
10.21.2009
Personagens...

10.02.2009
Animação SocioCultural e Protagonismo Juvenil
Foram muitos os acontecimentos que nos últimos 50 anos, de uma forma ou de outra, contribuíram para as grandes transformações sociais do nosso tempo. O Maio de 1968 foi provavelmente, ao nível dos movimentos juvenis, o mais significativo, desencadeando uma verdadeira revolução de mentalidades que alastrou um pouco por todo o mundo, fazendo-se sentir ainda hoje enquanto matriz ideológica e política. Os jovens foram colocados no centro do processo de transformação social, assumindo o seu protagonismo de forma espontânea em ruptura com um sistema ultrapassado. Passados 40 anos, não é fácil definir a realidade juvenil dos nossos dias, não só pela sua riqueza, mas também pelo mosaico de comunidades juvenis que ela embarca, cada qual com códigos e rituais muito próprios. De qualquer forma, é possível circunscrever algumas das características associadas aos jovens de hoje. Por um lado valorizam o seu tempo livre e o grupo de amigos, por outro, continuam a aparecer associados a processos de mudança. É a partir destas premissas que a Animação SocioCultural (ASC) emerge, enquanto conjunto de práticas sociais, que ganhando forma e conteúdo nos tempos livres dos jovens, lhes fornecem ferramentas para estes poderem operar processos de transformação social, nomeadamente, nos seus grupos de pertença. E entre estes processos de transformação social que a ASC em Portugal ganha força, sobretudo a partir do 25 de Abril de 1974, embora já antes, tenham sido muitas as manifestações de inerentes às dinâmicas de ASC. Definida pela UNESCO, citada por Ander-Egg, como “um conjunto de práticas sociais que têm como finalidade estimular a iniciativa, bem como a participação das comunidades no processo do seu próprio desenvolvimento e na dinâmica global da vida sócio-política em que estão integrados” (1999:77), a ASC surge como um projecto pedagógico de conscientização, participação e protagonismos das pessoas, dos grupos e das comunidades. Relembrando E. Grosjean e H. Ingberg, eles argumentam que o que distingue a ASC não é “o que «faz» senão «como faz», e a sua tarefa é situar-se no centro da realidade e mobilizar as energias da comunidade, de forma a que de espectador passivo se converta em protagonista. Daí que as palavras-chave da Animação sejam: animar, mover, suscitar” (1999:78). A Animação Juvenil, aparece-nos, dentro deste quadro, como o âmbito da ASC em que se enquadram as comunidades juvenis, tendo um referencial próprio e ajustado ao seu público em concreto. Marcelino Sousa Lopes propõe como princípios essenciais inerentes às dinâmicas de ASC Juvenil os da liberdade, da promoção do associativismo, da participação e do voluntariado. Perante os jovens e os grupos que estes integram, o Animador é o agente privilegiado de todo este enredo. Ele assume um papel de importância vital enquanto mobilizador e catalisador de vontades junto do público juvenil. É o mediador presente no contexto de origem, o incentivador das dinâmicas juvenis e o preconizador de processos de protagonismo juvenil. Neste percurso ele é: o orientador responsável de espaços informativos, sendo um agente privilegiado na disponibilização de muitos dos campos de oportunidade em que os jovens baseiam as suas escolhas; é um agente de vastos recursos técnicos, dominando várias áreas de especialidade; actua com propósitos e objectivos que sabe serem exequíveis, deixando de parte os bloqueios emocionais, entusiasmando e provocando os jovens; é um conhecedor e potenciador da vida em grupo e comunidade. Ele é um dos actores da própria acção protagonista, assumindo a sua relação perante o grupo de forma natural, num percurso que tem como objectivo último a promoção do protagonismo juvenil, baseados em processos de participação. Segundo Palacios, o conceito de participação baseia-se na possibilidade de “intervenção na tomada de decisões, e não somente como o estabelecimento de canais multidireccionais de comunicação e consulta. (...) A participação completa só acontece quando as decisões são tomadas pelas próprias pessoas que hão-de pô-las em acção”. (1994: 11) Dito de outra forma, participar é a possibilidade de intervenção de pessoas ou grupos em processos de reflexão ou tomada de decisão que têm como fim a tentativa de resolução de problemas que as afectam directamente, ou então no sentido da persecução de desígnios comuns. É nesta premissa que assentam as bases do protagonismo juvenil. Resultados do Projecto de Investigação “Nova Fórmula” É dentro deste contexto que durante 2007 e 2008 desenvolvi um projecto de investigação em parceria com a Plataforma de Animadores SocioEducativos e Culturais, Agência para a Gestão do Programa Juventude em Acção e Universidade do Minho denominado “Nova Fórmula” no sentido de perceber o contributo do Animador SocioCultural, e assim da ASC, na promoção do protagonismo juvenil. Assim, importa agora estabelecer uma síntese das principais conclusões/resultados a que chegamos e que estiveram na base de uma proposta de modelo de promoção de processos de protagonismo juvenil. A partir dos depoimentos recolhidos traçamos um perfil de Animador assente em três eixos fundamentais: o do animador agente social; o do animador agente mediador; e a do animador agente educativo. Falámos de alguém que, movido por um ideal, combina em si a componente formativa e uma experiência de vida que o tornaram Animador de vocação e comprometido. De qualquer forma, estes pressupostos nem sempre são colocados em prática, sendo que os Animadores apontam como maiores constrangimentos: a falta de reconhecimento social de que a função do Animador SocioCultural carece; a escassez de recursos disponíveis; a existência de práticas de animação baseadas na simples ocupação de tempos livres sem um plano pedagógico concreto e coerente; a postura pouco ética por parte de alguns animadores nas suas práticas diárias; a confusão que existe entre os pressupostos da ASC enquanto prática educativa e a Animação enquanto produção cultural. Tendo como base os testemunhos dos entrevistados, constatamos que eles acreditam que um sistema de relações de uma estrutura grupal juvenil, influenciado por um processo próprio da ASC, encontra no Animador o seu pilar estrutural. Vêem-no como uma espécie de “placa giratória” por onde se cruzam, criam, terminam e recriam processos relacionais e todas as dinâmicas despoletadas a partir desse mesmo sistema. Acreditam que este é um processo faseado passando por uma fase de aproximação ao grupo a que segue uma fase de maturação da estrutura grupal, onde o Animador se assume como pilar. Este percurso atinge o seu pico na fase vital do grupo, momento onde este surge perante os seus primeiros constrangimentos e dificuldades, onde é levado a tomar as suas primeiras decisões delicadas. É uma fase em que o Animador procurará ser o mais invisível possível, dando ao grupo o poder de decisão sobre as principais direcções a tomar. Tendo presente que os processos de interacção grupal têm por base as relações que se estabelecem a partir do sistema grupal, a partir dos depoimentos recolhidos, chegamos à conclusão que estes condicionam, potenciam e redimensionam a participação e acção de um grupo. Identificámos dez factores relacionais base: o factor amizade, com base em laços afectivos; o duplo sentido das relações, resultantes de uma vontade orgânica e de uma vontade reflectida; a relação ambivalente entre Animador e elementos do grupo, que pode assumir posições de ruptura ou de estima; a relação positiva e satisfatória com base no compromisso como potenciadora de uma participação mais qualificada e positiva; as origens e contextos dos grupos; os tipos de liderança exercidos pelo Animador; o papel individual que cada um desempenha na estrutura grupal; a relação encarada como um percurso que exige da parte de todos os agentes envolvidos; persistência, nomeadamente do Animador; o próprio percurso de interacção que leva ao estabelecimento da relação, exigindo por parte do Animador a utilização de métodos inovadores e espaços de educação não formal no sentido de potenciar os elementos do grupo e servir de complemento aos espaços de educação formal; a transmissão recíproca de valores entre os jovens que integram o grupo e o Animador. Sendo os factores relacionais estruturantes, a gestão dos processos de liderança não é menos relevante. Neste sentido, os entrevistados remetem-nos para uma gestão do processo de lideranças numa perspectiva democrática, não esquecendo, no entanto, que em determinados grupos existem várias lideranças e, dependendo dos contextos, podem ser usadas abordagens diferentes, mais ou menos directivas. Já aqui referimos que a vida em grupo passa por várias fases, assim como a do Animador com o grupo, passando por um momento de aproximação, maturação e de acção concreta nos contextos em que o grupo opera. Segundo os entrevistados, se a vida em grupo não partir de um processo coerente, flexível, dando tempo para que os processos de coesão grupal se estabeleçam naturalmente, a promoção da acção protagonista poderá ser limitada, ou até mesmo, precipitada. Uma das Animadoras entrevistadas, Raquel Louro, partilhou que só é possível um processo de promoção de uma acção protagonista por parte do grupo, se houver tempo de amadurecimento suficiente para que isso possa suceder. O aspecto da longevidade permite que o grupo pense a sua acção de uma forma concertada e coerente, tentando dar resposta aos anseios e potencialidades individuais num plano mais amplo e integrador de todas as sensibilidades. Outra das linhas mestras dos processos de promoção do protagonismo juvenil, a partir dos testemunhos recolhidos, é a análise dos grupos com base no seu potencial e não apenas nas suas carências. Os jovens procuram maximizar as suas qualidades, ampliar o seu raio de acção e não que lhes lembrem os seus défices e constrangimentos nos mais variados campos de oportunidade e actuação social. É aqui que emerge a metodologia da ASC, baseada no potencial humano e alicerçada no trabalho do Animador. Segundo alguns entrevistados, um dos aspectos que mais contribuiu para o sucesso de um processo preconizador do protagonismo junto dos grupos juvenis é o facto de serem os próprios jovens a participarem da concretização e operacionalização dos objectivos e actividades que dizem respeito à estrutura grupal. Este alinhamento faz toda a diferença, porque para além de implicá-los, permite desenvolver nos elementos do grupo competências de organização, gestão e negociação.
9.23.2009
Humanos poetas...
8.30.2009
A Cidade com um milhão de anos...
8.21.2009
A vida num click...
7.30.2009
Serenidade... Eternidade...


7.12.2009
Apanhados pelo tempo que queremos controlar...
No ritmo dos dias perdemos a conta à quantidade de vezes que nos zangamos com o mundo em redor. Queremos controlar o tempo que é nosso e o que é dos outros... não permitir que o erro exista e que a nossa mente... serenamente... prevaleça.Achamos que somos capazes de controlar o tempo, os verbos, os tempos verbais e a existência circular de um mundo com falta de tempo.
Infelizmente isso é impossível e para evitar "transtornos emocionais"... tratem-se...
Estar no meio dos putos na dose certa é uma óptima "terapia"... pelos menos para mim... se arranjar uma piscina... então podemos sempre regar que estamos de bem com a vida, água não faltará.
7.06.2009
Esquecer e Lembrar...
6.22.2009
Aliado do momento...
Procuramos a perfeição,
Procuramos a aceitação,
A atenção do próximo e do universo em redor,
Queremos ser o circo, o centro do próprio espectáculo,
A única personagem,
A história que algum contador celeste há-de contar...
Sentimos a necessidade de nos afirmarmos,
De controlarmos a nossa própria desdita,
O que se segue a nós,
E, se a perfeição permitir,
O que está para além de nós...
Somos aliados de nós próprios,
Porque jamais queremos estar perdidos,
E porque sempre querermos ser encontrados.
Dentro de toda esta tormenta.
Tememos os momentos em que não nos vamos ver no caminho,
Retardamos o nosso ser com a perspectiva de nos adiarmos.
Nestes momentos transcendemos o tempo do qual não podemos fugir
E reclinamos entre sentidos...
Afinal a desdita é simples,
Não somos perfeitos,
As certezas serão sempre incertas,
E mais do que aliados de nós próprios,
Somos aliados do momento
Do momento de glória,
De desespero, de lua,
De anseio, de Serenidade...
No que sobrar, é tudo mais no momento...
Em que sou.... Aliado do momento..
1.12.2009
Comunicar a Humanidade – Em que campo de batalha pretendo estar?
Partindo do seu sentido etimológico a palavra "comunicação", derivada da palavra latina "communis", significa tornar comum.
Tendo como pano de fundo a evolução tecnológica dos últimos anos, bem como uma antecipação do que pode ser o futuro, somos levados a pensar que cada vez mais nos aproximamos do conceito de “aldeia global” de MacLuhan, no que à comunicação diz respeito. Considero, e podemos verificá-lo um pouco por toda a parte, que as grandes transformações de carácter social que têm vindo a acontecer entre os finais do passado século e início desta década, só são possíveis devido à existência de novos fenómenos comunicacionais como a Internet, a massificação dos telemóveis e computadores portáteis ou as novas plataformas digitais (Ex.: serviço de televisão, internet e telefone por cabo; redes sem fios, televisão em alta definição, entre outras). Mas o que é afinal este processo tão essencial que designamos como comunicação? Comunicar significa tornar comum, estabelecer comunhão e participar na comunidade através da troca de informações. Em todas as suas formas, comunicar envolve sempre um processo de transmissão e recuperação da informação, e onde quer que aconteça, tem quatro elementos básicos da praxe: emissor, receptor, canal e mensagem. Comunicar ganhou contornos de arte e quem a domina as suas lides é uma espécie de novo poeta. Comunicar tornou-se numa “técnica de combate e de guerrilha”, utilizada como estratégia militar e política. Comunicar tornou-se tão óbvio como respirar que nos esquecemos de “como o fazer?” Se há uns anos era um luxo ter acesso a um computador portátil, hoje estranhamos o simples facto de não o termos. Basta passarmos por uma qualquer secção de informática de um qualquer hipermercado para verificarmos que os “antigas caixotes” de pelo menos 5 kg, que exigiam ainda a compra de monitor, teclado e rato ainda lá estão, mas em muito menor número que os novíssimos, muito menos pesados e muito “mais em conta” computadores portáteis (em algumas situações, mais baratos, inclusive). Como se isto não bastasse, os programas governamentais “E-Escolas” e “Novas Oportuniadades”, mais que duplicou o número de portugueses com portátil com idade inferior a 20 anos, devendo este número quadruplicar até 2010 com quase 1 milhão de jovens portugueses com um portátil com acesso à Internet. A própria Democracia tornou-se num processo interactivo (ok, concordo… não tão interactivo como isso…), feito ao minuto, com actualização de informação na hora através de todos os veículos possíveis. Uma intervenção de carácter político de um determinado partido tem resposta directa minutos após por parte do partido rival sem que, para tal, se tenham de encontrar. O Zé, o Miguel, a Rita e a Sílvia falam, ou melhor, “teclam”, mas também podia ser “falar” (porque os programas informáticos de chat e interacção à muito que o permitem), durante horas sem terem que sair de casa. Vou ao café, recebo um “sms” do Bernardo para ir ao meu mail e no mesmo instante (sem ser através do telemóvel) “saco” do meu mini (mini) portátil (vulgarmente conhecidos como “notebook’s”), abro a o email, descarrego o documento que me foi enviado, faço as alterações que entendi e reenvio. Pelo meio revi as notícias na internet, escutei a minha música favorita e organizei o arquivo de fotos que tirei a semana passada no Gerês. Tudo isto no café, sem ter de ir ao “caixote de 5 kg” perdido lá por casa. Mas como o fiz no café, também o podia ter feito na casa de qualquer amigo, são as maravilhas da internet sem fios e dos notebooks. Sei que não estou a contar nenhuma novidade, já todos sabemos que é assim e não é novidade para ninguém que este processo só vai acelerar. E no meio desta tempestade cabe a cada um de nós escolher o seu próprio campo de batalha. As novas formas de comunicação não são boas nem más, são o que fazemos delas. Elas ganharam forma com a intenção de servir o Homem, de lhe facilitar a sua existência e o elevar a outro nível. Por estes dias citava um grande amigo meu, o Animador italiano Stefano Bottelli relativamente a uma realidade adjacente a esta, a do Protagonismo Juvenil: “…o nosso trabalho (o dos animadores juvenis) torna-se importante quando percebes o que um jovem pode fazer com o teu poder e não o que o teu poder pode fazer a um jovem...”. Com as novas formas de comunicação, penso que é um pouco do mesmo, elas tornam-se importantes quando percebes o que podes fazer com elas e não o que elas te podem fazer. Seria mais fácil estabelecer um discurso redutor e sisudo, enumerando os demais malefícios preconizados pelos novos fenómenos comunicacionais, mas limito-me, mais uma vez, ao real significado da Comunicação: “tornar comum; estabelecer comunhão; participar na comunidade através da troca de informações.” Resumindo, comunicar é ser humano e tudo que a possa facilitar será sempre bem-vindo, cabe-nos a nós comunicar o mais “humanamente” possível sem perder o sentido do tempo, da presença, do que realmente somos e para onde estamos e queremos caminhar. Comunicar é um processo conjunto, um poema de sempre que permitiu dar forma ao que chamamos de “Humanidade”. Mesmo sendo um exercício complexo cabe a cada um, no seu processo de “Revisão de Vida”, simplificá-lo, dar-lhe substância, estabelecendo as suas próprias regras no seio do grupo em que está integrado (família, grupos de amigos, emprego, etc), não caindo no facilitismo de o ignorar ou na nostalgia de o fazer retroceder.
12.15.2008
O legado de um guerreiro...
Que o mar se deixa-se ir
E que as estrelas voltassem,
O Guerreiro alimentou o espírito,
Guardou a espada
E buscou mais uma tentativa de regresso.
Não é que ele não quisesse ali estar,
Mas o seu intuito e presença antecipavam outra direcção.
A sua consciência não o orientava,
Mas isso não era importante,
O relevante era ter a certeza de onde deveria estar.
A neblina cedeu,
O mar deixou-se ir
E as estrelas voltaram.
O nobre soldado fez-se vivo e partiu
Sem que a sua natureza o desvendasse
Uma estranha criatura seguia-o
Algo de um rosto desfigurado,
Presença incómoda
E corporalmente invisível aos olhos.
O Guerreiro sentia-se ameaçado,
Talvez até desorientado e vago,
Nada que fizesse recair a sua desmedida coragem
Sentia-se parcialmente perseguido,
Mas o seu legado estava presente demais para ceder.
Os dias completavam-se uns nos outros,
As verdades escoavam-se,
O herói personificado ousava continuar.
Naquele dia ele conheceu uma Bruxa,
Esta contava-lhe que em tempos foi fada
E se hoje assim o era
A causa estava num envelhecimento encantado que lhe haviam destinado.
O Guerreiro perguntou-lhe
Se poderes não tinha para operar a mudança
Esta responde que só para os outros, nunca para ela,
Para ela só outra de uma mesma vida.
O Guerreiro ofereceu-se para desmistificar este encantamento encantado,
Mas a Bruxa não aceitou,
Profetizou-lhe que outras glórias não podiam esperar
E que estranhas presenças não o podiam parar.
O Guerreiro promete continuar,
Desde que a vulnerável Bruxa o acompanhasse,
Para juntos encararem a diferença.
A estranha presença de face desfigurada continuou a segui-los.
Alguns dias mais, o Guerreiro conheceu um Órfão,
Os seus pais haviam partido em viagem eterna,
Porque a verdade haviam revelado.
O pequeno era o que restava de um dado sonho
Que agora fugia da vulgaridade.
O Guerreiro convidou-o a acompanhá-lo
A criança pensou em breves consciências
E perguntou porque haveria de o acompanhar,
O suposto herói argumentou que também ele,
Também ele queria viver o sonho,
Também ele o procurava por entre tudo e nada.
A invisível presença continuava no seu encalço.
Algumas luas após,
Avistaram uma cidade perdida,
Profundamente perdida por entre vazios.
Um Velho Soldado acenou-lhes,
O Guerreiro pôs-se em guarda,
O homem vinha em paz.
Era o último guardião da cidade perdida,
Era o último sonhador daquelas paragens,
O único que acreditava num regresso.
Mais uma vez, o Guerreiro, convidou-o a seguir com eles.
Com os olhos na face do homem,
Segredou-lhe que juntos regressariam ao sonho.
Aquela estranha e incómoda presença não os largava.
Passaram dias, meses, séculos,
Quem sabe, milénios.
Estes quatro peregrinos continuam a sua busca,
Continuam a tentar encontrar,
Continuam a tentar regressar,
A estarem de novo presentes,
A estarem de novo presentes em vida e espírito.
E esta desfigurada presença,
Incomoda e corporalmente invisível que sou
Continua a persegui-los
E em cada nova caminhada
Eles encontram alguém novo que se lhes junta,
Encontram alguém novo que também ambiciona sonhar,
Alguém desesperadamente à procura de conquista.
Por entre céus e infernos
E em todas as realidades
Eu irei também lá estar,
E aposto que também cada um de nós,
Porque duvido que estejam mortos
Porque duvido que não queiram ser vida.
Porque sei, tenho a certeza,
Que o Guerreiro, a Bruxa, o Órfão e o Velho
Irão viver o seu sonho...
E eu o meu...
10.29.2008
"Animação SocioCultural e Protagonismo Juvenil"

Com a maturidade o Animador vai apurando os seus sentidos, desenvolve a sua técnica e ética e constrói a sua linha de orientação. Mas este percurso está sempre associado a uma sistemática experimentação. A sua vida é uma espécie de ‘Laboratório Social’, de constantes experiências falhadas e bem sucedidas, mas tendo como terreno, como contexto, o real.
O Animador adensa-se e qualifica-se na realidade de todos os dias. A sua formação técnica serve de ‘mala de ferramentas’, pois ele não é Animador, ele ‘torna-se Animador’ quando envolvido no meio social, tendo presente as potencialidades e limitações do mesmo. Este é um processo de formação contínua e constante actualização. Ele próprio sentirá essa necessidade de aprofundar o ‘que já é’, porque o meio que opera está em constante derivação e progressiva mudança social.
Idealmente, o Animador deve trabalhar numa equipa multidisciplinar (também ele deve ter o seu grupo de pares), com competências técnicas e sociais bem definidas, que lhe permitam analisar as suas opções e actuações. Não sendo possível, deve pausar a sua intervenção para reflectir a sua acção com outros técnicos, de preferência de áreas diversas, que possam com a sua experiência no terreno ajudar a clarificar ‘as opções de caminho’ que naturalmente o Animador fará.
É a partir deste referencial vivido que o Animador se torna protagonista dele próprio, fortalecendo e dando forma ao seu papel de promotor do protagonismo juvenil.
Futuramente, penso ser importante colocar o modelo que propomos em discussão, perceber os seus pontos fortes, as sua debilidades e a evolução que a partir daí deveria preconizar. Mas esta discussão não deveria apenas ser feita a partir dos Animadores, é relevante que seja feita pelos próprios jovens, no seio dos seus grupos.
Fico a pensar quantos de nós, ligados às dinâmicas de ASC desde sempre, o considerarão desajustado ou mesmo, obsoleto. É legítimo, ele não pretende ser universal, pretende antes relevar uma perspectiva que considera os grupos juvenis a partir do seu potencial revelado e não a partir de uma qualquer análise de necessidades com fundamentos estatísticos. Seria interessante promover, pela primeira vez no nosso país, uma espécie de Feira do Protagonismo Juvenil, onde partindo de dinâmicas de Educação não Formal, para além da partilha de vivências e experiências, se pudesse equacionar a aplicabilidade e utilidade do modelo proposto.
O trabalho do Animador com jovens só é realmente importante, na minha perspectiva, quando na sua acção, o Animador “existindo”, permite que os outros “também existam” num protagonismo partilhado e arquitectado por todos, mesmo com diferentes níveis de envolvimento. A este respeito, termino com as sábias palavras de um amigo italiano, o animador Stefano Bottelli: “…o nosso trabalho torna-se importante quando percebes o que um jovem pode fazer com o teu poder e não o que o teu poder pode fazer a um jovem...”. "
6.16.2008
Animação SocioCultural e as transformações sociais
A palavra sociedade tem o seu berço no Latim societas, que significava "associação conciliadora com outros". A palavra societas é resultante de socius, que significa "companheiro".
Ao ler o jornal desportivo de todos os dias (Diário Record de 25 de Fevereiro de 2008), na rubrica «Fora de Campo», a sociedade desportiva resume assim o Portugal da sociedade das pessoas:
José Maria Quintana defendia que “ a Animação é a resposta que melhor se adapta aos desafios provenientes das grandes mudanças produzidas na nossa sociedade; resposta que quer em vez de adaptação às mudanças, permitir, ao mesmo tempo, resistir ou impor-lhe orientações.”(1999: 70), por sua vez P Waisgerberg interpretou a ASC com uma acção “ tendente a criar o dinamismo social onde não existe, ou que vem favorecer a acção cultural e comunitária, orientando as suas actividades para mudança social.”. (1999: 73).
5.06.2008
4.29.2008
Antigas linhas de pensamento...
Para os sumérios e babilônicos, o Dragão encarnou a figura arquetípica da Deusa Criadora, e também destruidora, chamada Tiamat.
Sendo o dragão uma força absoluta e libertadora, é óbvio que atraiu inúmeros inimigos. Nas culturas celtas era celebrado como um braço forte da Senhora de Dez mil Nomes. Um sinônimo de nobreza e honra, levando ao surgimento de várias lendas. Para os chineses, o Dragão é ainda uma componente das suas crenças, quer seja como representação da intervenção divina, quer seja como um arauto de conhecimentos milenares, sorte, ou brincadeiras.
Esta força chamada Dragão, que ora é representada como um réptil alado ou não, é um traço presente tanto na natureza quanto na humanidade, onde se manifesta com rara freqüência e em poucos indivíduos. Quando um raio corta os céus, quando o mar se agita, um vulcão acorda, um furacão varre a terra, quando cumprimos o nosso legado...
Na humanidade, apresenta-se como um ímpeto avassalador que leva ao extremo da existência. É como se a vida perdesse o sentido e então tudo renascesse, mais forte, mais vívido, mais intenso. Um humano que dá abrigo a um Dragão naquela que é a sua alma, não passa despercebido, pois sua presença incomoda, tal é a violência das suas vibrações, tanto na intensidade como na inconstância. É um ser de extremos, de emoções intensas, de atitudes radicais e instantâneas. Conviver com um humano-dragão é tão difícil como a exposição à fúria de um vendaval. É preciso paciência e determinação.À primeira vista, o dragão humano pode parecer extremamente sedutor, a vivacidade que brota das suas palavras e do seu olhar encanta, fazendo qualquer um crer que ele é capaz de tudo. Ou então, pode mesmo parecer, um ser muito tosco, insensível e desagradável. É a liberdade quem alimenta suas chamas, que endurece suas escamas, que faz suas asas alcançarem os mais altos vôos.
Os que convivem, ou que conheceram, um dragão-humano, podem atestar a veracidade destas observações. A imagem que temos dele é a de um animal grotesco, porém majestoso, assustador e ao mesmo tempo inebriante. É uma metáfora perfeita para descrever a natureza da sua psique controversa.
O Dragão, tanto o mítico como o arquétipo psicológico, evoca força, o selvagem, nobreza, magia, momentos decisivos. É importante observar que o que parece à primeira instância um rugido mal educado pode ser apenas um modo draconiano de dizer o quanto se preocupa (coisa rara) e que está consciente das tuas necessidades. Requintes intelectuais não são freqüentes em Dragões, pois o seu instinto vale mais que mil conjecturas.
Tornando-se um Dragão, o humano passa harmoniza-se com o seu próprio contexto, recusando a si a futilidade e o ostracismo, envolvendo-se, quase que instintivamente em tarefas que exigem muito desprendimento e espírito altruísta.
Resumindo, o importante é que eles são reais, que vivem normalmente entre humanos e nuvens, e que estão longe, muito longe, de serem uma lenda.
Não posso dizer que não vislumbrei essa galáxia ou que não consegui entrar nesse buraco negro. Não mentirei renegando o eu tempo, o meu momento e a minha meta. O que sei é que sempre que cheguei, voltei a partir. Sempre que encontrei um novo refúgio, aprisionei a minha capacidade de fazer a diferença, e voltei a buscar o meu eu.
Acho que faço isso todos os dias, acho que não consigo satisfazer-me com simples metas. Aprendi que por muitas estrelas e cometas que revele, jamais deixarei de imaginar o próximo astro a revelar.
Afinal não desistir, persistir, é isto mesmo.... continuar no sempre que sempre fomos, no existir de que nunca desistimos, no continuar em nome do nosso legado... por muito insignificante que seja...
Mas metas à parte a reflexão que metraz hoje cá é o regresso ao trabalho. Uma das mais interessantes «intensidades» em ser professor, é que todos os anos são uma novidade relativamente ao outro, então na minha área (Animação Socio Cultural), isso acontece com uma singular regularidade. Novas turmas, novas disciplinas, novos colegas, mas sobretudo, todo um novo processo de reciclagem e preparação para um desconhecido familiar.
Este ano regresso com mais energia ainda (espero que um pouquinho mais sábio), com a mesma garra e com vontade de fazer melhor. Sei que tenho um campo de oportunidades valioso e que me cabe a mim dar-lhe forma como nunca, porque mais cedo ou mais tarde, o campo de oportunidades se pode tornar num campo de contrariedades. Mas o que empolga é poder conhecer novos rostos, novas histórias, novas formas de regressar... Daqui a poucos dias recomeça o ano lectivo...espero estar à altura ...
Mas pormenores à parte vamos ao que realmente interessou. Todos traçamos linhas de orientação, pensámos caminhos que queremos que nos levem ao rumo certo. Preparar um campo é assim, traçar linhas de orientação que, esperamos nós, com o percorrer de caminho, nos levem a bom rumo. Acho que o Open Minds conseguiu esse desiderato.
Mais do que dar aos amigos uma oportunidade de se encontrarem, este campo deu aos «amigos» a oportunidade de se redescobrirem e outros de perceberem que eram mesmo amigos: As Saras eram como uma especie de três mosqueteiros, menos um (e não era o Dartanhã). Não digo que tenham sido solidárias uma com as outra, mas realmente acredito que o céu nocturno de cada uma passou a ter estrelas comuns; a Elisabete resolveu voltar ao trilho que um dia ajudou a desenhar; a Lara surpreendeu pela humildade, entrega e disposição natural com que se entregou ao seu próprio processo de descoberta; a Patrícia cimentou e fortaleceu o seu ainda recente legado como Animadora; a Diana lapidou um pouco mais o diamante que pode ser; o Alberto descobriu na Expressão dramática o que já sabia, «é difícil ganhar €75000» - quem não perceber o comentário, só precisa de saber que no campo não davamos este tipo de prémios-; o Luís confirma e reafirma a sua maturidade como membro e alma de uma equipa; o Ricardo foi uma agradável surpresa; a Cátia fez corar Baden Powel; a Heloise encontrou-se no processo de Interculturalidade; a Mayra deu à sua Animação SocioCultural e às velhas amizades uma nova chama; a Carla para além de exercitar os dedos (constante apelo ao telemóvel) revelou uma surpreendente naturalidade para a gestão de grupos e momentos de inegável descontração; o Frank comprovou a sua queda para as Engenharias de largo alcance; o Bernardo estoirou o stock de pilhas de todos os hipermecados das redondezas, tal a chama inesgotável que evidenciou; eu consegui acabar mais uma pequena obra de arte feita de pessoas e momentos especiais....
Fica uma palavra para o Peixoto (dos Nova Fénix) para que esteja no próximo campo (fez falta neste) e deixo-vos com uma última mensagem: 'Permitir a existência, dar-mos forma aos nossos sonhos, não é apenas ser persistente e empreendedor... é ter medo e mesmo assim continuar.... é errar e não ter medo de tentar resolver o erro.... é perder no ganhar e ganhar em perceber... a sua própria simplicidade e Humanidade........
Estou de férias... ou melhor, já me sinto de férias....
Nas últimas semanas estive por Viana do Castelo (Amorosa), pelo menos dormi por lá.... durante o dia andei à descoberta de Castros (citâneas ou aglomerados pré-romanas espalhados desde a Galiza até ao Litoral Norte português) e a fazer GeoCatching (tesouros simbólicos escondidos um pouco por toda a parte que têm as coordenadas disponíveis na web e a que chegamos via GPS, normalmente em locais «favorecidos pela natureza»).
Depois de ter conhecido o Castro de Eiras e as Citâneas de Sanfins e Briteiros, nestas férias, entre outros, fiquei a conhecer o Castro de São Lourenço e Santa Lúzia e o imponente Castro de Santa Trega, na Galiza. De lá de cima podemos ver a foz do Rio Minho, o oceano Atlântico e toda a área natural costeira desde Esposende até Caminha e a Galiza Litoral.
Mas particularmente impressionante foi a experiência que GeoCatching me tem proporcionado. Já foram algumas as Catch's que descobri (Catch's são os tais tesouros simbólicos), mas ainda estou dependente de amigos porque não tenho GPS.
Fui com o Fernando (amigo que me deu a conhecer o GeoCatching) à Serra Amarela, mais concretamnte para a Freguesia de Ermida, em pleno coração do Parque Natural da Peneda Gerês... daí fomos até Bilhares, aglomerado onde os pastores albergam o feno para o gado e daí avançamos pelos trilhos da serra rumo ao ponto mais alto que conseguissemos deslumbrar... objectivo.... em vez de procurar uma cash.... íamos colocar uma. O Fernando escolheu como tema «As Chaves»...
Mas o impressionante esteve no caminho até lá... juro-vos que em parte do percurso pensei que não conseguia...para além das «poderosas vacas barrosãs».... encontramos cavalos em estado selvagem... paisagens de perder de vista, quase em estado virgem. É nestas alturas que perco a noção do tempo, dos sons, da matéria e do espaço que «supostamente» nos fazem. Olhar sem fim, sem rever a Civilização de que tanto tento fugir, para além de tranquilizador enche-nos a alma com a paz que todos nós procuramos.
O cavalo é um símbolo, que para além do dragão sempre povoou a minha vida, poder vê-los em liberdade dá-me a noção do que não sou, do tempo que perco com a minha própria superficialidade. O que me deixa feliz... é que tenho a certeza que ainda não vi nada... e que ainda agora comecei... e aqui tão perto de casa....................
Diário de Trabzon - Experiência Lab 3 Active...
Pela manhã fomos à descoberta de Maçka, a cidade onde estamos alojados. A tarefa dava pelo nome de “Missão Impossível” e através de um guião de perguntas, teríamos de descobrir a realidade desta pequena cidade turística. Só havia um problema, nenhum de nós falava turco, só os turcos. Tentamos o inglês, mas não nos serviu de muito. Mas esta aventura tem muito para contar.
As pessoas são de outro planeta, convidam-nos para entrar em sua casa como se fossemos da família. Só nos dão o melhor, não permitem que nos sintamos desamparados. Em cada casa ou café que nos convidavam para entrar, serviam-nos chá... aliás nunca tomei tanto chá em toda a minha vida...
Tenho a certeza que quando abandonar este local não me vou lembrar das luxuriantes paisagens, mas antes, do mercado de Maçka, as pessoas que sorriem para nós desconfiadas e a sua “temível” hospitalidade. Como companheira de caminhada tive o privilégio de partilhar esta viagem com Maria, jornalista russa viciada em Fotografia. Acho que nunca fui tão fotografado em toda a minha vida como hoje.
Na parte da tarde reflectimos os vários níveis de participação juvenil e a experiência dos vários formadores presentes. Foi a minha vez de partilhar o Laboratório de Jogos e a Metodologia de trabalho com grupos informais. Claro, tudo em inglês.
Tenho pena de não poder descrever a verdadeira essência da experiência que estou a viver. São tantas as personalidades e caracteres que me estão a marcar que é difícil destacar um. Definitivamente, viva a interculturalidade...
Boa notícia, o próximo projecto PASEC para 2009 vai acontecer com Itália.
Até amanhã...
2.10.2008
Testamento de um Vivo

Ouço as vozes do tempo
O repetir de um passado
A vida que ultrapassa os homens
Que destrói barreiras trespassa o sonho...
Neste momento, sou eu e o mundo
Sou eu para o mundo,
Um mundo de homens,
Um mundo de personagens...
A este fim que determino
Deixo ao tempo a palavra
A lei da minha lenda.
Ao meu espírito deixo a memória
Das personagens, dos tempos, dos exemplos.
No mito deposito a fúria,
A inconformidade de uma existência própria.
À minha personagem
Deixo o sonho e o sopro de cinzas de um real.
A ti alma,
Entrego o meu sarcófago milenar,
A arca do poder, o fogo e as asas do Dragão.
Nas estrelas
Deixo as linhas mal desenhadas do poema
O infinito do presente.
Deixo aos homens
O que resta deles
E o que lhes falta existir.
Para ti vulgaridade
Deixo o corpo cansado e inútil daquilo que sou.
Aos que vejo
Deixo tudo o quanto sou
E consigo ver.
No Cosmos
Deixo cair o horizonte
E deixo-me ir, sozinho
Rumo ao meu céu e ao meu inferno...
Assim reactivo o meu velho blog: Estados de Espírito

