromisso Nova Fénix...»


Procurar nas estrelas... 2007-09-21 16:03:57


Já percorri galáxias perdidas no tempo, buracos negros com um infinito de sonhos para me afundar. Já viajei trancado no meu tempo à procura do meu momento, da minha meta.
Não posso dizer que não vislumbrei essa galáxia ou que não consegui entrar nesse buraco negro. Não mentirei renegando o eu tempo, o meu momento e a minha meta. O que sei é que sempre que cheguei, voltei a partir. Sempre que encontrei um novo refúgio, aprisionei a minha capacidade de fazer a diferença, e voltei a buscar o meu eu.
Acho que faço isso todos os dias, acho que não consigo satisfazer-me com simples metas. Aprendi que por muitas estrelas e cometas que revele, jamais deixarei de imaginar o próximo astro a revelar.
É verdade que não renego à minha solidão, ela continua a fazer parte de mim. E, acho até, que sem ela eu próprio faria pouco sentido. Acho que preciso dela para me sentir mal, para me fazer crer que não sou mais do que pó. Preciso dela para voltar a sentir falta das estrelas, do vento, do horizonte, do momento que vem a seguir.
Afinal não desistir, persistir, é isto mesmo.... continuar no sempre que sempre fomos, no existir de que nunca desistimos, no continuar em nome do nosso legado... por muito insignificante que seja...


Regresso ao futuro... (não, não é um filme...) 2007-09-07 16:10:12


Estas férias foram assombrosas, não só pelo que vivi, revivi e me diverti, mas sobretudo, porque, depois de muito tempo, consegui atingir algumas metas que tanto perseguia. Quais? Nem sempre podemos dizer tudo o que somos e pretendemos.
Mas metas à parte a reflexão que metraz hoje cá é o regresso ao trabalho. Uma das mais interessantes «intensidades» em ser professor, é que todos os anos são uma novidade relativamente ao outro, então na minha área (Animação Socio Cultural), isso acontece com uma singular regularidade. Novas turmas, novas disciplinas, novos colegas, mas sobretudo, todo um novo processo de reciclagem e preparação para um desconhecido familiar.
Perdi alguns colegas, eventualmente conhecerei novos, mas sobretudo continuo a ter a suprema oportunidade de poder ensinar (e aprender) na área que passei a «venerar». Hoje em dia ouço muitas vezes que ter um emprego já é bom. Recuso-me a acreditar nisso, embora já tenha sentido na pele o que é sofrer por um emprego. Recuso-me a acrediat nisso porque acredito no empreendorismo, nos sonhos, no espírito aberto e na capacidade de transformar as fatalidades.
Este ano regresso com mais energia ainda (espero que um pouquinho mais sábio), com a mesma garra e com vontade de fazer melhor. Sei que tenho um campo de oportunidades valioso e que me cabe a mim dar-lhe forma como nunca, porque mais cedo ou mais tarde, o campo de oportunidades se pode tornar num campo de contrariedades. Mas o que empolga é poder conhecer novos rostos, novas histórias, novas formas de regressar... Daqui a poucos dias recomeça o ano lectivo...espero estar à altura ...


Open Minds... Open Lines.... 2007-08-26 21:38:55

Por estes dias estive com um extenso grupo de amigos no Campo de Férias e Formação «Open Minds», realizado no âmbito do Projecto «Open Doors», apoiado pelo Programa Juventude. Pela primeira vez, um campo contou com a organização da recém criada PASEC - Plataforma de Animadores SocioEducativos e Culturais.
Mas pormenores à parte vamos ao que realmente interessou. Todos traçamos linhas de orientação, pensámos caminhos que queremos que nos levem ao rumo certo. Preparar um campo é assim, traçar linhas de orientação que, esperamos nós, com o percorrer de caminho, nos levem a bom rumo. Acho que o Open Minds conseguiu esse desiderato.
Mais do que dar aos amigos uma oportunidade de se encontrarem, este campo deu aos «amigos» a oportunidade de se redescobrirem e outros de perceberem que eram mesmo amigos: As Saras eram como uma especie de três mosqueteiros, menos um (e não era o Dartanhã). Não digo que tenham sido solidárias uma com as outra, mas realmente acredito que o céu nocturno de cada uma passou a ter estrelas comuns; a Elisabete resolveu voltar ao trilho que um dia ajudou a desenhar; a Lara surpreendeu pela humildade, entrega e disposição natural com que se entregou ao seu próprio processo de descoberta; a Patrícia cimentou e fortaleceu o seu ainda recente legado como Animadora; a Diana lapidou um pouco mais o diamante que pode ser; o Alberto descobriu na Expressão dramática o que já sabia, «é difícil ganhar €75000» - quem não perceber o comentário, só precisa de saber que no campo não davamos este tipo de prémios-; o Luís confirma e reafirma a sua maturidade como membro e alma de uma equipa; o Ricardo foi uma agradável surpresa; a Cátia fez corar Baden Powel; a Heloise encontrou-se no processo de Interculturalidade; a Mayra deu à sua Animação SocioCultural e às velhas amizades uma nova chama; a Carla para além de exercitar os dedos (constante apelo ao telemóvel) revelou uma surpreendente naturalidade para a gestão de grupos e momentos de inegável descontração; o Frank comprovou a sua queda para as Engenharias de largo alcance; o Bernardo estoirou o stock de pilhas de todos os hipermecados das redondezas, tal a chama inesgotável que evidenciou; eu consegui acabar mais uma pequena obra de arte feita de pessoas e momentos especiais....
Fica uma palavra para o Peixoto (dos Nova Fénix) para que esteja no próximo campo (fez falta neste) e deixo-vos com uma última mensagem: 'Permitir a existência, dar-mos forma aos nossos sonhos, não é apenas ser persistente e empreendedor... é ter medo e mesmo assim continuar.... é errar e não ter medo de tentar resolver o erro.... é perder no ganhar e ganhar em perceber... a sua própria simplicidade e Humanidade........


Descobrir... 2007-08-13 20:03:45


Estou de férias... ou melhor, já me sinto de férias....
Nas últimas semanas estive por Viana do Castelo (Amorosa), pelo menos dormi por lá.... durante o dia andei à descoberta de Castros (citâneas ou aglomerados pré-romanas espalhados desde a Galiza até ao Litoral Norte português) e a fazer GeoCatching (tesouros simbólicos escondidos um pouco por toda a parte que têm as coordenadas disponíveis na web e a que chegamos via GPS, normalmente em locais «favorecidos pela natureza»).
Depois de ter conhecido o Castro de Eiras e as Citâneas de Sanfins e Briteiros, nestas férias, entre outros, fiquei a conhecer o Castro de São Lourenço e Santa Lúzia e o imponente Castro de Santa Trega, na Galiza. De lá de cima podemos ver a foz do Rio Minho, o oceano Atlântico e toda a área natural costeira desde Esposende até Caminha e a Galiza Litoral.
Mas particularmente impressionante foi a experiência que GeoCatching me tem proporcionado. Já foram algumas as Catch's que descobri (Catch's são os tais tesouros simbólicos), mas ainda estou dependente de amigos porque não tenho GPS.
Fui com o Fernando (amigo que me deu a conhecer o GeoCatching) à Serra Amarela, mais concretamnte para a Freguesia de Ermida, em pleno coração do Parque Natural da Peneda Gerês... daí fomos até Bilhares, aglomerado onde os pastores albergam o feno para o gado e daí avançamos pelos trilhos da serra rumo ao ponto mais alto que conseguissemos deslumbrar... objectivo.... em vez de procurar uma cash.... íamos colocar uma. O Fernando escolheu como tema «As Chaves»...
Mas o impressionante esteve no caminho até lá... juro-vos que em parte do percurso pensei que não conseguia...para além das «poderosas vacas barrosãs».... encontramos cavalos em estado selvagem... paisagens de perder de vista, quase em estado virgem. É nestas alturas que perco a noção do tempo, dos sons, da matéria e do espaço que «supostamente» nos fazem. Olhar sem fim, sem rever a Civilização de que tanto tento fugir, para além de tranquilizador enche-nos a alma com a paz que todos nós procuramos.
O cavalo é um símbolo, que para além do dragão sempre povoou a minha vida, poder vê-los em liberdade dá-me a noção do que não sou, do tempo que perco com a minha própria superficialidade. O que me deixa feliz... é que tenho a certeza que ainda não vi nada... e que ainda agora comecei... e aqui tão perto de casa....................


Diário de Trabzon - Experiência Lab 3 Active...





7º Dia - Regresso a Portugal

Detesto despedidas, acho que apesar de 27 anos de existência, ainda é possível não saber lidar com "momentos finais de perfeição celeste". Sinto-me bébado e sem espaço na minha bagagem emocional para tudo o que recebi, ou que tive o privilégio de experimentar.Hoje em poucas palavras, fica a homenagem aos novos amigos que fiz, às novas lições que trilhei, aos caminhos porque me orientei e ao desconhecido que está para vir. Obrigado a tudo e a todos... Até sempre Turquia...
6º Dia - "O 'good feeling' de saber que não quero partir..."

Não me canso de descrever o que parece indescritível.Esta 'lamechice' de sentimentos é estranha, mas o mais estranho, é que não estou interessado em corrígi-la. É confortável e alucinante esta tempestade de emoções, sentimentos e vácuos de alma impertinentes. É estranho, mas viciante, acho que começo a entender o universo "das boas drogas".Deixo uma pergnta no ar: "Como é que reagem quando sabem que podem emergir para outro planeta, mas o vosso antigo astro apela ao vosso retorno?".Acho que é sempre bom voltar, mas não deixa de ser doloroso regressar do universo da neblina do saber.Pela manhã tivemos, mais uma vez, a partilha de métodos e técnicas de animação entre os formadores presentes. Pela tarde preparamos planos de acção e avaliamos as actividades. Terminamos o dia com mais uma festa. Pelo meio, conversei horas com o Stefano, deixei-me levar pelos sonhos da Maria, escutei as divindades da Nadya, percebi as perspectivas drásticas da Evelyna, etc, etc, etc. Uff, não há coração que aguente... Que Deus e os Astros permitam que este Universo perdure...Até amanhã...

5º Dia - Aprender a Simplicidade

Vamos no quinto dia, daqui a 2 partimos. Estamos naquela fase em que os patamares de confiança atingiram níveis de simplicidade. É como se "esta interminável relação" tivesse sempre existido. Os dias são passados, sobretudo, a conversar. O de hoje foi inteiramente dedicado à reflexão, pela manhã fizemos um "Quiz Show" (Concurso Televisivo), com o recurso a tecnologias de ponta, sobre o Programa Juventude. Foi uma forma divertida de discutir um assunto um pouco maçudo. De tarde fizemos um Laboratório sobtre situações concretas do dia a dia de um Animador e melhor método para resolvê-las a partir das experiências concretas de cada um.Mas voltando ao capíulo de que "Os dias são passados, sobretudo, a conversar", é extraordinário pensar nas conversas informais que tenho tido. Sem darmos por ela, estamos a discutir política, as diferenças culturais que temos, o amor, os sonhos, a vida de cada um... a diferença é que cada palavra faz sentido, é apreendida, cada momento de conversação torna-se numa viagem, mesmo quando temos dificuldades ao nível da linguagem. Podia contar alguns exemplos, mas estaria a diminuir outros de equivalente magnitude.Mas o melhor de tudo isto é deixar de ser professor, animador e "tretas a fim" por uma semana, e aproveitar o que de melhor a aprendizagem intercultural consegue proporcionar. Não me sinto preenchido, sinto antes que não tenho espaço para levar um quarto da riqueza que aqui recolhi, é um privilégio aqui estar, é um privilégio voltar a "aprender a simplicidade". Vamos terminar o dia com uma "Farewell party - 1ª Parte". Amanhã explico do que se trata.Até amanhã...

4º Dia - «A Vida é Isto»

Um dia, um velho conhecido, patenteou-me com esta frase: "a vida é isto, o resto é ganhar dinheiro para isto...". Estavamos em estágio no Alentejo, envolvidos pela natureza e comprometidos com o trabalho. Hoje, não estou no Alentejo, estou em Maçka, Trabzon, Turquia e tenho uma nova patente para registar: " a vida é isto, e não é preciso ganhar dinheiro para isto..."Tentar explicar o quão perfeitos têm sido os momentos que aqui temos vivido pode parecer uma «treta» pegada, mas é como os explico. Parece que o grupo se conhece desde sempre e cada viagem em que emergimos é algo de inolvidável.Pela manhã fizemos uma Worshop sobre "Como gerir as frustrações em processos de participação juvenil" a partir de Expressão Dramática. Pela tarde, com um conjunto de amigos fomos conhecer as ruas de Trabzon: tive a oportunidade de rezar numa Mesquita, joguei futebol nas ruas de Trabzon com os "putos" locais (o futebol é uma linguagem universal, não são precisas palavras) e mais uma vez fomos convidados a tomar chá pela população. Conheci o Mercado de Trabzon, aqui tudo é negociável, começamos em 20 liras turcas e negociando, conseguimos fazer o negócio por metade.A noite foi "uma monumento à humanidade emocional". Fomos jantar a um antigo Mosteiro escolpido nas altas montanhas a mais de 1500 m de altitude, verdadeiramente impressionante. Dançamos, cantamos, conversamos, até esgotarmos as poucas forças que nos restaram.Agradeço ao Universo mais esta oportunidade do "fantástico".Até amanhã...

3º Dia - «Afinal, onde estamos?»

Hoje o dia foi exotérico, à parte, muito à parte e mais à parte ainda... afinal onde estamos?...
Pela manhã fomos à descoberta de Maçka, a cidade onde estamos alojados. A tarefa dava pelo nome de “Missão Impossível” e através de um guião de perguntas, teríamos de descobrir a realidade desta pequena cidade turística. Só havia um problema, nenhum de nós falava turco, só os turcos. Tentamos o inglês, mas não nos serviu de muito. Mas esta aventura tem muito para contar.
As pessoas são de outro planeta, convidam-nos para entrar em sua casa como se fossemos da família. Só nos dão o melhor, não permitem que nos sintamos desamparados. Em cada casa ou café que nos convidavam para entrar, serviam-nos chá... aliás nunca tomei tanto chá em toda a minha vida...
Tenho a certeza que quando abandonar este local não me vou lembrar das luxuriantes paisagens, mas antes, do mercado de Maçka, as pessoas que sorriem para nós desconfiadas e a sua “temível” hospitalidade. Como companheira de caminhada tive o privilégio de partilhar esta viagem com Maria, jornalista russa viciada em Fotografia. Acho que nunca fui tão fotografado em toda a minha vida como hoje.
Na parte da tarde reflectimos os vários níveis de participação juvenil e a experiência dos vários formadores presentes. Foi a minha vez de partilhar o Laboratório de Jogos e a Metodologia de trabalho com grupos informais. Claro, tudo em inglês.
Tenho pena de não poder descrever a verdadeira essência da experiência que estou a viver. São tantas as personalidades e caracteres que me estão a marcar que é difícil destacar um. Definitivamente, viva a interculturalidade...
Boa notícia, o próximo projecto PASEC para 2009 vai acontecer com Itália.
Até amanhã...

2º Dia - Dia de esticar cordas

Hoje foi um dia extraordinário, experimentei emoções para uma semana. É espantoso como fora da nossa concha ficamos tão vulneráveis.Hoje conheci experiências e vivências apocalíticas, parecidas com a minha e outras tão mais valiosas, que me fazem pensar o quão pequenino sou.Marcou-me sobretudo o Stefano, Animador italiano de 30 anos, um crente nas causas da Animação SocioCultural como o universo que me rodeia. O dia foi passado a discutir a participação juvenil e terminamos, à noite, com uma sessão de publicidade sobre as organizações aqui presentes.Como não posso descrever as emoções que vivi, tudo com base em conversas e reflexões extremamente intensas, deixo-vos esta metáfora:" as cordas que esticamos para mudar o mundo, por vezes rompem ou cedem. Não há problema, podemos sempre dar outro nó e voltar a esticá-las, sabemos lá que nobre experiência vem a seguir. Se o mundo lá fora vos lembra os defeitos e que, porventura não é assim... acreditem que as qualidades nunca vos abandonaram e que continuam... a permitir que estiquem as cordas do mundo..."Esta começa a ser uma dura e gritante experiência.Até breve...

1º Dia - Dia de muita canseira...

Dia de grande viagem. Primeiro Porto-Frankfurt, 6 horas para dormir um pouco mais. Depois Frankfurt - Istambul, mais 5 horas para ficar a conhecer a Marta, a Animadora portuguesa que viaja comigo. Por fim, Istambul-Trabzon, mais duas horas para começar a conhecer o grupo com que irei trablhar durante a semana.O dia até às 17 horas turcas foi pouco mais que traumatizante, troca de aeroporto, faz check-in, passa passaporte, procura o próximo «gate». é nestas alturas que fico a odiar aviões...Mas vamos ao que interessa. Como isto é um blog, muitas palavras só vão epantar os meus venerados leitores.As paisagens turcas, sobretudo as da costa são do outro mundo, mas este é um país enorme, e mais parecido com Portugal do que o que parece.Chegados a Trabzon perderam-se metade das bagagens, felizmente a minha sobreviveu. Numa primeira impressão, o grupo é de fibra, vai exigir muito de nós o trabalho que vamos desenvolver nos próximos dias, mas penso que todos estarão à altura. Pena que mais membros PASEC não possam estar presentes.O Hotel é um 5 estrelas, com piscina coberta e quartos de outro tempo.... esta parte era para meter nojo.Por volta das 21 horas turcas jantamos. Para meu grande espanto, a comida estava óptima.Depois fizemos algumas dinâmicas de interacção grupal e terminamos o dia com uma festa de boas-vindas. São 23:45 aqui naTurquia, estou ainda um pouco ancioso, mas é sempre assim que começo estas aventuras que nunca ningúem sabe comom acabam.

2.10.2008

Testamento de um Vivo


Ouço as vozes do tempo
O repetir de um passado
A vida que ultrapassa os homens
Que destrói barreiras trespassa o sonho...
Neste momento, sou eu e o mundo
Sou eu para o mundo,
Um mundo de homens,
Um mundo de personagens...


A este fim que determino
Deixo ao tempo a palavra
A lei da minha lenda.
Ao meu espírito deixo a memória
Das personagens, dos tempos, dos exemplos.
No mito deposito a fúria,
A inconformidade de uma existência própria.
À minha personagem
Deixo o sonho e o sopro de cinzas de um real.
A ti alma,
Entrego o meu sarcófago milenar,
A arca do poder, o fogo e as asas do Dragão.
Nas estrelas
Deixo as linhas mal desenhadas do poema
O infinito do presente.
Deixo aos homens
O que resta deles
E o que lhes falta existir.
Para ti vulgaridade
Deixo o corpo cansado e inútil daquilo que sou.
Aos que vejo
Deixo tudo o quanto sou
E consigo ver.
No Cosmos
Deixo cair o horizonte
E deixo-me ir, sozinho
Rumo ao meu céu e ao meu inferno...


Assim reactivo o meu velho blog: Estados de Espírito