6.22.2010

Dimensões Cósmicas


Parte das nossas vidas é passada a descobrir o que somos, outra a confirmar o que somos e o resto a perceber se não nos enganamos. Por entre dúvidas e a total ausência de auto-certezas procuramos no "divino suporte" ao caminho alheio a resposta à ausência de respostas que guardamos para nós.

No meio desta encruzilhada por vezes esquecemo-nos de olhar a nossa volta e perceber os caminhos que trilhamos, as pessoas que fizeram esses caminhos e a diferença que fizemos na vida deles e delas. De certeza que toda a imensidão que construímos não foi feia só de jardins de encantamento. Concerteza que os desfiladeiros e pântanos foram por vezes imensos e tortuosos, mas todos eles fizeram parte do processo de descoberta e confirmação do que somos, seja no "Éden ou no Némesis de nós mesmos". É por isso que quando nos achamos em digno nível de consciência devemos lembrar à aura que nos persegue e alimenta que por vezes é ridículo tentarmos perceber quem somos, é imperioso percebermos onde estamos.

Neste sentido, faz sentido perceber que nos últimos 3 anos tive o privilégio de influenciar positivamente pequenas dimensões de Cosmos.

Se a vida é "fazer caminho", espero no mínimo ter o privilégio de influenciar novas dimensões cósmicas... mas eu sei que o meu Némesis continua por aí....

2.24.2010

Oportunidades que não devemos desperdiçar...


A vida dá-nos oportunidades que soam a aviso...

Por vezes as marés trazem-nos a praias com que não contávamos, a momentos de relutância que nos fazem analisar todo o percurso que traçamos, ou pelo menos parte dele.

Nestas nesgas de terreno compreendê-mos alguns dos erros que cometemos não são apenas parte do percurso, são fantasmas que nos perseguem a quem não devemos renegar.

Neste momentos em que a vida nos passa à frente temos um manancial de opções abundante, mas duas sobressaem, ou compreendê-mos a oportunidade que tivemos e com ela evoluímos positivamente ou rezamos para que a sorte da não consequência ao erro se mantenha.

Optei por não optar por nenhum caminho na certeza que esta é mais uma oportunidade.... e como em todas as oportunidades.... tentarei tirar o máximo partido possível....

2.14.2010

O Leopardo das Neves...

O leopardo é símbolo de altivez, qualificação pela qual constitui o emblema tradicional de vários países. É também símbolo do caçador: o nome de Nemrod, caçador da mitologia da Mesopotâmia, é derivado de nimr, o termo semita para leopardo. Peles de leopardo foram freqüentemente usadas por guerreiros e sacerdotes de várias culturas, como símbolo de ferocidade de caçador ou de domínio sobre a natureza.

Na China, o leopardo é visto como animal hibernal, cujo aparecimento e desaparecimento está ligado ao ritmo da natureza e é símbolo de selvageria a ser domada: uma jovem bela, mas teimosa e violenta é apelidada de “pantera florida”. A cauda do leopardo é símbolo de distinção e é usada para adornar carruagens. Seu nome bao (=cruel, selvagem) é tabu na China Ocidental.

Segundo os bestiários medievais, a pantera é uma fera dócil que tem o dragão como único inimigo. É um animal belo e multicolorido. Depois que a pantera come, vai a uma caverna e dorme por três dias. Quando acorda, emite um rugido ruidoso e um hálito doce, de aroma semelhante ao pimenta-da-jamaica, que se espalha da sua boca. Qualquer animal que ouvir o rugido segue o aroma e chega à pantera. Só o dragão fica longe, escondendo-se num buraco por ter medo da pantera. A fêmea só pode dar à luz uma vez, porque o filhote rasga seu útero com as entranhas, ferindo a mãe de modo que não possa mais conceber.

Na heráldica, a pantera, representada com diversas cores (freqüentemente branca com pintas multicoloridas) costuma ser mostrada com chamas saindo da boca e orelhas; isto é chamado de “pantera incensada”. As chamas representam o aroma doce supostamente emitido pelo animal. O rei Henrique VI da Inglaterra e outros descendentes da casa de Lancaster usaram a pantera como seu emblema.

Já o leopardo – supostamente um animal diferente – era visto como símbolo do adultério, por ser supostamente o resultado do cruzamento de um leão com um “pardo” – um animal descrito como pintalgado, tido como extremamente ágil e capaz de matar com uma só patada. A presença do leopardo na heráldica geralmente indicava uma casa nobre originada de um filho bastardo.

É provável que a panthera ou pardus dos antigos gregos e romanos fosse na verdade o guepardo, que ao tomarem conhecimento do leopardo o tiveram erradamente como um cruzamento entre guepardo e leão, por ser de tamanho e características intermediárias entre os dois felinos. O próprio nome "leopardo" sugere um cruzamento de leo, leão, com um animal chamado pardus.

No século XVIII, o naturalista Buffon chamava o animal que hoje conhecemos como guepardo de "once" ou lonza. Hoje, esse nome é dado ao leopardo-das-neves (Panthera uncia ou Uncia uncia).

Na Idade Média, uncia ou luncia era o suposto híbrido de leopardo e leão, citado por Dante, no início da Divina Comédia, como símbolo de incontinência sexual e usado na heráldica por guerreiros famosos por algum estratagema. Era representada como um leão sem juba ou como um leopardo negro, às vezes, com manchas amarelas (ou seja, um leopardo "em negativo").

O leopardo das neves habita nas Montanhas com cobertura de estepes ou bosques de coníferas na Ásia Central, Himalaia, China e Mongólia, a altitudes de 1.800 m a 6.000 m

Massa média: macho: 50 kg (-3); fêmea 37 kg (-4½). Comprimento: macho 1,15 m, mais cauda de 1 m; fêmea 1 m, mais cauda de 85 cm. Altura: 60 cm. Força: macho +5½, fêmea +4½.

Conhecido em inglês como snow leopard ou ounce. Pelo espesso (3 cm a 5 cm), com patas largas, não ruge. De hábitos diurnos, caça íbex, carneiros selvagens, veados, gazelas, lebres, roedores, pássaros, porcos selvagens, filhotes de iaques e marmotas. Costumam perseguir furtivamente a presa e atacá-la de uma distância de 6 a 15 metros. Seus territórios são amplos, de 140 km² a 1.500 km². Há cerca de 5 mil em estado selvagem e 600 em zoológicos. Os filhotes nascem de abril a junho, em ninhadas de um a cinco.

1.03.2010

Personagens da selva dos nossos dias...


A vida é feita de momentos inesquecíveis ou em estranhos momentos, de uma série de acontecimentos marcantes que todos em "catadupa" tornaram uma determinada fase numa época de estranha "totalidade existencial".

Estes momentos valem o que valem, mas quando são regados com situações que marcarão a nossa vida nos anos mais próximos e partilhados com personagens incontornáveis tornam-se em momentos de lenda, pedaços e estilhaços de vida bem contados e sublimemente contornados na selva dos nossos dias.

A essas personagens ficam as histórias de um nobre jaguar, leal e cavalheiro que encontra nas suas próprias problemáticas a intensidade para se afirmar no mundo dos homens (... o estatuto de amigo assume a forma de cúmplice...); fica ainda a história de uma raposa tímida e astuta na arte de viver; fica também a história de um meteoro de contornos suaves e à procura do seu planeta milenar; fica a história de um falcão e de um panda que se assumem como legendas de um filme realizado na vivência do dia-a-dia.... e fico-me por aqui... espero encontrar mais personagens...

12.28.2009

Histórias de uma vida... quase Serena....







Por estes dias vislumbro Itália, dias de férias bem merecidos e catalogados com o sinal dos Deuses. Resumo aqui as letras que interessam partilhar como uma espécie de memorial de final de ano com mensagens pouco mais que interessantes:
- recordo que o nosso poder só é útil na medida em que os outros o tornam útil....
- relembro que o tempo é desculpa para a falta de sentido que persistismos em querer ter...
- penso e continuo a acreditar que é em grupo e na coesão grupal que construímos o que somos... o que conquistamos só faz sentido na partilha com o próximo...
Mensagens à parte, ficam as fotos de Itália.... memórias, sitios memoráveis, memoráveis anedotas e muito geocatching (procura de tesouros simbolicos por gps).

11.30.2009

Tormentos obtusos...


Nas últimas cinco semanas tive a oportunidade de revisitar a minha vida de modos estranhos, ridiculamente copiosos, e até trágicos.

Não foram momentos negativos, longe disso, foram dias de horizonte, de construção e demagogicamente perfeitos. Não os vou contar porque não tenho qualquer tipo de interesse em que um qualquer ser humano os entenda, só quero gritar e é por isso que recorro ao meu blog, afinal ele serve só para isso.

É interessante como quase ninguém nos conhece, é mesmo indecente o modo como nos escondemos na penumbra sem nos darmos conta da nossa própria sombra. Ao mesmo tempo é perfeito saber que também somos afirmativos, minimamente relevantes na vida de alguém e que o que "apelamos" não é tão vazio como o nosso vácuo existencial.

Sim, somos mesmo especiais e por entre estes tormentos obtusos é sempre bom relembrar que não nos enganamos na causa nem no refúgio que escolhemos. A vida é feita na "opção: decisão"e na Simbologia que escolhemos...

10.21.2009

Personagens...


Sempre procuramos idealizar a personagem perfeita que mais se ajustasse ao nosso pergaminho de sonhos, sempre procuramos inventar anjos da guarda que vindos do norte da península das almas nos salvavam da morte certa.

Como ser humano ridículo e temível que sou continuo à procura do minha vida perfeita, feita por esse conjunto de personagens que nos alimentam o ego, o espírito e a nossa própria existência.

Essa perfeição exige o lugar perfeito para viver, o espaço envolvente perfeito para coexistir, as pessoas perfeitas para juntar ao grupo perfeito com quem vamos falar, partilhar e aclamar a perfeição que acabamos de atingir. É tanta a perfeição que quando morremos percebemos que ela ainda anda por lá perdida, por entre tantas perfeições jamais ressarcidas.

Percebemos neste caminho pecaminoso que esta busca insana é feita de personagens, de "eus" constantes e abundantes na diversidade e no perigo eminente de se esquecerem que a simplicidade existencial é a mais difícil das ciências da sobrevivência humana, é uma especie de ciência social exacta e pouco humana.

Por isso continuemos nesta dicotomia de procurar a perfeição almejando a simplicidade, o talento e a certeza... de que nunca nos encontraremos...

10.02.2009

Animação SocioCultural e Protagonismo Juvenil



Foram muitos os acontecimentos que nos últimos 50 anos, de uma forma ou de outra, contribuíram para as grandes transformações sociais do nosso tempo.
O Maio de 1968 foi provavelmente, ao nível dos movimentos juvenis, o mais significativo, desencadeando uma verdadeira revolução de mentalidades que alastrou um pouco por todo o mundo, fazendo-se sentir ainda hoje enquanto matriz ideológica e política.
Os jovens foram colocados no centro do processo de transformação social, assumindo o seu protagonismo de forma espontânea em ruptura com um sistema ultrapassado.
Passados 40 anos, não é fácil definir a realidade juvenil dos nossos dias, não só pela sua riqueza, mas também pelo mosaico de comunidades juvenis que ela embarca, cada qual com códigos e rituais muito próprios.
De qualquer forma, é possível circunscrever algumas das características associadas aos jovens de hoje. Por um lado valorizam o seu tempo livre e o grupo de amigos, por outro, continuam a aparecer associados a processos de mudança. É a partir destas premissas que a Animação SocioCultural (ASC) emerge, enquanto conjunto de práticas sociais, que ganhando forma e conteúdo nos tempos livres dos jovens, lhes fornecem ferramentas para estes poderem operar processos de transformação social, nomeadamente, nos seus grupos de pertença.
E entre estes processos de transformação social que a ASC em Portugal ganha força, sobretudo a partir do 25 de Abril de 1974, embora já antes, tenham sido muitas as manifestações de inerentes às dinâmicas de ASC.
Definida pela UNESCO, citada por Ander-Egg, como “um conjunto de práticas sociais que têm como finalidade estimular a iniciativa, bem como a participação das comunidades no processo do seu próprio desenvolvimento e na dinâmica global da vida sócio-política em que estão integrados” (1999:77), a ASC surge como um projecto pedagógico de conscientização, participação e protagonismos das pessoas, dos grupos e das comunidades. Relembrando E. Grosjean e H. Ingberg, eles argumentam que o que distingue a ASC não é “o que «faz» senão «como faz», e a sua tarefa é situar-se no centro da realidade e mobilizar as energias da comunidade, de forma a que de espectador passivo se converta em protagonista. Daí que as palavras-chave da Animação sejam: animar, mover, suscitar” (1999:78).
A Animação Juvenil, aparece-nos, dentro deste quadro, como o âmbito da ASC em que se enquadram as comunidades juvenis, tendo um referencial próprio e ajustado ao seu público em concreto. Marcelino Sousa Lopes propõe como princípios essenciais inerentes às dinâmicas de ASC Juvenil os da liberdade, da promoção do associativismo, da participação e do voluntariado.
Perante os jovens e os grupos que estes integram, o Animador é o agente privilegiado de todo este enredo. Ele assume um papel de importância vital enquanto mobilizador e catalisador de vontades junto do público juvenil. É o mediador presente no contexto de origem, o incentivador das dinâmicas juvenis e o preconizador de processos de protagonismo juvenil. Neste percurso ele é: o orientador responsável de espaços informativos, sendo um agente privilegiado na disponibilização de muitos dos campos de oportunidade em que os jovens baseiam as suas escolhas; é um agente de vastos recursos técnicos, dominando várias áreas de especialidade; actua com propósitos e objectivos que sabe serem exequíveis, deixando de parte os bloqueios emocionais, entusiasmando e provocando os jovens; é um conhecedor e potenciador da vida em grupo e comunidade.
Ele é um dos actores da própria acção protagonista, assumindo a sua relação perante o grupo de forma natural, num percurso que tem como objectivo último a promoção do protagonismo juvenil, baseados em processos de participação.
Segundo Palacios, o conceito de participação baseia-se na possibilidade de “intervenção na tomada de decisões, e não somente como o estabelecimento de canais multidireccionais de comunicação e consulta. (...) A participação completa só acontece quando as decisões são tomadas pelas próprias pessoas que hão-de pô-las em acção”. (1994: 11)
Dito de outra forma, participar é a possibilidade de intervenção de pessoas ou grupos em processos de reflexão ou tomada de decisão que têm como fim a tentativa de resolução de problemas que as afectam directamente, ou então no sentido da persecução de desígnios comuns. É nesta premissa que assentam as bases do protagonismo juvenil.
Resultados do Projecto de Investigação “Nova Fórmula”
É dentro deste contexto que durante 2007 e 2008 desenvolvi um projecto de investigação em parceria com a Plataforma de Animadores SocioEducativos e Culturais, Agência para a Gestão do Programa Juventude em Acção e Universidade do Minho denominado “Nova Fórmula” no sentido de perceber o contributo do Animador SocioCultural, e assim da ASC, na promoção do protagonismo juvenil. Assim, importa agora estabelecer uma síntese das principais conclusões/resultados a que chegamos e que estiveram na base de uma proposta de modelo de promoção de processos de protagonismo juvenil.
A partir dos depoimentos recolhidos traçamos um perfil de Animador assente em três eixos fundamentais: o do animador agente social; o do animador agente mediador; e a do animador agente educativo.
Falámos de alguém que, movido por um ideal, combina em si a componente formativa e uma experiência de vida que o tornaram Animador de vocação e comprometido.
De qualquer forma, estes pressupostos nem sempre são colocados em prática, sendo que os Animadores apontam como maiores constrangimentos: a falta de reconhecimento social de que a função do Animador SocioCultural carece; a escassez de recursos disponíveis; a existência de práticas de animação baseadas na simples ocupação de tempos livres sem um plano pedagógico concreto e coerente; a postura pouco ética por parte de alguns animadores nas suas práticas diárias; a confusão que existe entre os pressupostos da ASC enquanto prática educativa e a Animação enquanto produção cultural.
Tendo como base os testemunhos dos entrevistados, constatamos que eles acreditam que um sistema de relações de uma estrutura grupal juvenil, influenciado por um processo próprio da ASC, encontra no Animador o seu pilar estrutural. Vêem-no como uma espécie de “placa giratória” por onde se cruzam, criam, terminam e recriam processos relacionais e todas as dinâmicas despoletadas a partir desse mesmo sistema.
Acreditam que este é um processo faseado passando por uma fase de aproximação ao grupo a que segue uma fase de maturação da estrutura grupal, onde o Animador se assume como pilar. Este percurso atinge o seu pico na fase vital do grupo, momento onde este surge perante os seus primeiros constrangimentos e dificuldades, onde é levado a tomar as suas primeiras decisões delicadas. É uma fase em que o Animador procurará ser o mais invisível possível, dando ao grupo o poder de decisão sobre as principais direcções a tomar.
Tendo presente que os processos de interacção grupal têm por base as relações que se estabelecem a partir do sistema grupal, a partir dos depoimentos recolhidos, chegamos à conclusão que estes condicionam, potenciam e redimensionam a participação e acção de um grupo. Identificámos dez factores relacionais base: o factor amizade, com base em laços afectivos; o duplo sentido das relações, resultantes de uma vontade orgânica e de uma vontade reflectida; a relação ambivalente entre Animador e elementos do grupo, que pode assumir posições de ruptura ou de estima; a relação positiva e satisfatória com base no compromisso como potenciadora de uma participação mais qualificada e positiva; as origens e contextos dos grupos; os tipos de liderança exercidos pelo Animador; o papel individual que cada um desempenha na estrutura grupal; a relação encarada como um percurso que exige da parte de todos os agentes envolvidos; persistência, nomeadamente do Animador; o próprio percurso de interacção que leva ao estabelecimento da relação, exigindo por parte do Animador a utilização de métodos inovadores e espaços de educação não formal no sentido de potenciar os elementos do grupo e servir de complemento aos espaços de educação formal; a transmissão recíproca de valores entre os jovens que integram o grupo e o Animador.
Sendo os factores relacionais estruturantes, a gestão dos processos de liderança não é menos relevante. Neste sentido, os entrevistados remetem-nos para uma gestão do processo de lideranças numa perspectiva democrática, não esquecendo, no entanto, que em determinados grupos existem várias lideranças e, dependendo dos contextos, podem ser usadas abordagens diferentes, mais ou menos directivas.
Já aqui referimos que a vida em grupo passa por várias fases, assim como a do Animador com o grupo, passando por um momento de aproximação, maturação e de acção concreta nos contextos em que o grupo opera. Segundo os entrevistados, se a vida em grupo não partir de um processo coerente, flexível, dando tempo para que os processos de coesão grupal se estabeleçam naturalmente, a promoção da acção protagonista poderá ser limitada, ou até mesmo, precipitada. Uma das Animadoras entrevistadas, Raquel Louro, partilhou que só é possível um processo de promoção de uma acção protagonista por parte do grupo, se houver tempo de amadurecimento suficiente para que isso possa suceder. O aspecto da longevidade permite que o grupo pense a sua acção de uma forma concertada e coerente, tentando dar resposta aos anseios e potencialidades individuais num plano mais amplo e integrador de todas as sensibilidades.
Outra das linhas mestras dos processos de promoção do protagonismo juvenil, a partir dos testemunhos recolhidos, é a análise dos grupos com base no seu potencial e não apenas nas suas carências. Os jovens procuram maximizar as suas qualidades, ampliar o seu raio de acção e não que lhes lembrem os seus défices e constrangimentos nos mais variados campos de oportunidade e actuação social. É aqui que emerge a metodologia da ASC, baseada no potencial humano e alicerçada no trabalho do Animador.
Segundo alguns entrevistados, um dos aspectos que mais contribuiu para o sucesso de um processo preconizador do protagonismo junto dos grupos juvenis é o facto de serem os próprios jovens a participarem da concretização e operacionalização dos objectivos e actividades que dizem respeito à estrutura grupal. Este alinhamento faz toda a diferença, porque para além de implicá-los, permite desenvolver nos elementos do grupo competências de organização, gestão e negociação.

9.23.2009

Humanos poetas...




Ocasionalmente
Somos actores em palco próprio,
Guerreiros da nossa própria batalha,
Narradores de uma vida real.
Usualmente
Somos mosqueteiros de desdita alheia,
Cavaleiros num torneio fora de fronteiras
Feiticeiros de milagres de outras parábolas.
Será por sermos poetas
Ou apenas porque em sermos humanos.
Infinitamente falando,
Acho que persistimos
Porque sonhamos como poetas
E tresandamos a humano.
Foi sempre mais épico
Pintar o quadro do último dos Descobrimentos
Do que acordar ocamente "eu".
Já não tento perceber o certo e o errado,
Já aniquilei a tentativa de entender e desvendar o meu ego,
Alimento a esperança do "eu",
Mas sinto, sentimos,
Mais conforto no "tu", no "vós",
Nos "eles",
Nesses estranhos que precisam do "nós"
Que sem "nós" só trevas
Que por causa do "nós" navegam na luz.
Acho que na nossa própria hipócrita existência,
Em raros momentos de vício
Percebemos a nossa própria epopeia,
Entendemos em que barco pernoitamos.
Mas poetas humanos que somos
Resgatamos o Ego,
Damos como certa a inocência dos astros
E invadimos o Cosmos da Insanidade.
Não importa se vamos atracar,
Importa menos se alguma vez saímos do porto de abrigo,
O que nos faz existir
É o facto de continuarmos perdidos........................

8.30.2009

A Cidade com um milhão de anos...

Era uma vez uma cidade perdida
Sem nome, sem horizontes,
Sem história, sem linha do tempo.
Perdida por entre lendas,
Contada secretamente nos murmúrios dos antigos,
Recalcada mas memórias astrais de Bruxos e Feiticeiros.
Diz-se que não tinha nome
Porque ao mesmo tempo tinha muitos nomes
Pronunciados e desenhados de milhares de formas.
Contava-se que não tinha horizonte
Porque jazia num vale
Ainda mais perdido que a própria cidade.
Dizia-se que não tinha história
Porque as histórias eram tantas
E nenhuma delas conhecia um fim.
Contavam que não tinha linha do tempo
Porque ninguém sabia
Se ela alguma vez havia existido.
Os Antigos e os Sagrados
Sussurravam por estes dias
Que uma conjugação de astros
Que se aglomeravam de um em um milhão de anos
Apontaria o único caminho visível
A única centelha de vislumbre
Da cidade à muito esquecida.
Um viajante que por ali passava,
No meio de desditas e ténuas palavras
Procurou perceber o afinal de tanta intriga
E por entre lendas e discórdias
Perceber se cidade havia
E que histórias e horizontes ela guardava.
Os antigos, os bruxos e feiticeiros
Contradiziam-se e anulavam-se.
O afinal de cada um
Era poesia alheia para o outro.
A certeza de cada olhar
Esbatia em espelhos de alma ausentes.
Só numa certeza os chacras de alinhavam,
A resposta estava no céu.
Ninguém sabia se de noite ou de dia
Apenas que o horizonte procurado
Estava no além das estrelas e do Sol.
O viajante fitou o céu
Dia e noite
Estrela por estrela
Aurora por aurora
Tempo e tempo afim e...
Nada...
Depois de infinitas existências e quase a desistir
Uma criança que ali passava
Perguntou ao viajante
Se havia visto o seu barco.
Como ali nem rio nem mar
Ele pensou que o pequeno
Havia perdido o seu brinquedo.
Negou que algo tivesse visto,
A criança insistiu,
Descreveu a grandiosidade da embarcação
Mas o viajante voltou a negar.
A criança insistindo
Pede a este que a auxilie na busca.
O viajante nega esse tempo
Ele procura um objectivo maior,
A cidade esquecida pelos homens.
O mundo envelheceu
O Homem persistiu
E o viajante continuou à procura no céu.
Um dia, quase às portas de outro além
Qual não foi o seu espanto,
No horizonte horizontal e vertical
Vislumbrou um barco de sonhos
Gigante e Imenso
Com a criança do passado distante ao leme.
Num adeus pintado de agreste,
Foi aí que o viajante percebeu
Que havia tido o privilégio de um milhão de anos
Mas que a sua alma cega lhe havia negado.
Percebeu que não tinha tido tempo
Para a sua falta de tempo,
Tempo que agora acabava...
Numa última oração
Não pedia mais tempo,
Só implorava que os que amava
Resistissem mais um milhão de anos...

8.21.2009

A vida num click...




Somos feitos de massa grossa,
De granito entranhado na mente
E de mármore puro cristalizado no coração dinamitante.

Somos restos de genialidade,
Televisões independentes sem intervalos comerciais.
Acreditamos que o plano que traçamos será,
Acreditamos que adiaremos o que não parece,
Até que... por entre a nossa massa rochosa,
Se abre a fenda do desvario humano,
Se desmorona a falésia em que construímos o nossa fronteira limite,
E percebemos a debilidade do plano que não será.

A estes Limbos chamamos de sofrimento,
Azar,
Falta de sorte,
Limitações,
Percalços e... tudo mais que a semântica permitir.
Até que.... e mais uma vez sem percebermos como...
A Web das nossas vidas reinicia o seu programa
E estamos de volta à nossa nau celeste
A navegar por entre sistemas operativos do plano que voltou a ser...
Não sei o que lhe chamar....
Sorte, desvario,
Persistência, acontecimento
Sinceramente, pouco importa.

Fica a certeza que apesar de todos os planos
A vida num click também é possível,
No bom, no mau
E no click que nos mata e ressuscita... a alma...

7.30.2009

Serenidade... Eternidade...




No tempo em que era tempo
Procurei na alma dos homens a sua inocência
A sua vontade de se perceberem...

Nesse tempo viajei para Eternidade,
Essa lenda a que todos apelidamos de refúgio
Esse local mágico em que todos queremos persistir.

Essa viagem pretendia ser curta e óbvia
Como todas as curtas viagens a que se atreve um ser humano.
Mal sabia eu que nem de uma viajem se trataria
Seria antes uma desdita de um homem longe do óbvio.

Como imaginam não fui capaz de chegar a Eternidade
E continuo sem perceber se a inocência continua a morar na alma dos homens
Mas perecebi nesta tentativa tentada
Que são os homens que se anulam a si próprios
Na desdita de não se aceitarem e de não aceitarem o próximo
Somos nós, reles existências no tempo da contemporânea modernidade.
Por estes dias revejo-me no refúgio de Da Vinci, Michelangelo e Garibaldi
E percebo que continuo sem perceber e que...
Continuarei eternamente na ignorância de uma Eternidade que não quero
Por estes dias basta-me... Serenidade...

7.12.2009

Apanhados pelo tempo que queremos controlar...

No ritmo dos dias perdemos a conta à quantidade de vezes que nos zangamos com o mundo em redor. Queremos controlar o tempo que é nosso e o que é dos outros... não permitir que o erro exista e que a nossa mente... serenamente... prevaleça.

Achamos que somos capazes de controlar o tempo, os verbos, os tempos verbais e a existência circular de um mundo com falta de tempo.

Infelizmente isso é impossível e para evitar "transtornos emocionais"... tratem-se...

Estar no meio dos putos na dose certa é uma óptima "terapia"... pelos menos para mim... se arranjar uma piscina... então podemos sempre regar que estamos de bem com a vida, água não faltará.

7.06.2009

Esquecer e Lembrar...

Quando caminhamos temos a tendência a esquecermos o caminho, ou pelo contrário a pensarmos demasiado nele. Não sei o que é pior, se deixarmos que o vazio e o esquecimento nos povoem ou lembrar-mo-nos demasiado do que somos e o que tentamos.

Por estes dias termina mais um ano lectivo, finalizamos os preparativos para os Campos de Férias de Agosto e aproveitamos os intervalos de tempo para descansar a alma.
Sempre que o tempo permite aproveito o Geocashing e a Natureza para viajar no "Cosmos da Perdição Humana" e pensar nos disparates que citei na primeira frase.
Continuo sem chegar a qualquer conclusão sobre as opções "esquecer" e "lembrar", só sei que continuarei no vulgarmente "continuar", continuando a esquecer e a lembrar a opção que é existir. Sim, porque podemos sempre suicidar-mo-nos, não me refiro ao suicídio físico, refiro-me antes ao "suicídio mental" que todos cometemos diariamente dando a imagem de "máquinas do nada e da opulência".

Como vos disse vou continuar, e espero eu que valha a pena... e nessa dúvida de continuar... vou fazer o sei melhor... "regar que posso mudar o mundo"... não todo, para já apenas o que me rodeia.
Só mais um pormenor, que fique aqui assente que não referi "mudar o mundo para melhor".

6.22.2009

Aliado do momento...


Somos todos partes de um mesmo tempo,
Procuramos a perfeição,
Procuramos a aceitação,
A atenção do próximo e do universo em redor,
Queremos ser o circo, o centro do próprio espectáculo,
A única personagem,
A história que algum contador celeste há-de contar...

Sentimos a necessidade de nos afirmarmos,
De controlarmos a nossa própria desdita,
O que se segue a nós,
E, se a perfeição permitir,
O que está para além de nós...
Somos aliados de nós próprios,
Porque jamais queremos estar perdidos,
E porque sempre querermos ser encontrados.
Dentro de toda esta tormenta.
Tememos os momentos em que não nos vamos ver no caminho,
Retardamos o nosso ser com a perspectiva de nos adiarmos.
Nestes momentos transcendemos o tempo do qual não podemos fugir
E reclinamos entre sentidos...

Afinal a desdita é simples,
Não somos perfeitos,
As certezas serão sempre incertas,
E mais do que aliados de nós próprios,
Somos aliados do momento
Do momento de glória,
De desespero, de lua,
De anseio, de Serenidade...
No que sobrar, é tudo mais no momento...
Em que sou.... Aliado do momento..

1.12.2009

Comunicar a Humanidade – Em que campo de batalha pretendo estar?


Comunicar é um acto universal, presente sob todas formas, enquadrado em todos os contextos. Comunicar assume-se como uma das funções essenciais do ser humano, não só como um imperativo de socialização, mas como ferramenta de construção conjunta, partilha de saber e “alimento da alma”.
Partindo do seu sentido etimológico a palavra "comunicação", derivada da palavra latina "communis", significa tornar comum.
Tendo como pano de fundo a evolução tecnológica dos últimos anos, bem como uma antecipação do que pode ser o futuro, somos levados a pensar que cada vez mais nos aproximamos do conceito de “aldeia global” de MacLuhan, no que à comunicação diz respeito. Considero, e podemos verificá-lo um pouco por toda a parte, que as grandes transformações de carácter social que têm vindo a acontecer entre os finais do passado século e início desta década, só são possíveis devido à existência de novos fenómenos comunicacionais como a Internet, a massificação dos telemóveis e computadores portáteis ou as novas plataformas digitais (Ex.: serviço de televisão, internet e telefone por cabo; redes sem fios, televisão em alta definição, entre outras).
Mas o que é afinal este processo tão essencial que designamos como comunicação?
Comunicar significa tornar comum, estabelecer comunhão e participar na comunidade através da troca de informações. Em todas as suas formas, comunicar envolve sempre um processo de transmissão e recuperação da informação, e onde quer que aconteça, tem quatro elementos básicos da praxe: emissor, receptor, canal e mensagem.
Comunicar ganhou contornos de arte e quem a domina as suas lides é uma espécie de novo poeta. Comunicar tornou-se numa “técnica de combate e de guerrilha”, utilizada como estratégia militar e política. Comunicar tornou-se tão óbvio como respirar que nos esquecemos de “como o fazer?”
Se há uns anos era um luxo ter acesso a um computador portátil, hoje estranhamos o simples facto de não o termos. Basta passarmos por uma qualquer secção de informática de um qualquer hipermercado para verificarmos que os “antigas caixotes” de pelo menos 5 kg, que exigiam ainda a compra de monitor, teclado e rato ainda lá estão, mas em muito menor número que os novíssimos, muito menos pesados e muito “mais em conta” computadores portáteis (em algumas situações, mais baratos, inclusive). Como se isto não bastasse, os programas governamentais “E-Escolas” e “Novas Oportuniadades”, mais que duplicou o número de portugueses com portátil com idade inferior a 20 anos, devendo este número quadruplicar até 2010 com quase 1 milhão de jovens portugueses com um portátil com acesso à Internet.
A própria Democracia tornou-se num processo interactivo (ok, concordo… não tão interactivo como isso…), feito ao minuto, com actualização de informação na hora através de todos os veículos possíveis. Uma intervenção de carácter político de um determinado partido tem resposta directa minutos após por parte do partido rival sem que, para tal, se tenham de encontrar.
O Zé, o Miguel, a Rita e a Sílvia falam, ou melhor, “teclam”, mas também podia ser “falar” (porque os programas informáticos de chat e interacção à muito que o permitem), durante horas sem terem que sair de casa.
Vou ao café, recebo um “sms” do Bernardo para ir ao meu mail e no mesmo instante (sem ser através do telemóvel) “saco” do meu mini (mini) portátil (vulgarmente conhecidos como “notebook’s”), abro a o email, descarrego o documento que me foi enviado, faço as alterações que entendi e reenvio. Pelo meio revi as notícias na internet, escutei a minha música favorita e organizei o arquivo de fotos que tirei a semana passada no Gerês. Tudo isto no café, sem ter de ir ao “caixote de 5 kg” perdido lá por casa. Mas como o fiz no café, também o podia ter feito na casa de qualquer amigo, são as maravilhas da internet sem fios e dos notebooks.
Sei que não estou a contar nenhuma novidade, já todos sabemos que é assim e não é novidade para ninguém que este processo só vai acelerar. E no meio desta tempestade cabe a cada um de nós escolher o seu próprio campo de batalha.
As novas formas de comunicação não são boas nem más, são o que fazemos delas. Elas ganharam forma com a intenção de servir o Homem, de lhe facilitar a sua existência e o elevar a outro nível. Por estes dias citava um grande amigo meu, o Animador italiano Stefano Bottelli relativamente a uma realidade adjacente a esta, a do Protagonismo Juvenil: “…o nosso trabalho (o dos animadores juvenis) torna-se importante quando percebes o que um jovem pode fazer com o teu poder e não o que o teu poder pode fazer a um jovem...”. Com as novas formas de comunicação, penso que é um pouco do mesmo, elas tornam-se importantes quando percebes o que podes fazer com elas e não o que elas te podem fazer.
Seria mais fácil estabelecer um discurso redutor e sisudo, enumerando os demais malefícios preconizados pelos novos fenómenos comunicacionais, mas limito-me, mais uma vez, ao real significado da Comunicação: “tornar comum; estabelecer comunhão; participar na comunidade através da troca de informações.”
Resumindo, comunicar é ser humano e tudo que a possa facilitar será sempre bem-vindo, cabe-nos a nós comunicar o mais “humanamente” possível sem perder o sentido do tempo, da presença, do que realmente somos e para onde estamos e queremos caminhar. Comunicar é um processo conjunto, um poema de sempre que permitiu dar forma ao que chamamos de “Humanidade”. Mesmo sendo um exercício complexo cabe a cada um, no seu processo de “Revisão de Vida”, simplificá-lo, dar-lhe substância, estabelecendo as suas próprias regras no seio do grupo em que está integrado (família, grupos de amigos, emprego, etc), não caindo no facilitismo de o ignorar ou na nostalgia de o fazer retroceder.

12.15.2008

O legado de um guerreiro...

Antes que a neblina cede-se
Que o mar se deixa-se ir
E que as estrelas voltassem,
O Guerreiro alimentou o espírito,
Guardou a espada
E buscou mais uma tentativa de regresso.
Não é que ele não quisesse ali estar,
Mas o seu intuito e presença antecipavam outra direcção.
A sua consciência não o orientava,
Mas isso não era importante,
O relevante era ter a certeza de onde deveria estar.

A neblina cedeu,
O mar deixou-se ir
E as estrelas voltaram.
O nobre soldado fez-se vivo e partiu
Sem que a sua natureza o desvendasse
Uma estranha criatura seguia-o
Algo de um rosto desfigurado,
Presença incómoda
E corporalmente invisível aos olhos.
O Guerreiro sentia-se ameaçado,
Talvez até desorientado e vago,
Nada que fizesse recair a sua desmedida coragem
Sentia-se parcialmente perseguido,
Mas o seu legado estava presente demais para ceder.

Os dias completavam-se uns nos outros,
As verdades escoavam-se,
O herói personificado ousava continuar.
Naquele dia ele conheceu uma Bruxa,
Esta contava-lhe que em tempos foi fada
E se hoje assim o era
A causa estava num envelhecimento encantado que lhe haviam destinado.
O Guerreiro perguntou-lhe
Se poderes não tinha para operar a mudança
Esta responde que só para os outros, nunca para ela,
Para ela só outra de uma mesma vida.
O Guerreiro ofereceu-se para desmistificar este encantamento encantado,
Mas a Bruxa não aceitou,
Profetizou-lhe que outras glórias não podiam esperar
E que estranhas presenças não o podiam parar.
O Guerreiro promete continuar,
Desde que a vulnerável Bruxa o acompanhasse,
Para juntos encararem a diferença.
A estranha presença de face desfigurada continuou a segui-los.

Alguns dias mais, o Guerreiro conheceu um Órfão,
Os seus pais haviam partido em viagem eterna,
Porque a verdade haviam revelado.
O pequeno era o que restava de um dado sonho
Que agora fugia da vulgaridade.
O Guerreiro convidou-o a acompanhá-lo
A criança pensou em breves consciências
E perguntou porque haveria de o acompanhar,
O suposto herói argumentou que também ele,
Também ele queria viver o sonho,
Também ele o procurava por entre tudo e nada.
A invisível presença continuava no seu encalço.

Algumas luas após,
Avistaram uma cidade perdida,
Profundamente perdida por entre vazios.
Um Velho Soldado acenou-lhes,
O Guerreiro pôs-se em guarda,
O homem vinha em paz.
Era o último guardião da cidade perdida,
Era o último sonhador daquelas paragens,
O único que acreditava num regresso.
Mais uma vez, o Guerreiro, convidou-o a seguir com eles.
Com os olhos na face do homem,
Segredou-lhe que juntos regressariam ao sonho.
Aquela estranha e incómoda presença não os largava.

Passaram dias, meses, séculos,
Quem sabe, milénios.
Estes quatro peregrinos continuam a sua busca,
Continuam a tentar encontrar,
Continuam a tentar regressar,
A estarem de novo presentes,
A estarem de novo presentes em vida e espírito.
E esta desfigurada presença,
Incomoda e corporalmente invisível que sou
Continua a persegui-los
E em cada nova caminhada
Eles encontram alguém novo que se lhes junta,
Encontram alguém novo que também ambiciona sonhar,
Alguém desesperadamente à procura de conquista.
Por entre céus e infernos
E em todas as realidades
Eu irei também lá estar,
E aposto que também cada um de nós,
Porque duvido que estejam mortos
Porque duvido que não queiram ser vida.
Porque sei, tenho a certeza,
Que o Guerreiro, a Bruxa, o Órfão e o Velho
Irão viver o seu sonho...
E eu o meu...

10.29.2008

"Animação SocioCultural e Protagonismo Juvenil"


Termino e começo a 5 de Novembro mais um recanto da minha "quase intensa" vida... Acabei por estes dias a minha terceira obra "Animação SocioCultural e Protagonismo Juvenil"... apresentá-la-ei dia 5 Nov., ou se me estiverem a ler depois, apresenteia dia 5 Nov. Partilho convosco as duas ultimas páginas do "encantamento", que embora muito próprio, continua a ser o meu... "Animação SocioCultural".

"Partindo agora de uma perspectiva mais pessoal, deixo aqui algumas considerações para o futuro, numa perspectiva de orientação para a acção.

Esta será sempre uma obra inacabada sujeita a reparos e a novos contributos. Foi sobretudo pensada na perspectiva de que qualquer jovem que inicia o seu processo de formação profissional no sentido de se tornar um Animador, seja capaz de a ler e compreender, utilizando-a como mais um instrumento de reflexão e actuação.

Não escondo que o campo do Protagonismo Juvenil é a minha área de actuação privilegiada desde que sou Animador. Está na base da construção da minha identidade profissional, alicerçada num conjunto de vivências ligadas ao Associativismo Juvenil, sobretudo em movimentos da Acção Católica como o MAAC e JOC.

Ao longo do meu percurso, vi e vejo o Animador como um promotor privilegiado do Protagonismo Juvenil. Neste caminho ele é alguém, que assumindo igualmente o seu protagonismo, vai construindo a sua identidade todos os dias.
Com a maturidade o Animador vai apurando os seus sentidos, desenvolve a sua técnica e ética e constrói a sua linha de orientação. Mas este percurso está sempre associado a uma sistemática experimentação. A sua vida é uma espécie de ‘Laboratório Social’, de constantes experiências falhadas e bem sucedidas, mas tendo como terreno, como contexto, o real.
O Animador adensa-se e qualifica-se na realidade de todos os dias. A sua formação técnica serve de ‘mala de ferramentas’, pois ele não é Animador, ele ‘torna-se Animador’ quando envolvido no meio social, tendo presente as potencialidades e limitações do mesmo. Este é um processo de formação contínua e constante actualização. Ele próprio sentirá essa necessidade de aprofundar o ‘que já é’, porque o meio que opera está em constante derivação e progressiva mudança social.
Idealmente, o Animador deve trabalhar numa equipa multidisciplinar (também ele deve ter o seu grupo de pares), com competências técnicas e sociais bem definidas, que lhe permitam analisar as suas opções e actuações. Não sendo possível, deve pausar a sua intervenção para reflectir a sua acção com outros técnicos, de preferência de áreas diversas, que possam com a sua experiência no terreno ajudar a clarificar ‘as opções de caminho’ que naturalmente o Animador fará.
É a partir deste referencial vivido que o Animador se torna protagonista dele próprio, fortalecendo e dando forma ao seu papel de promotor do protagonismo juvenil.
Futuramente, penso ser importante colocar o modelo que propomos em discussão, perceber os seus pontos fortes, as sua debilidades e a evolução que a partir daí deveria preconizar. Mas esta discussão não deveria apenas ser feita a partir dos Animadores, é relevante que seja feita pelos próprios jovens, no seio dos seus grupos.
Fico a pensar quantos de nós, ligados às dinâmicas de ASC desde sempre, o considerarão desajustado ou mesmo, obsoleto. É legítimo, ele não pretende ser universal, pretende antes relevar uma perspectiva que considera os grupos juvenis a partir do seu potencial revelado e não a partir de uma qualquer análise de necessidades com fundamentos estatísticos. Seria interessante promover, pela primeira vez no nosso país, uma espécie de Feira do Protagonismo Juvenil, onde partindo de dinâmicas de Educação não Formal, para além da partilha de vivências e experiências, se pudesse equacionar a aplicabilidade e utilidade do modelo proposto.
O trabalho do Animador com jovens só é realmente importante, na minha perspectiva, quando na sua acção, o Animador “existindo”, permite que os outros “também existam” num protagonismo partilhado e arquitectado por todos, mesmo com diferentes níveis de envolvimento. A este respeito, termino com as sábias palavras de um amigo italiano, o animador Stefano Bottelli: “…o nosso trabalho torna-se importante quando percebes o que um jovem pode fazer com o teu poder e não o que o teu poder pode fazer a um jovem...”. "

6.16.2008

Animação SocioCultural e as transformações sociais


Se no capítulo da sociedade da informação as mudanças são mais que evidentes, no que concerne à sociedade política, o cidadão comum continua sem a perceber, embora tenha melhorado, substancialmente, o seu vocabulário: palavras como défice, reforma, taxa, entre outras, são hoje mais banais, mas perderam o seu significado inicial.

O défice deixou de ser social e passou a ser estrutural, a reforma já não é mais um direito do qual usufruiríamos naturalmente após o final da nossa vida activa e passou a ter um conjunto vasto e múltiplo de significados como são a reforma fiscal, a reforma da Segurança Social, a reforma do Estado, a reforma da... reforma que alguém já tinha reformado. Por fim a taxa, significava em tempos natalidade, mortalidade, insucesso escolar, entre outros. Hoje temos as “não menos poderosas” taxas de juro, menos humanas, mas muito mais complexas e com uma vida muito própria.

É nesta sociedade de significados amplos, relativos que damos forma aos “novos reais”, de tudo e de todos, mas... por quem? E com que significado?
A palavra sociedade tem o seu berço no Latim societas, que significava "associação conciliadora com outros". A palavra societas é resultante de socius, que significa "companheiro".
Do ponto de vista da Sociologia uma sociedade é o conjunto de pessoas que partilham uma mesma identidade, ideal, objectivos e tradições, interagindo entre si constituindo uma comunidade. Na perspectiva da Biologia, sociedade é um conjunto de animais que vivem agrupados e que de alguma forma se organizam, dividem tarefas, fazendo o seu processo de sobrevivência depender desse mesmo ónus orgânico.

Partindo destas directrizes, qual é afinal a sociedade das pessoas que interagem entre si, das pessoas que partilham ideais, objectivos... qual é a sua sociedade? Qual o seu real significado?
Ao ler o jornal desportivo de todos os dias (Diário Record de 25 de Fevereiro de 2008), na rubrica «Fora de Campo», a sociedade desportiva resume assim o Portugal da sociedade das pessoas:

“Portugal é um dos oito países da União Europeia onde se registam os níveis mais elevados de pobreza nas crianças.

Segundo um relatório da Comissão Europeia sobre a protecção e inclusão social – apresentado hoje e que deverá ser adoptado na próxima sexta-feira pelo Conselho de Ministros do Emprego e Segurança Social, em Portugal há mais de 20 por cento de crianças (ou seja, uma em cada cinco) expostas ao risco de pobreza. Situação que abrange tanto os menores que vivem com adultos que não têm trabalho como crianças que vivem em lares onde não há desemprego.O relatório divide os países em quatro grupos, consoante os resultados nacionais em cada um dos sectores em análise: desemprego, pobreza dos trabalhadores e insuficiência da assistência social.Portugal integra o grupo D – países onde se registam níveis relativamente altos de pobreza nas crianças, extremamente elevados em trabalhadores e uma fraca assistência social – tal como a Espanha, Grécia, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo e Polónia.

Em situação completamente oposta, ou seja no grupo A, estão a Áustria, Chipre, Dinamarca, Finlândia, Eslovénia, Holanda e Suécia. Este relatório exclui a Bulgária e a Roménia, os últimos países a aderir à UE.” (2008).
Os diários desportivos são para mim uma fonte de distracção e abstracção do real, estranho que também neste espaço eu já “não me possa esconder”. Naquele momento o último resultado positivo da minha equipa de eleição e a óptima exibição do meu jogador preferido já não me varriam a mente.

Por esta altura, entramos na ‘velha reflexão’ das soluções a encontrar para uma sociedade que se quer mais ‘social’.

Entre um vasto leque de opções que a criatividade humana permitiu criar surgem as Tecnologias Sociais, emergentes das Ciências Sociais. Entre elas, a Animação SocioCultural.

A Animação SocioCultural veio responder aos desígnios de uma sociedade em mudança, que não se quer fechada sobre si própria, que pretende desencadear processos de capacitação das pessoas para o exercício da cidadania, pressupondo uma concepção de comunidade em que as pessoas são reconhecidas como actores e autores da sua própria condição humana.
José Maria Quintana defendia que “ a Animação é a resposta que melhor se adapta aos desafios provenientes das grandes mudanças produzidas na nossa sociedade; resposta que quer em vez de adaptação às mudanças, permitir, ao mesmo tempo, resistir ou impor-lhe orientações.”(1999: 70), por sua vez P Waisgerberg interpretou a ASC com uma acção “ tendente a criar o dinamismo social onde não existe, ou que vem favorecer a acção cultural e comunitária, orientando as suas actividades para mudança social.”. (1999: 73).

A ASC veio responder à constante necessidade de mudança sentida pelas pessoas, permitiu-lhes trilhar sentidos de orientação, estabelecer rotas comuns de acção e emancipação sem por de parte que a sociedade humana será sempre um quadro inacabado, com tons diferentes e descolorações continuas. Como afirmou Francis Jeason, a ASC “ inscreve-se no quadro de uma emancipação colectiva (...) Sem embargo, apresenta dificuldades para ser claramente definida devido à sua riqueza e diversidade. A ASC consiste, essencialmente, em oferecer possibilidades de cultura ao mais amplo sector possível da vida cidadã...” (1999: 75).

5.06.2008

Homenagem aos presentes...


Quando olhamos no distante percebemos o que realmente importa... parece simplista?... talvez não...