8.30.2009

A Cidade com um milhão de anos...

Era uma vez uma cidade perdida
Sem nome, sem horizontes,
Sem história, sem linha do tempo.
Perdida por entre lendas,
Contada secretamente nos murmúrios dos antigos,
Recalcada mas memórias astrais de Bruxos e Feiticeiros.
Diz-se que não tinha nome
Porque ao mesmo tempo tinha muitos nomes
Pronunciados e desenhados de milhares de formas.
Contava-se que não tinha horizonte
Porque jazia num vale
Ainda mais perdido que a própria cidade.
Dizia-se que não tinha história
Porque as histórias eram tantas
E nenhuma delas conhecia um fim.
Contavam que não tinha linha do tempo
Porque ninguém sabia
Se ela alguma vez havia existido.
Os Antigos e os Sagrados
Sussurravam por estes dias
Que uma conjugação de astros
Que se aglomeravam de um em um milhão de anos
Apontaria o único caminho visível
A única centelha de vislumbre
Da cidade à muito esquecida.
Um viajante que por ali passava,
No meio de desditas e ténuas palavras
Procurou perceber o afinal de tanta intriga
E por entre lendas e discórdias
Perceber se cidade havia
E que histórias e horizontes ela guardava.
Os antigos, os bruxos e feiticeiros
Contradiziam-se e anulavam-se.
O afinal de cada um
Era poesia alheia para o outro.
A certeza de cada olhar
Esbatia em espelhos de alma ausentes.
Só numa certeza os chacras de alinhavam,
A resposta estava no céu.
Ninguém sabia se de noite ou de dia
Apenas que o horizonte procurado
Estava no além das estrelas e do Sol.
O viajante fitou o céu
Dia e noite
Estrela por estrela
Aurora por aurora
Tempo e tempo afim e...
Nada...
Depois de infinitas existências e quase a desistir
Uma criança que ali passava
Perguntou ao viajante
Se havia visto o seu barco.
Como ali nem rio nem mar
Ele pensou que o pequeno
Havia perdido o seu brinquedo.
Negou que algo tivesse visto,
A criança insistiu,
Descreveu a grandiosidade da embarcação
Mas o viajante voltou a negar.
A criança insistindo
Pede a este que a auxilie na busca.
O viajante nega esse tempo
Ele procura um objectivo maior,
A cidade esquecida pelos homens.
O mundo envelheceu
O Homem persistiu
E o viajante continuou à procura no céu.
Um dia, quase às portas de outro além
Qual não foi o seu espanto,
No horizonte horizontal e vertical
Vislumbrou um barco de sonhos
Gigante e Imenso
Com a criança do passado distante ao leme.
Num adeus pintado de agreste,
Foi aí que o viajante percebeu
Que havia tido o privilégio de um milhão de anos
Mas que a sua alma cega lhe havia negado.
Percebeu que não tinha tido tempo
Para a sua falta de tempo,
Tempo que agora acabava...
Numa última oração
Não pedia mais tempo,
Só implorava que os que amava
Resistissem mais um milhão de anos...

8.21.2009

A vida num click...




Somos feitos de massa grossa,
De granito entranhado na mente
E de mármore puro cristalizado no coração dinamitante.

Somos restos de genialidade,
Televisões independentes sem intervalos comerciais.
Acreditamos que o plano que traçamos será,
Acreditamos que adiaremos o que não parece,
Até que... por entre a nossa massa rochosa,
Se abre a fenda do desvario humano,
Se desmorona a falésia em que construímos o nossa fronteira limite,
E percebemos a debilidade do plano que não será.

A estes Limbos chamamos de sofrimento,
Azar,
Falta de sorte,
Limitações,
Percalços e... tudo mais que a semântica permitir.
Até que.... e mais uma vez sem percebermos como...
A Web das nossas vidas reinicia o seu programa
E estamos de volta à nossa nau celeste
A navegar por entre sistemas operativos do plano que voltou a ser...
Não sei o que lhe chamar....
Sorte, desvario,
Persistência, acontecimento
Sinceramente, pouco importa.

Fica a certeza que apesar de todos os planos
A vida num click também é possível,
No bom, no mau
E no click que nos mata e ressuscita... a alma...

7.30.2009

Serenidade... Eternidade...




No tempo em que era tempo
Procurei na alma dos homens a sua inocência
A sua vontade de se perceberem...

Nesse tempo viajei para Eternidade,
Essa lenda a que todos apelidamos de refúgio
Esse local mágico em que todos queremos persistir.

Essa viagem pretendia ser curta e óbvia
Como todas as curtas viagens a que se atreve um ser humano.
Mal sabia eu que nem de uma viajem se trataria
Seria antes uma desdita de um homem longe do óbvio.

Como imaginam não fui capaz de chegar a Eternidade
E continuo sem perceber se a inocência continua a morar na alma dos homens
Mas perecebi nesta tentativa tentada
Que são os homens que se anulam a si próprios
Na desdita de não se aceitarem e de não aceitarem o próximo
Somos nós, reles existências no tempo da contemporânea modernidade.
Por estes dias revejo-me no refúgio de Da Vinci, Michelangelo e Garibaldi
E percebo que continuo sem perceber e que...
Continuarei eternamente na ignorância de uma Eternidade que não quero
Por estes dias basta-me... Serenidade...

7.12.2009

Apanhados pelo tempo que queremos controlar...

No ritmo dos dias perdemos a conta à quantidade de vezes que nos zangamos com o mundo em redor. Queremos controlar o tempo que é nosso e o que é dos outros... não permitir que o erro exista e que a nossa mente... serenamente... prevaleça.

Achamos que somos capazes de controlar o tempo, os verbos, os tempos verbais e a existência circular de um mundo com falta de tempo.

Infelizmente isso é impossível e para evitar "transtornos emocionais"... tratem-se...

Estar no meio dos putos na dose certa é uma óptima "terapia"... pelos menos para mim... se arranjar uma piscina... então podemos sempre regar que estamos de bem com a vida, água não faltará.

7.06.2009

Esquecer e Lembrar...

Quando caminhamos temos a tendência a esquecermos o caminho, ou pelo contrário a pensarmos demasiado nele. Não sei o que é pior, se deixarmos que o vazio e o esquecimento nos povoem ou lembrar-mo-nos demasiado do que somos e o que tentamos.

Por estes dias termina mais um ano lectivo, finalizamos os preparativos para os Campos de Férias de Agosto e aproveitamos os intervalos de tempo para descansar a alma.
Sempre que o tempo permite aproveito o Geocashing e a Natureza para viajar no "Cosmos da Perdição Humana" e pensar nos disparates que citei na primeira frase.
Continuo sem chegar a qualquer conclusão sobre as opções "esquecer" e "lembrar", só sei que continuarei no vulgarmente "continuar", continuando a esquecer e a lembrar a opção que é existir. Sim, porque podemos sempre suicidar-mo-nos, não me refiro ao suicídio físico, refiro-me antes ao "suicídio mental" que todos cometemos diariamente dando a imagem de "máquinas do nada e da opulência".

Como vos disse vou continuar, e espero eu que valha a pena... e nessa dúvida de continuar... vou fazer o sei melhor... "regar que posso mudar o mundo"... não todo, para já apenas o que me rodeia.
Só mais um pormenor, que fique aqui assente que não referi "mudar o mundo para melhor".

6.22.2009

Aliado do momento...


Somos todos partes de um mesmo tempo,
Procuramos a perfeição,
Procuramos a aceitação,
A atenção do próximo e do universo em redor,
Queremos ser o circo, o centro do próprio espectáculo,
A única personagem,
A história que algum contador celeste há-de contar...

Sentimos a necessidade de nos afirmarmos,
De controlarmos a nossa própria desdita,
O que se segue a nós,
E, se a perfeição permitir,
O que está para além de nós...
Somos aliados de nós próprios,
Porque jamais queremos estar perdidos,
E porque sempre querermos ser encontrados.
Dentro de toda esta tormenta.
Tememos os momentos em que não nos vamos ver no caminho,
Retardamos o nosso ser com a perspectiva de nos adiarmos.
Nestes momentos transcendemos o tempo do qual não podemos fugir
E reclinamos entre sentidos...

Afinal a desdita é simples,
Não somos perfeitos,
As certezas serão sempre incertas,
E mais do que aliados de nós próprios,
Somos aliados do momento
Do momento de glória,
De desespero, de lua,
De anseio, de Serenidade...
No que sobrar, é tudo mais no momento...
Em que sou.... Aliado do momento..

1.12.2009

Comunicar a Humanidade – Em que campo de batalha pretendo estar?


Comunicar é um acto universal, presente sob todas formas, enquadrado em todos os contextos. Comunicar assume-se como uma das funções essenciais do ser humano, não só como um imperativo de socialização, mas como ferramenta de construção conjunta, partilha de saber e “alimento da alma”.
Partindo do seu sentido etimológico a palavra "comunicação", derivada da palavra latina "communis", significa tornar comum.
Tendo como pano de fundo a evolução tecnológica dos últimos anos, bem como uma antecipação do que pode ser o futuro, somos levados a pensar que cada vez mais nos aproximamos do conceito de “aldeia global” de MacLuhan, no que à comunicação diz respeito. Considero, e podemos verificá-lo um pouco por toda a parte, que as grandes transformações de carácter social que têm vindo a acontecer entre os finais do passado século e início desta década, só são possíveis devido à existência de novos fenómenos comunicacionais como a Internet, a massificação dos telemóveis e computadores portáteis ou as novas plataformas digitais (Ex.: serviço de televisão, internet e telefone por cabo; redes sem fios, televisão em alta definição, entre outras).
Mas o que é afinal este processo tão essencial que designamos como comunicação?
Comunicar significa tornar comum, estabelecer comunhão e participar na comunidade através da troca de informações. Em todas as suas formas, comunicar envolve sempre um processo de transmissão e recuperação da informação, e onde quer que aconteça, tem quatro elementos básicos da praxe: emissor, receptor, canal e mensagem.
Comunicar ganhou contornos de arte e quem a domina as suas lides é uma espécie de novo poeta. Comunicar tornou-se numa “técnica de combate e de guerrilha”, utilizada como estratégia militar e política. Comunicar tornou-se tão óbvio como respirar que nos esquecemos de “como o fazer?”
Se há uns anos era um luxo ter acesso a um computador portátil, hoje estranhamos o simples facto de não o termos. Basta passarmos por uma qualquer secção de informática de um qualquer hipermercado para verificarmos que os “antigas caixotes” de pelo menos 5 kg, que exigiam ainda a compra de monitor, teclado e rato ainda lá estão, mas em muito menor número que os novíssimos, muito menos pesados e muito “mais em conta” computadores portáteis (em algumas situações, mais baratos, inclusive). Como se isto não bastasse, os programas governamentais “E-Escolas” e “Novas Oportuniadades”, mais que duplicou o número de portugueses com portátil com idade inferior a 20 anos, devendo este número quadruplicar até 2010 com quase 1 milhão de jovens portugueses com um portátil com acesso à Internet.
A própria Democracia tornou-se num processo interactivo (ok, concordo… não tão interactivo como isso…), feito ao minuto, com actualização de informação na hora através de todos os veículos possíveis. Uma intervenção de carácter político de um determinado partido tem resposta directa minutos após por parte do partido rival sem que, para tal, se tenham de encontrar.
O Zé, o Miguel, a Rita e a Sílvia falam, ou melhor, “teclam”, mas também podia ser “falar” (porque os programas informáticos de chat e interacção à muito que o permitem), durante horas sem terem que sair de casa.
Vou ao café, recebo um “sms” do Bernardo para ir ao meu mail e no mesmo instante (sem ser através do telemóvel) “saco” do meu mini (mini) portátil (vulgarmente conhecidos como “notebook’s”), abro a o email, descarrego o documento que me foi enviado, faço as alterações que entendi e reenvio. Pelo meio revi as notícias na internet, escutei a minha música favorita e organizei o arquivo de fotos que tirei a semana passada no Gerês. Tudo isto no café, sem ter de ir ao “caixote de 5 kg” perdido lá por casa. Mas como o fiz no café, também o podia ter feito na casa de qualquer amigo, são as maravilhas da internet sem fios e dos notebooks.
Sei que não estou a contar nenhuma novidade, já todos sabemos que é assim e não é novidade para ninguém que este processo só vai acelerar. E no meio desta tempestade cabe a cada um de nós escolher o seu próprio campo de batalha.
As novas formas de comunicação não são boas nem más, são o que fazemos delas. Elas ganharam forma com a intenção de servir o Homem, de lhe facilitar a sua existência e o elevar a outro nível. Por estes dias citava um grande amigo meu, o Animador italiano Stefano Bottelli relativamente a uma realidade adjacente a esta, a do Protagonismo Juvenil: “…o nosso trabalho (o dos animadores juvenis) torna-se importante quando percebes o que um jovem pode fazer com o teu poder e não o que o teu poder pode fazer a um jovem...”. Com as novas formas de comunicação, penso que é um pouco do mesmo, elas tornam-se importantes quando percebes o que podes fazer com elas e não o que elas te podem fazer.
Seria mais fácil estabelecer um discurso redutor e sisudo, enumerando os demais malefícios preconizados pelos novos fenómenos comunicacionais, mas limito-me, mais uma vez, ao real significado da Comunicação: “tornar comum; estabelecer comunhão; participar na comunidade através da troca de informações.”
Resumindo, comunicar é ser humano e tudo que a possa facilitar será sempre bem-vindo, cabe-nos a nós comunicar o mais “humanamente” possível sem perder o sentido do tempo, da presença, do que realmente somos e para onde estamos e queremos caminhar. Comunicar é um processo conjunto, um poema de sempre que permitiu dar forma ao que chamamos de “Humanidade”. Mesmo sendo um exercício complexo cabe a cada um, no seu processo de “Revisão de Vida”, simplificá-lo, dar-lhe substância, estabelecendo as suas próprias regras no seio do grupo em que está integrado (família, grupos de amigos, emprego, etc), não caindo no facilitismo de o ignorar ou na nostalgia de o fazer retroceder.

12.15.2008

O legado de um guerreiro...

Antes que a neblina cede-se
Que o mar se deixa-se ir
E que as estrelas voltassem,
O Guerreiro alimentou o espírito,
Guardou a espada
E buscou mais uma tentativa de regresso.
Não é que ele não quisesse ali estar,
Mas o seu intuito e presença antecipavam outra direcção.
A sua consciência não o orientava,
Mas isso não era importante,
O relevante era ter a certeza de onde deveria estar.

A neblina cedeu,
O mar deixou-se ir
E as estrelas voltaram.
O nobre soldado fez-se vivo e partiu
Sem que a sua natureza o desvendasse
Uma estranha criatura seguia-o
Algo de um rosto desfigurado,
Presença incómoda
E corporalmente invisível aos olhos.
O Guerreiro sentia-se ameaçado,
Talvez até desorientado e vago,
Nada que fizesse recair a sua desmedida coragem
Sentia-se parcialmente perseguido,
Mas o seu legado estava presente demais para ceder.

Os dias completavam-se uns nos outros,
As verdades escoavam-se,
O herói personificado ousava continuar.
Naquele dia ele conheceu uma Bruxa,
Esta contava-lhe que em tempos foi fada
E se hoje assim o era
A causa estava num envelhecimento encantado que lhe haviam destinado.
O Guerreiro perguntou-lhe
Se poderes não tinha para operar a mudança
Esta responde que só para os outros, nunca para ela,
Para ela só outra de uma mesma vida.
O Guerreiro ofereceu-se para desmistificar este encantamento encantado,
Mas a Bruxa não aceitou,
Profetizou-lhe que outras glórias não podiam esperar
E que estranhas presenças não o podiam parar.
O Guerreiro promete continuar,
Desde que a vulnerável Bruxa o acompanhasse,
Para juntos encararem a diferença.
A estranha presença de face desfigurada continuou a segui-los.

Alguns dias mais, o Guerreiro conheceu um Órfão,
Os seus pais haviam partido em viagem eterna,
Porque a verdade haviam revelado.
O pequeno era o que restava de um dado sonho
Que agora fugia da vulgaridade.
O Guerreiro convidou-o a acompanhá-lo
A criança pensou em breves consciências
E perguntou porque haveria de o acompanhar,
O suposto herói argumentou que também ele,
Também ele queria viver o sonho,
Também ele o procurava por entre tudo e nada.
A invisível presença continuava no seu encalço.

Algumas luas após,
Avistaram uma cidade perdida,
Profundamente perdida por entre vazios.
Um Velho Soldado acenou-lhes,
O Guerreiro pôs-se em guarda,
O homem vinha em paz.
Era o último guardião da cidade perdida,
Era o último sonhador daquelas paragens,
O único que acreditava num regresso.
Mais uma vez, o Guerreiro, convidou-o a seguir com eles.
Com os olhos na face do homem,
Segredou-lhe que juntos regressariam ao sonho.
Aquela estranha e incómoda presença não os largava.

Passaram dias, meses, séculos,
Quem sabe, milénios.
Estes quatro peregrinos continuam a sua busca,
Continuam a tentar encontrar,
Continuam a tentar regressar,
A estarem de novo presentes,
A estarem de novo presentes em vida e espírito.
E esta desfigurada presença,
Incomoda e corporalmente invisível que sou
Continua a persegui-los
E em cada nova caminhada
Eles encontram alguém novo que se lhes junta,
Encontram alguém novo que também ambiciona sonhar,
Alguém desesperadamente à procura de conquista.
Por entre céus e infernos
E em todas as realidades
Eu irei também lá estar,
E aposto que também cada um de nós,
Porque duvido que estejam mortos
Porque duvido que não queiram ser vida.
Porque sei, tenho a certeza,
Que o Guerreiro, a Bruxa, o Órfão e o Velho
Irão viver o seu sonho...
E eu o meu...

10.29.2008

"Animação SocioCultural e Protagonismo Juvenil"


Termino e começo a 5 de Novembro mais um recanto da minha "quase intensa" vida... Acabei por estes dias a minha terceira obra "Animação SocioCultural e Protagonismo Juvenil"... apresentá-la-ei dia 5 Nov., ou se me estiverem a ler depois, apresenteia dia 5 Nov. Partilho convosco as duas ultimas páginas do "encantamento", que embora muito próprio, continua a ser o meu... "Animação SocioCultural".

"Partindo agora de uma perspectiva mais pessoal, deixo aqui algumas considerações para o futuro, numa perspectiva de orientação para a acção.

Esta será sempre uma obra inacabada sujeita a reparos e a novos contributos. Foi sobretudo pensada na perspectiva de que qualquer jovem que inicia o seu processo de formação profissional no sentido de se tornar um Animador, seja capaz de a ler e compreender, utilizando-a como mais um instrumento de reflexão e actuação.

Não escondo que o campo do Protagonismo Juvenil é a minha área de actuação privilegiada desde que sou Animador. Está na base da construção da minha identidade profissional, alicerçada num conjunto de vivências ligadas ao Associativismo Juvenil, sobretudo em movimentos da Acção Católica como o MAAC e JOC.

Ao longo do meu percurso, vi e vejo o Animador como um promotor privilegiado do Protagonismo Juvenil. Neste caminho ele é alguém, que assumindo igualmente o seu protagonismo, vai construindo a sua identidade todos os dias.
Com a maturidade o Animador vai apurando os seus sentidos, desenvolve a sua técnica e ética e constrói a sua linha de orientação. Mas este percurso está sempre associado a uma sistemática experimentação. A sua vida é uma espécie de ‘Laboratório Social’, de constantes experiências falhadas e bem sucedidas, mas tendo como terreno, como contexto, o real.
O Animador adensa-se e qualifica-se na realidade de todos os dias. A sua formação técnica serve de ‘mala de ferramentas’, pois ele não é Animador, ele ‘torna-se Animador’ quando envolvido no meio social, tendo presente as potencialidades e limitações do mesmo. Este é um processo de formação contínua e constante actualização. Ele próprio sentirá essa necessidade de aprofundar o ‘que já é’, porque o meio que opera está em constante derivação e progressiva mudança social.
Idealmente, o Animador deve trabalhar numa equipa multidisciplinar (também ele deve ter o seu grupo de pares), com competências técnicas e sociais bem definidas, que lhe permitam analisar as suas opções e actuações. Não sendo possível, deve pausar a sua intervenção para reflectir a sua acção com outros técnicos, de preferência de áreas diversas, que possam com a sua experiência no terreno ajudar a clarificar ‘as opções de caminho’ que naturalmente o Animador fará.
É a partir deste referencial vivido que o Animador se torna protagonista dele próprio, fortalecendo e dando forma ao seu papel de promotor do protagonismo juvenil.
Futuramente, penso ser importante colocar o modelo que propomos em discussão, perceber os seus pontos fortes, as sua debilidades e a evolução que a partir daí deveria preconizar. Mas esta discussão não deveria apenas ser feita a partir dos Animadores, é relevante que seja feita pelos próprios jovens, no seio dos seus grupos.
Fico a pensar quantos de nós, ligados às dinâmicas de ASC desde sempre, o considerarão desajustado ou mesmo, obsoleto. É legítimo, ele não pretende ser universal, pretende antes relevar uma perspectiva que considera os grupos juvenis a partir do seu potencial revelado e não a partir de uma qualquer análise de necessidades com fundamentos estatísticos. Seria interessante promover, pela primeira vez no nosso país, uma espécie de Feira do Protagonismo Juvenil, onde partindo de dinâmicas de Educação não Formal, para além da partilha de vivências e experiências, se pudesse equacionar a aplicabilidade e utilidade do modelo proposto.
O trabalho do Animador com jovens só é realmente importante, na minha perspectiva, quando na sua acção, o Animador “existindo”, permite que os outros “também existam” num protagonismo partilhado e arquitectado por todos, mesmo com diferentes níveis de envolvimento. A este respeito, termino com as sábias palavras de um amigo italiano, o animador Stefano Bottelli: “…o nosso trabalho torna-se importante quando percebes o que um jovem pode fazer com o teu poder e não o que o teu poder pode fazer a um jovem...”. "

6.16.2008

Animação SocioCultural e as transformações sociais


Se no capítulo da sociedade da informação as mudanças são mais que evidentes, no que concerne à sociedade política, o cidadão comum continua sem a perceber, embora tenha melhorado, substancialmente, o seu vocabulário: palavras como défice, reforma, taxa, entre outras, são hoje mais banais, mas perderam o seu significado inicial.

O défice deixou de ser social e passou a ser estrutural, a reforma já não é mais um direito do qual usufruiríamos naturalmente após o final da nossa vida activa e passou a ter um conjunto vasto e múltiplo de significados como são a reforma fiscal, a reforma da Segurança Social, a reforma do Estado, a reforma da... reforma que alguém já tinha reformado. Por fim a taxa, significava em tempos natalidade, mortalidade, insucesso escolar, entre outros. Hoje temos as “não menos poderosas” taxas de juro, menos humanas, mas muito mais complexas e com uma vida muito própria.

É nesta sociedade de significados amplos, relativos que damos forma aos “novos reais”, de tudo e de todos, mas... por quem? E com que significado?
A palavra sociedade tem o seu berço no Latim societas, que significava "associação conciliadora com outros". A palavra societas é resultante de socius, que significa "companheiro".
Do ponto de vista da Sociologia uma sociedade é o conjunto de pessoas que partilham uma mesma identidade, ideal, objectivos e tradições, interagindo entre si constituindo uma comunidade. Na perspectiva da Biologia, sociedade é um conjunto de animais que vivem agrupados e que de alguma forma se organizam, dividem tarefas, fazendo o seu processo de sobrevivência depender desse mesmo ónus orgânico.

Partindo destas directrizes, qual é afinal a sociedade das pessoas que interagem entre si, das pessoas que partilham ideais, objectivos... qual é a sua sociedade? Qual o seu real significado?
Ao ler o jornal desportivo de todos os dias (Diário Record de 25 de Fevereiro de 2008), na rubrica «Fora de Campo», a sociedade desportiva resume assim o Portugal da sociedade das pessoas:

“Portugal é um dos oito países da União Europeia onde se registam os níveis mais elevados de pobreza nas crianças.

Segundo um relatório da Comissão Europeia sobre a protecção e inclusão social – apresentado hoje e que deverá ser adoptado na próxima sexta-feira pelo Conselho de Ministros do Emprego e Segurança Social, em Portugal há mais de 20 por cento de crianças (ou seja, uma em cada cinco) expostas ao risco de pobreza. Situação que abrange tanto os menores que vivem com adultos que não têm trabalho como crianças que vivem em lares onde não há desemprego.O relatório divide os países em quatro grupos, consoante os resultados nacionais em cada um dos sectores em análise: desemprego, pobreza dos trabalhadores e insuficiência da assistência social.Portugal integra o grupo D – países onde se registam níveis relativamente altos de pobreza nas crianças, extremamente elevados em trabalhadores e uma fraca assistência social – tal como a Espanha, Grécia, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo e Polónia.

Em situação completamente oposta, ou seja no grupo A, estão a Áustria, Chipre, Dinamarca, Finlândia, Eslovénia, Holanda e Suécia. Este relatório exclui a Bulgária e a Roménia, os últimos países a aderir à UE.” (2008).
Os diários desportivos são para mim uma fonte de distracção e abstracção do real, estranho que também neste espaço eu já “não me possa esconder”. Naquele momento o último resultado positivo da minha equipa de eleição e a óptima exibição do meu jogador preferido já não me varriam a mente.

Por esta altura, entramos na ‘velha reflexão’ das soluções a encontrar para uma sociedade que se quer mais ‘social’.

Entre um vasto leque de opções que a criatividade humana permitiu criar surgem as Tecnologias Sociais, emergentes das Ciências Sociais. Entre elas, a Animação SocioCultural.

A Animação SocioCultural veio responder aos desígnios de uma sociedade em mudança, que não se quer fechada sobre si própria, que pretende desencadear processos de capacitação das pessoas para o exercício da cidadania, pressupondo uma concepção de comunidade em que as pessoas são reconhecidas como actores e autores da sua própria condição humana.
José Maria Quintana defendia que “ a Animação é a resposta que melhor se adapta aos desafios provenientes das grandes mudanças produzidas na nossa sociedade; resposta que quer em vez de adaptação às mudanças, permitir, ao mesmo tempo, resistir ou impor-lhe orientações.”(1999: 70), por sua vez P Waisgerberg interpretou a ASC com uma acção “ tendente a criar o dinamismo social onde não existe, ou que vem favorecer a acção cultural e comunitária, orientando as suas actividades para mudança social.”. (1999: 73).

A ASC veio responder à constante necessidade de mudança sentida pelas pessoas, permitiu-lhes trilhar sentidos de orientação, estabelecer rotas comuns de acção e emancipação sem por de parte que a sociedade humana será sempre um quadro inacabado, com tons diferentes e descolorações continuas. Como afirmou Francis Jeason, a ASC “ inscreve-se no quadro de uma emancipação colectiva (...) Sem embargo, apresenta dificuldades para ser claramente definida devido à sua riqueza e diversidade. A ASC consiste, essencialmente, em oferecer possibilidades de cultura ao mais amplo sector possível da vida cidadã...” (1999: 75).

5.06.2008

Homenagem aos presentes...


Quando olhamos no distante percebemos o que realmente importa... parece simplista?... talvez não...





4.29.2008

Antigas linhas de pensamento...




Seria impossível retirar todos os textos do meu antigo Blog... Ficam aqui aqueles que me marcaram mais por data de publicação...


Descobrir que a descobrir somos descobertos... 2008-02-22 16:11:02


É interessante disfarçar a rebeldia com sentidos figurados. Eu gosto de dar-lhes símbolos, criar metáforas a partir de imagens, astros, momentos de perfeição épica.Hoje, conto-vos partes de uma pequena grande história de 10 personagens de uma fábula que ainda estou a escrever: temos um Furão protagonista, astuto, leal e pensador de causas; temos uma Urze que nasce nas mais altas montanhas, de onde pode vislumbrar tudo e todos; temos um Lince planificador, meticoloso e à procura do mapa do tesouro; temos uma Foca medrosa e irrequieta; da história fazem ainda parte um Panda sábio de aspecto feroz e uma Raposa criado pelos Deuses e que amedronta os humanos; cabem ainda um Rouxinoul tímido e esbelto e um Cisne à procura da sua primeira grande prova de vôo; temos ainda uma Cegonha Real a quem todos buscam conselhos e um pequeno Chacal brincalhão e perspicaz... Nesta história eu faço de Árvore secular onde todos se juntam para conversar e planear novas aventuras. Estou ansioso pelo lançamento deste livro. Identifico-me com os personagens, e parece-me que esta pode ser uma história quase perfeita... se lhe retirasse uma qualquer personagem alteraria o seu sentido... a descobrir descobrimos que podemos ser descobertos...


Caminhar na rua da minha alma... 2008-02-08 18:42:34


Acho que todos temos o desejo de caminhar em um qualquer sítio «perfeito na sua totalidade», e bem longe do olhar humano. Todos gostaríamos de saber a localização desse refúgio mágico, longe tudo, perto de nada e que é só nosso. Também todos nós gostariamos de contar aos outros, o quão especial é esse sítio e como essa localização divina é inatingível.Eu, para mim, só queria a capacidade de caminhar só, por entre os «sítios dos outros», por entre «vidas alheias», sem querer nada e tudo querer, sem perder, porque não espero ganhar. Quero, na minha simplicidade reviver.E digo reviver, por de reviver se trata... reviver os momentos alados de amigos que não deixei de escutar... reviver o caminhar na rua da minha alma com a ansiedade de quem espera por quem ama... reviver a necessidade de viver sem que para isso tenha de comprar...Só quero caminhar por entre a penumbra, por entre apocalipses saborosos e serenos que iluminam a minha mente e que nela se perdem... à procura de novas ruas na mesma alma de sempre.


Dragão, o espírito... 2008-01-17 21:52:15


Explorando a Simbologia em que me revejo, aqui ficam umas ideias que aprendi em «investigações-acções» intemporais:Para todos os efeitos, o Dragão resume em si toda a força criadora e destrutiva do Universo. Desde tempos imemoriais, o Dragão tem sido o símbolo do poder espiritual em diversas culturas. Mesopotâmia, Oriente, Europa...
Para os sumérios e babilônicos, o Dragão encarnou a figura arquetípica da Deusa Criadora, e também destruidora, chamada Tiamat.
Sendo o dragão uma força absoluta e libertadora, é óbvio que atraiu inúmeros inimigos. Nas culturas celtas era celebrado como um braço forte da Senhora de Dez mil Nomes. Um sinônimo de nobreza e honra, levando ao surgimento de várias lendas. Para os chineses, o Dragão é ainda uma componente das suas crenças, quer seja como representação da intervenção divina, quer seja como um arauto de conhecimentos milenares, sorte, ou brincadeiras.
Esta força chamada Dragão, que ora é representada como um réptil alado ou não, é um traço presente tanto na natureza quanto na humanidade, onde se manifesta com rara freqüência e em poucos indivíduos. Quando um raio corta os céus, quando o mar se agita, um vulcão acorda, um furacão varre a terra, quando cumprimos o nosso legado...
Na humanidade, apresenta-se como um ímpeto avassalador que leva ao extremo da existência. É como se a vida perdesse o sentido e então tudo renascesse, mais forte, mais vívido, mais intenso. Um humano que dá abrigo a um Dragão naquela que é a sua alma, não passa despercebido, pois sua presença incomoda, tal é a violência das suas vibrações, tanto na intensidade como na inconstância. É um ser de extremos, de emoções intensas, de atitudes radicais e instantâneas. Conviver com um humano-dragão é tão difícil como a exposição à fúria de um vendaval. É preciso paciência e determinação.À primeira vista, o dragão humano pode parecer extremamente sedutor, a vivacidade que brota das suas palavras e do seu olhar encanta, fazendo qualquer um crer que ele é capaz de tudo. Ou então, pode mesmo parecer, um ser muito tosco, insensível e desagradável. É a liberdade quem alimenta suas chamas, que endurece suas escamas, que faz suas asas alcançarem os mais altos vôos.
Os que convivem, ou que conheceram, um dragão-humano, podem atestar a veracidade destas observações. A imagem que temos dele é a de um animal grotesco, porém majestoso, assustador e ao mesmo tempo inebriante. É uma metáfora perfeita para descrever a natureza da sua psique controversa.
O Dragão, tanto o mítico como o arquétipo psicológico, evoca força, o selvagem, nobreza, magia, momentos decisivos. É importante observar que o que parece à primeira instância um rugido mal educado pode ser apenas um modo draconiano de dizer o quanto se preocupa (coisa rara) e que está consciente das tuas necessidades. Requintes intelectuais não são freqüentes em Dragões, pois o seu instinto vale mais que mil conjecturas.
Tornando-se um Dragão, o humano passa harmoniza-se com o seu próprio contexto, recusando a si a futilidade e o ostracismo, envolvendo-se, quase que instintivamente em tarefas que exigem muito desprendimento e espírito altruísta.
Resumindo, o importante é que eles são reais, que vivem normalmente entre humanos e nuvens, e que estão longe, muito longe, de serem uma lenda.


Procurar no futuro... (mensagem à Sara Oliveira) 2007-11-05 22:10:49


Continuo a descobrir universos novos todos os dias, a procurar sonhos e a tentar desvendar que novas histórias posso contar. Continuo a acreditar nos Cavaleiros dos nossos dias, daqueles que não se perdem, que procuram, mesmo que às vezes isso não faça muito sentido.Durante este fim de semana tivemos mais um Mini-Campo de Formação do Grupo Nova Fénix. Temos entre nós uma espécie de tradição a que chamamos «O Ritual dos Símbolos». Durante esta Cerimónia, um elemento do grupo assume o seu compromisso enquanto parte integrante do grupo «Nova Fénix» sendo-he atribuído um símbolo. Depois do Alberto (Neblina) e do Miguel (Nuvem), foi a vez da Sara Oliveira e do Luís. Depois de muita reflexão e meditação a Sara assumiu o símbolo do Fogo, o Luís viu adiada a atribuição do seu símbolo.Mas histórias e explicações à parte, ficam aqui algumas «achas para a fogueira»: «O fogo é intenso, mas não constante. Precisa dos outros elementos para persistir, embora só a «água celeste» o acalme. É terno e generoso com a terra, embora em momentos de intensa disposição se deixe levar pela sua furia. É filho do Sol e afilhado da Lua, não procura respostas, prefere dar aso às dúvidas. É humano no aconchego, na luz, na linha do seu próprio tempo. É vermelho cor da dor, do amor e da distância. O Fogo representa a alma do guerreiro, a solidão em busca de companhia, a liderança com disfarce.... sê bem vinda ao compromisso Nova Fénix...»


Procurar nas estrelas... 2007-09-21 16:03:57


Já percorri galáxias perdidas no tempo, buracos negros com um infinito de sonhos para me afundar. Já viajei trancado no meu tempo à procura do meu momento, da minha meta.
Não posso dizer que não vislumbrei essa galáxia ou que não consegui entrar nesse buraco negro. Não mentirei renegando o eu tempo, o meu momento e a minha meta. O que sei é que sempre que cheguei, voltei a partir. Sempre que encontrei um novo refúgio, aprisionei a minha capacidade de fazer a diferença, e voltei a buscar o meu eu.
Acho que faço isso todos os dias, acho que não consigo satisfazer-me com simples metas. Aprendi que por muitas estrelas e cometas que revele, jamais deixarei de imaginar o próximo astro a revelar.
É verdade que não renego à minha solidão, ela continua a fazer parte de mim. E, acho até, que sem ela eu próprio faria pouco sentido. Acho que preciso dela para me sentir mal, para me fazer crer que não sou mais do que pó. Preciso dela para voltar a sentir falta das estrelas, do vento, do horizonte, do momento que vem a seguir.
Afinal não desistir, persistir, é isto mesmo.... continuar no sempre que sempre fomos, no existir de que nunca desistimos, no continuar em nome do nosso legado... por muito insignificante que seja...


Regresso ao futuro... (não, não é um filme...) 2007-09-07 16:10:12


Estas férias foram assombrosas, não só pelo que vivi, revivi e me diverti, mas sobretudo, porque, depois de muito tempo, consegui atingir algumas metas que tanto perseguia. Quais? Nem sempre podemos dizer tudo o que somos e pretendemos.
Mas metas à parte a reflexão que metraz hoje cá é o regresso ao trabalho. Uma das mais interessantes «intensidades» em ser professor, é que todos os anos são uma novidade relativamente ao outro, então na minha área (Animação Socio Cultural), isso acontece com uma singular regularidade. Novas turmas, novas disciplinas, novos colegas, mas sobretudo, todo um novo processo de reciclagem e preparação para um desconhecido familiar.
Perdi alguns colegas, eventualmente conhecerei novos, mas sobretudo continuo a ter a suprema oportunidade de poder ensinar (e aprender) na área que passei a «venerar». Hoje em dia ouço muitas vezes que ter um emprego já é bom. Recuso-me a acreditar nisso, embora já tenha sentido na pele o que é sofrer por um emprego. Recuso-me a acrediat nisso porque acredito no empreendorismo, nos sonhos, no espírito aberto e na capacidade de transformar as fatalidades.
Este ano regresso com mais energia ainda (espero que um pouquinho mais sábio), com a mesma garra e com vontade de fazer melhor. Sei que tenho um campo de oportunidades valioso e que me cabe a mim dar-lhe forma como nunca, porque mais cedo ou mais tarde, o campo de oportunidades se pode tornar num campo de contrariedades. Mas o que empolga é poder conhecer novos rostos, novas histórias, novas formas de regressar... Daqui a poucos dias recomeça o ano lectivo...espero estar à altura ...


Open Minds... Open Lines.... 2007-08-26 21:38:55

Por estes dias estive com um extenso grupo de amigos no Campo de Férias e Formação «Open Minds», realizado no âmbito do Projecto «Open Doors», apoiado pelo Programa Juventude. Pela primeira vez, um campo contou com a organização da recém criada PASEC - Plataforma de Animadores SocioEducativos e Culturais.
Mas pormenores à parte vamos ao que realmente interessou. Todos traçamos linhas de orientação, pensámos caminhos que queremos que nos levem ao rumo certo. Preparar um campo é assim, traçar linhas de orientação que, esperamos nós, com o percorrer de caminho, nos levem a bom rumo. Acho que o Open Minds conseguiu esse desiderato.
Mais do que dar aos amigos uma oportunidade de se encontrarem, este campo deu aos «amigos» a oportunidade de se redescobrirem e outros de perceberem que eram mesmo amigos: As Saras eram como uma especie de três mosqueteiros, menos um (e não era o Dartanhã). Não digo que tenham sido solidárias uma com as outra, mas realmente acredito que o céu nocturno de cada uma passou a ter estrelas comuns; a Elisabete resolveu voltar ao trilho que um dia ajudou a desenhar; a Lara surpreendeu pela humildade, entrega e disposição natural com que se entregou ao seu próprio processo de descoberta; a Patrícia cimentou e fortaleceu o seu ainda recente legado como Animadora; a Diana lapidou um pouco mais o diamante que pode ser; o Alberto descobriu na Expressão dramática o que já sabia, «é difícil ganhar €75000» - quem não perceber o comentário, só precisa de saber que no campo não davamos este tipo de prémios-; o Luís confirma e reafirma a sua maturidade como membro e alma de uma equipa; o Ricardo foi uma agradável surpresa; a Cátia fez corar Baden Powel; a Heloise encontrou-se no processo de Interculturalidade; a Mayra deu à sua Animação SocioCultural e às velhas amizades uma nova chama; a Carla para além de exercitar os dedos (constante apelo ao telemóvel) revelou uma surpreendente naturalidade para a gestão de grupos e momentos de inegável descontração; o Frank comprovou a sua queda para as Engenharias de largo alcance; o Bernardo estoirou o stock de pilhas de todos os hipermecados das redondezas, tal a chama inesgotável que evidenciou; eu consegui acabar mais uma pequena obra de arte feita de pessoas e momentos especiais....
Fica uma palavra para o Peixoto (dos Nova Fénix) para que esteja no próximo campo (fez falta neste) e deixo-vos com uma última mensagem: 'Permitir a existência, dar-mos forma aos nossos sonhos, não é apenas ser persistente e empreendedor... é ter medo e mesmo assim continuar.... é errar e não ter medo de tentar resolver o erro.... é perder no ganhar e ganhar em perceber... a sua própria simplicidade e Humanidade........


Descobrir... 2007-08-13 20:03:45


Estou de férias... ou melhor, já me sinto de férias....
Nas últimas semanas estive por Viana do Castelo (Amorosa), pelo menos dormi por lá.... durante o dia andei à descoberta de Castros (citâneas ou aglomerados pré-romanas espalhados desde a Galiza até ao Litoral Norte português) e a fazer GeoCatching (tesouros simbólicos escondidos um pouco por toda a parte que têm as coordenadas disponíveis na web e a que chegamos via GPS, normalmente em locais «favorecidos pela natureza»).
Depois de ter conhecido o Castro de Eiras e as Citâneas de Sanfins e Briteiros, nestas férias, entre outros, fiquei a conhecer o Castro de São Lourenço e Santa Lúzia e o imponente Castro de Santa Trega, na Galiza. De lá de cima podemos ver a foz do Rio Minho, o oceano Atlântico e toda a área natural costeira desde Esposende até Caminha e a Galiza Litoral.
Mas particularmente impressionante foi a experiência que GeoCatching me tem proporcionado. Já foram algumas as Catch's que descobri (Catch's são os tais tesouros simbólicos), mas ainda estou dependente de amigos porque não tenho GPS.
Fui com o Fernando (amigo que me deu a conhecer o GeoCatching) à Serra Amarela, mais concretamnte para a Freguesia de Ermida, em pleno coração do Parque Natural da Peneda Gerês... daí fomos até Bilhares, aglomerado onde os pastores albergam o feno para o gado e daí avançamos pelos trilhos da serra rumo ao ponto mais alto que conseguissemos deslumbrar... objectivo.... em vez de procurar uma cash.... íamos colocar uma. O Fernando escolheu como tema «As Chaves»...
Mas o impressionante esteve no caminho até lá... juro-vos que em parte do percurso pensei que não conseguia...para além das «poderosas vacas barrosãs».... encontramos cavalos em estado selvagem... paisagens de perder de vista, quase em estado virgem. É nestas alturas que perco a noção do tempo, dos sons, da matéria e do espaço que «supostamente» nos fazem. Olhar sem fim, sem rever a Civilização de que tanto tento fugir, para além de tranquilizador enche-nos a alma com a paz que todos nós procuramos.
O cavalo é um símbolo, que para além do dragão sempre povoou a minha vida, poder vê-los em liberdade dá-me a noção do que não sou, do tempo que perco com a minha própria superficialidade. O que me deixa feliz... é que tenho a certeza que ainda não vi nada... e que ainda agora comecei... e aqui tão perto de casa....................


Diário de Trabzon - Experiência Lab 3 Active...





7º Dia - Regresso a Portugal

Detesto despedidas, acho que apesar de 27 anos de existência, ainda é possível não saber lidar com "momentos finais de perfeição celeste". Sinto-me bébado e sem espaço na minha bagagem emocional para tudo o que recebi, ou que tive o privilégio de experimentar.Hoje em poucas palavras, fica a homenagem aos novos amigos que fiz, às novas lições que trilhei, aos caminhos porque me orientei e ao desconhecido que está para vir. Obrigado a tudo e a todos... Até sempre Turquia...
6º Dia - "O 'good feeling' de saber que não quero partir..."

Não me canso de descrever o que parece indescritível.Esta 'lamechice' de sentimentos é estranha, mas o mais estranho, é que não estou interessado em corrígi-la. É confortável e alucinante esta tempestade de emoções, sentimentos e vácuos de alma impertinentes. É estranho, mas viciante, acho que começo a entender o universo "das boas drogas".Deixo uma pergnta no ar: "Como é que reagem quando sabem que podem emergir para outro planeta, mas o vosso antigo astro apela ao vosso retorno?".Acho que é sempre bom voltar, mas não deixa de ser doloroso regressar do universo da neblina do saber.Pela manhã tivemos, mais uma vez, a partilha de métodos e técnicas de animação entre os formadores presentes. Pela tarde preparamos planos de acção e avaliamos as actividades. Terminamos o dia com mais uma festa. Pelo meio, conversei horas com o Stefano, deixei-me levar pelos sonhos da Maria, escutei as divindades da Nadya, percebi as perspectivas drásticas da Evelyna, etc, etc, etc. Uff, não há coração que aguente... Que Deus e os Astros permitam que este Universo perdure...Até amanhã...

5º Dia - Aprender a Simplicidade

Vamos no quinto dia, daqui a 2 partimos. Estamos naquela fase em que os patamares de confiança atingiram níveis de simplicidade. É como se "esta interminável relação" tivesse sempre existido. Os dias são passados, sobretudo, a conversar. O de hoje foi inteiramente dedicado à reflexão, pela manhã fizemos um "Quiz Show" (Concurso Televisivo), com o recurso a tecnologias de ponta, sobre o Programa Juventude. Foi uma forma divertida de discutir um assunto um pouco maçudo. De tarde fizemos um Laboratório sobtre situações concretas do dia a dia de um Animador e melhor método para resolvê-las a partir das experiências concretas de cada um.Mas voltando ao capíulo de que "Os dias são passados, sobretudo, a conversar", é extraordinário pensar nas conversas informais que tenho tido. Sem darmos por ela, estamos a discutir política, as diferenças culturais que temos, o amor, os sonhos, a vida de cada um... a diferença é que cada palavra faz sentido, é apreendida, cada momento de conversação torna-se numa viagem, mesmo quando temos dificuldades ao nível da linguagem. Podia contar alguns exemplos, mas estaria a diminuir outros de equivalente magnitude.Mas o melhor de tudo isto é deixar de ser professor, animador e "tretas a fim" por uma semana, e aproveitar o que de melhor a aprendizagem intercultural consegue proporcionar. Não me sinto preenchido, sinto antes que não tenho espaço para levar um quarto da riqueza que aqui recolhi, é um privilégio aqui estar, é um privilégio voltar a "aprender a simplicidade". Vamos terminar o dia com uma "Farewell party - 1ª Parte". Amanhã explico do que se trata.Até amanhã...

4º Dia - «A Vida é Isto»

Um dia, um velho conhecido, patenteou-me com esta frase: "a vida é isto, o resto é ganhar dinheiro para isto...". Estavamos em estágio no Alentejo, envolvidos pela natureza e comprometidos com o trabalho. Hoje, não estou no Alentejo, estou em Maçka, Trabzon, Turquia e tenho uma nova patente para registar: " a vida é isto, e não é preciso ganhar dinheiro para isto..."Tentar explicar o quão perfeitos têm sido os momentos que aqui temos vivido pode parecer uma «treta» pegada, mas é como os explico. Parece que o grupo se conhece desde sempre e cada viagem em que emergimos é algo de inolvidável.Pela manhã fizemos uma Worshop sobre "Como gerir as frustrações em processos de participação juvenil" a partir de Expressão Dramática. Pela tarde, com um conjunto de amigos fomos conhecer as ruas de Trabzon: tive a oportunidade de rezar numa Mesquita, joguei futebol nas ruas de Trabzon com os "putos" locais (o futebol é uma linguagem universal, não são precisas palavras) e mais uma vez fomos convidados a tomar chá pela população. Conheci o Mercado de Trabzon, aqui tudo é negociável, começamos em 20 liras turcas e negociando, conseguimos fazer o negócio por metade.A noite foi "uma monumento à humanidade emocional". Fomos jantar a um antigo Mosteiro escolpido nas altas montanhas a mais de 1500 m de altitude, verdadeiramente impressionante. Dançamos, cantamos, conversamos, até esgotarmos as poucas forças que nos restaram.Agradeço ao Universo mais esta oportunidade do "fantástico".Até amanhã...

3º Dia - «Afinal, onde estamos?»

Hoje o dia foi exotérico, à parte, muito à parte e mais à parte ainda... afinal onde estamos?...
Pela manhã fomos à descoberta de Maçka, a cidade onde estamos alojados. A tarefa dava pelo nome de “Missão Impossível” e através de um guião de perguntas, teríamos de descobrir a realidade desta pequena cidade turística. Só havia um problema, nenhum de nós falava turco, só os turcos. Tentamos o inglês, mas não nos serviu de muito. Mas esta aventura tem muito para contar.
As pessoas são de outro planeta, convidam-nos para entrar em sua casa como se fossemos da família. Só nos dão o melhor, não permitem que nos sintamos desamparados. Em cada casa ou café que nos convidavam para entrar, serviam-nos chá... aliás nunca tomei tanto chá em toda a minha vida...
Tenho a certeza que quando abandonar este local não me vou lembrar das luxuriantes paisagens, mas antes, do mercado de Maçka, as pessoas que sorriem para nós desconfiadas e a sua “temível” hospitalidade. Como companheira de caminhada tive o privilégio de partilhar esta viagem com Maria, jornalista russa viciada em Fotografia. Acho que nunca fui tão fotografado em toda a minha vida como hoje.
Na parte da tarde reflectimos os vários níveis de participação juvenil e a experiência dos vários formadores presentes. Foi a minha vez de partilhar o Laboratório de Jogos e a Metodologia de trabalho com grupos informais. Claro, tudo em inglês.
Tenho pena de não poder descrever a verdadeira essência da experiência que estou a viver. São tantas as personalidades e caracteres que me estão a marcar que é difícil destacar um. Definitivamente, viva a interculturalidade...
Boa notícia, o próximo projecto PASEC para 2009 vai acontecer com Itália.
Até amanhã...

2º Dia - Dia de esticar cordas

Hoje foi um dia extraordinário, experimentei emoções para uma semana. É espantoso como fora da nossa concha ficamos tão vulneráveis.Hoje conheci experiências e vivências apocalíticas, parecidas com a minha e outras tão mais valiosas, que me fazem pensar o quão pequenino sou.Marcou-me sobretudo o Stefano, Animador italiano de 30 anos, um crente nas causas da Animação SocioCultural como o universo que me rodeia. O dia foi passado a discutir a participação juvenil e terminamos, à noite, com uma sessão de publicidade sobre as organizações aqui presentes.Como não posso descrever as emoções que vivi, tudo com base em conversas e reflexões extremamente intensas, deixo-vos esta metáfora:" as cordas que esticamos para mudar o mundo, por vezes rompem ou cedem. Não há problema, podemos sempre dar outro nó e voltar a esticá-las, sabemos lá que nobre experiência vem a seguir. Se o mundo lá fora vos lembra os defeitos e que, porventura não é assim... acreditem que as qualidades nunca vos abandonaram e que continuam... a permitir que estiquem as cordas do mundo..."Esta começa a ser uma dura e gritante experiência.Até breve...

1º Dia - Dia de muita canseira...

Dia de grande viagem. Primeiro Porto-Frankfurt, 6 horas para dormir um pouco mais. Depois Frankfurt - Istambul, mais 5 horas para ficar a conhecer a Marta, a Animadora portuguesa que viaja comigo. Por fim, Istambul-Trabzon, mais duas horas para começar a conhecer o grupo com que irei trablhar durante a semana.O dia até às 17 horas turcas foi pouco mais que traumatizante, troca de aeroporto, faz check-in, passa passaporte, procura o próximo «gate». é nestas alturas que fico a odiar aviões...Mas vamos ao que interessa. Como isto é um blog, muitas palavras só vão epantar os meus venerados leitores.As paisagens turcas, sobretudo as da costa são do outro mundo, mas este é um país enorme, e mais parecido com Portugal do que o que parece.Chegados a Trabzon perderam-se metade das bagagens, felizmente a minha sobreviveu. Numa primeira impressão, o grupo é de fibra, vai exigir muito de nós o trabalho que vamos desenvolver nos próximos dias, mas penso que todos estarão à altura. Pena que mais membros PASEC não possam estar presentes.O Hotel é um 5 estrelas, com piscina coberta e quartos de outro tempo.... esta parte era para meter nojo.Por volta das 21 horas turcas jantamos. Para meu grande espanto, a comida estava óptima.Depois fizemos algumas dinâmicas de interacção grupal e terminamos o dia com uma festa de boas-vindas. São 23:45 aqui naTurquia, estou ainda um pouco ancioso, mas é sempre assim que começo estas aventuras que nunca ningúem sabe comom acabam.

2.10.2008

Testamento de um Vivo


Ouço as vozes do tempo
O repetir de um passado
A vida que ultrapassa os homens
Que destrói barreiras trespassa o sonho...
Neste momento, sou eu e o mundo
Sou eu para o mundo,
Um mundo de homens,
Um mundo de personagens...


A este fim que determino
Deixo ao tempo a palavra
A lei da minha lenda.
Ao meu espírito deixo a memória
Das personagens, dos tempos, dos exemplos.
No mito deposito a fúria,
A inconformidade de uma existência própria.
À minha personagem
Deixo o sonho e o sopro de cinzas de um real.
A ti alma,
Entrego o meu sarcófago milenar,
A arca do poder, o fogo e as asas do Dragão.
Nas estrelas
Deixo as linhas mal desenhadas do poema
O infinito do presente.
Deixo aos homens
O que resta deles
E o que lhes falta existir.
Para ti vulgaridade
Deixo o corpo cansado e inútil daquilo que sou.
Aos que vejo
Deixo tudo o quanto sou
E consigo ver.
No Cosmos
Deixo cair o horizonte
E deixo-me ir, sozinho
Rumo ao meu céu e ao meu inferno...


Assim reactivo o meu velho blog: Estados de Espírito