2.02.2011

Diários de Kayseri, 2ª Serie - Parte III - "Perdidos na Noite Subterrânea"





Dia 2 de Fevereiro, a dor de dentes continua a ser generosa nas dores que dá e nos momentos que vai cativando. Hoje é o primeiro dia de competição. Sei que ainda não tinha contado, mas este projecto é uma espécie de competição internacional de jogos tradicionais. Então vamos por partes.

Eu sei que disse que iamos por partes mas vou falar sobretudo da manhã. Para quem aprecia as extraordinárias surpresas que a natureza humana milenar nos guarda este foi, no mínimo, uma manhã doutrinária: Primeiro fomos visitar uma antiga casa otomana (império que existiu antes da Turquia), até aqui bonito, mas nada de mais; Seguidamente "invadimos" uma antiga igreja cristã transformada em Mesquita, agora sim, tinhamos algo para ver, para tentar perceber e deixar divagar o espírito. Aproveitei para parar e realizar um pouco de "profana introspecção", para quem não entende  meias palavras, rezei,  acto que recapitulo sempre que volto a uma Mesquita; Por fim o Mundo (e refiro-me aos amigos turcos) foi generoso e fomos visitar uma Cidade Subterrânea perto de Talas contruída por Cristãos para fugirem à perseguição romana à 1500 anos atrás aproximadamente e agora... tinhamos aventura. Capacete na cabeça, botas com os cordões devidamente atados e siga em frente... caminhos mais estreitos que meia porta com uma altura a rondar os 1,40 metros, perfeito para treinar as dores de coluna mas vamos lá para... kilómetros de túneis!!!... para entenderem o quão complicado o trajecto era, se um de nós se sentisse mal e por acaso fosse no início da fila todos teriam de voltar para trás porque era impossível ultrapassar. O ar começava a faltar mas o que estava para vir valia a pena. Vimos uma especie de lago subterrâneo onde os antigos cristãos se abasteciam de água para todas as suas necessidades, uma antiga adega, um templo de oração e pequenos compartimentos onde se pensa que pernoitavam. Ufa, terminamos o percurso, as dores de dentes deram lugar às dores de costas e de cabeça mas o "Mundo" valeu a pena. Transportando-me para 1500 anos atrás, não deixa de ser enigmático imaginar como é que aqueles homens ergueram aquela estrutura que desafia o sentido humano.

Seguiu-se o almoço e pela tarde começamos a competição... para não variar... portugueses ao poder... vencemos praticamente todos os jogos... esta tarde organizados e dinamizados pelos lituanos. Amanhã é a nossa vez de organizar. No fim fomos fazer compras para Kayseri na companhia do grupo e perdermo-nos em negociatas à portuguesa... o que não lhes podes comprar, leva-lhes de borla (não me peçam para explicar esta parte).

O dia foi intenso e há partes de que não falo porque não tinha espaço neste blog....e refiro-me às conversas, às peripécias, aos novos amigos e às novas cumplincidades.... se o mundo de amanhã for metade deste já me dava por satisfeito...

Diários de Kayseri, 2ª Serie - Parte II - "O dia da Fada dos Dentes"



Dizem que a fada dos dentes deixa ficar uma moeda sempre que escondemos um dente debaixo do travesseiro. Longe de me ter acontecido algo de semelhante no dia de hoje (terça-feira, dia 1 de Fevereiro), digamos que a minha dor de dentes deu lugar a uma serie de surpresas pelas quais não esperava.

A neve está farta e a temperatura faz abanar os pilares da estrutura humana (-10º). Pela manhã realizamos uma série de dinâmicas de grupo para averiguar as expectativas do grupo, os sentimentos do momento e sobretudo para nos darmos a conhecer. No final da manhã fomos recebidos pelo Presidente da Câmara de Talas (cidade próxima de Kayseri) que nos presentiou com algumas oferendas (digasse de passagem que fomos muito bem recebidos, senti-me Chefe de Estado por 10 segundos). A tarde foi sobretudo para estar em grupo, energia que mantivemos durante e após o jantar. E acrescentesse que por aqui os jantares são momentos mais intensos que o habitual face à farta alegria e interacção entre todos.

Somos Lituanos, Romenos, Portugueses, Turcos e Polacos e apesar das barreiras da língua o ambiente é impróprio para "amuados". Digamos que a Fada dos Dentes em troca pelo meu "sofrimento diário" me presenteou com doses maciças de intensa descoberta intercultural. E quem diria que a grande descoberta seriam as portuguesas que viajaram comigo por entre jogos de cartas, conversas absurdas, gargalhadas idioticamente pronunciadas, negociatas nocturnas e momentos impronunciáveis e pedagogicamente instáveis... não as vou elogiar muito porque elas acabarão por ler isto... e autoestimas elevadas ficam para histórias vindouras... chega o dia 3 nas próximas horas...

Diários de Kayseri, 2ª Serie - Parte I - "O regresso dos Cavaleiros das Estrelas"

Foram 18 horas a viajar, quatro aeroportos diferentes, uma maratona de "Checkpoints" e uma arreliadora dor de dentes que não me larga. Deixo em casa a ansiedade de voltar e regresso a Kayseri depois do Dia das Neves Eternas.

O dia de hoje não tem muito para contar, foi sobretudo um dia de retorno ao baú das memórias a rever episódios dos "Cavaleiros das Estrelas" que tenho no computador. Para quem não conhece esta série dos anos oitenta, na sua versão original apelidada de "Saber Rider and the Star Sherifs", falamos de um conjunto de quatro guerreiros interestelares que viajam pelo espaço para proteger toda a Nova Fronteira (todo o universo conhecida) dos temíveis Salteadores liderados por Némesis. O argumento sem ser original e longe de ser brilhante influenciou de uma forma "esmagadora" todas as series de animação de ficção cientifica que se lhe seguiram até inicios do ano 2000.

Mas passando à frente introduções, o que verdadeiramente me prendia à televisão era um grupo de quatro cavaleiros, o seu sentido de equipa, os valores porque se regiam e a "obsessão infantil" de ser como eles e fazer parte de todo aquele circo de emoções irrealistas. A verdade é que passados vinte anos, continuo a ver as equipas com que trabalho da mesma forma e paixão... mais do que me ensinar algo... os Cavaleiros das Estrelas foram a minha primeira inspiração desmedida..... dia 2 a caminho....

1.09.2011

Diários de Kayseri, Parte III - "O dia das neves eternas..."

Dia 3... pela manhã discutimos os detalhes do projecto que nos trouxe por cá e preparamo-nos para uma visita ao Museu da cidade. Quando pensamos em museus, pensamos numa estrutura antiga ou pelo menos convencional, o Museu do município de Kayseri é uma especie de base da NASA, com uma configuração a convidar a nossa imaginação a contar os segundos para a partida do próximo foguetão... para quê palavras, fica a imagem...
A hora de almoço e o período da tarde foi um daqueles dias que ficarão para sempre na memória de quem procura ser "esmagado pela própria realidade", percebendo os recantos, as histórias e os detalhes da terra que nos acolhe. Este foi um desses dias esmagadores, que nos ultrapassa pela simplicidade e surpresa com que surgiu.

O Mustapha, amigo turco, decidiu levar-nos a almoçar para a sua casa perto junto ao lago. Até aqui nada de novo. O que não sabiamos é que nos esperava uma viagem sem ponto de comparação nas nossas ainda curtas vidas. Uma estrada em alcatrão meio solto indicava a direcção das montanhas (estamos a falar de mais de 3000 metros de altitude)... de repente o alcatrão dá lugar a uma caminho de terra e neve e continuamos a subir... entretanto o terreno estabiliza e o que vemos é um longinquo castelo no meio de quilometros de neve a perder de vista... o suposto medo de declive por entre as montanhas brancas dá lugar ao espanto... sempre quis ver os Himalaias, estar no topo do mundo, e sem entrar em comparações banais, a paisagem que vi assemelham-se ao "esmagamento que a tv nos transmite" das montanhas das neves eternas.

Andamos pelo menos 20 km por esta especie de caminho sem que qualquer outro transporte passasse por nós até que no meio de nada  havistamos um enorme lago, criado a partir de uma barragem, uma aldeia abandonada no horizonte, deixada ao abandono depois da enchente da barragem e uma casa num dos topos... este era o nosso ponto de paragem... o resto é parar e ver o mundo, o silêncio que nos atormenta, o desligar de um quotidiano que por vezes é apenas mais um verso de um poema que adormecemos...



 
A imagem das montanhas das eternas neves tendo o grande lago como confidente foi o retrato de antologia que precisavamos para a nossa refeição selvagem com grelhados, legumes frescos e pão à mistura. Acabamos de almoçar quase na hora de jantar, regressamos já em plena noite sem antes pararmos para admirarmos o Sol a pernoitar... a convidarmos a voltarmos na próxima lua... dia 4... o regresso a casa aproximasse...

1.08.2011

Diários de Kayseri, Parte II - "Chá e histórias mil..."

Kayseri revelou-se uma surpresa total. Sendo uma cidade essencialmente comercial rodeada por montanhas (nesta altura do ano cheias de neve) é extremamente actual e mais desenvolvida que a maior parte das cidades portuguesas, desde Metro de superficie, escolas com "smart boards", ruas praticamente limpas por toda a parte, uma população cosmopolita, e acima de tudo não vemos uma única loja vazia, todas têm vida própria. Até o castelo românico com milhares de anos foi transformado num Bazar (centro comercial turco) gigante onde tudo se pode comprar. Para perceberem imaginem o Castelo de Guimarães só com lojas no seu interior onde, entre outras coisas, podem comprar um televisor, uma máquina de barbear, uma mangueira, roupa... escolham... pode parecer rídiculo mas é assim mesmo (quanto a valores patrimoniais e culturais postos em causa não me pronuncia porque na Turquia, sê Turco)...

Cada rua conta uma história diferente, mas sempre com intensidade, cada compra que fazemos é um peditório a tentar arranjar o melhor negócio, cada refeição é feita em forma de ritual e com requinte... o café é servido numa especie de involcruo metálico a imitar prata para se preservar quente, o chá é uma especie de "coca-cola" local, servido a cada meia hora, mas com a classe de quem dá o melhor que pode e tem e exagera para que estejas sempre bem e cómodo.... só e pena não pescar nada de turco e eles muito pouco de inglês e só agora terem percebido que também existe o português, mas querem ficar de boca-aberta.... vai lá, eu espero, abram a boca............ eles falam japonês e russo... poucos mas... português só o inglês mal pronunciado do Cristiano Ronaldo.

Foi um dia que pareceu uma semana pela quantidade e universalidade que vivi hoje, quanto à qualidade gosto sempre de guardar a avaliação para o último dia... seguem-se algumas fotos do dia 2, venha o 3...

 



Diários de Kayseri, Parte I - "12 horas de caminho até dia 2"

Porto, 4h30 da manhã, hora portuguesa... Frankfurt, 10h30 da manhã, hora alemã... Istambul, 18h25, hora turca.... 20h00, finalmente Kayseri já em plena Ásia, embora o que me traga por cá sejam assuntos europeus.
Feitas as contas foram doze horas (tendo em conta a diferença horária) a procurar tomadas em aeroportos para poder adiantar trabalho com o portátil e três aviões depois, finalmente cheguei à minha casa para os próximos dias... à espera, Metin, o amigo turco que nos recebe. Levou-nos para o Hotel, que para bem dos meus pecados é bem confortável e por fim fomos jantar o famoso Kbab. Conversamos imenso e é hora de ir descansar... pelo meio, antes do ensonamento, faço um click em Portugal... arranjo mais um nome e ideias para mais um projecto... e faço brainstorming nos meus sonhos...
 Dia dois, manhã a nevar e uma cidade de branco pronta para nos receber...

12.26.2010

A Irmandade dos Símbolos...

Nesta época fica bem desejar um bom Natal, eu não critico, muito pelo contrário, mas como este já passou, aqui fica um óptimo pós natal e um normal ano novo, só para não repetir o que todos dizem. É para ser diferente... é.... pelo menos é para tentar...

Sem perder mais tempo com o circunstancial, hoje pretendo fazer um exercício de revelação, seja lá o que isso for. Durante toda a nossa vida, nomeadamente até aos 30 (não tenho mais experiência para poder averbar hipóteses mais ousadas!!!) sonhamos com aquela missão especial, onde por designação sagrada teremos a hipótese de seleccionar aquele equipa de guerreiros intemporais que nos acompanharão na última das sagas, no último dos legados, tipo trilogia do Senhor dos Anéis, mas à nosso maneira. Nós como não podia deixar de ser somos o "Chosen One", o Escolhido, aquele de quem depende o futuro da moribunda humanidade.

Irrealidades à parte, de tempos a tempos, com um pouco de sorte e com atenção, temos todos pequenas grandes tarefas que nos colocam nesta épica posição. Hoje gostaria de falar de alguns destes guerreiros intemporais que me acompanharam em alguns destes nobres desafios. Como me vou esquecer de muita gente tive de escolher um critério, no mínimo tinham de ser "companheiros de taberna" com mais de três anos de caminhada. E desta feita vou citar nomes:
- a Daniela é quem me atura à quase uma década, embora não fazendo parte da equipa, ela é o meu tempo, e sem esse tempo nunca haveria equipa...
- a Marta acompanha-me à década e meia e incumbiu-me de a incumbir a existir, membro essencial da equipa na gestão dos equilíbrios pela maturidade e pela certeza de relação recíproca...
- o Nuno é o mais antigo nesta demanda... transpira o protótipo do ser imune ao oportunismo e raro nos valores humanos, disponível para o incrivelmente desapropriado e sem hora marcada... precisamos de outros lunáticos como nós... e talvez um bocadinho melhores...
- a Elisabete, Furão de símbolo, passou de uma espécie de aprendiz a amiga de caminhada e líder na coesão que nos une no passado, presente e futuro próximo... se isto fosse o uma história épica (que é!!!) , ela surgiria como a aprendiz de feiticeiro que um dia faria de outros seus aprendizes...
- a Bruna é o elemento mais surpreendente desta equipa de elite porque acabou por entrar por coincidência mas sem pedir licença... passo por passo, conquistando o coração de cada um... sendo em cada momento, e por cada momento, filha, irmã, mãe e uma pantera nebulosa...
- a Susana, agrediu-se na sua própria sabedoria (pensamos nós)... mas não... revelou-se um oceano de emoções onde habitam as mais nobres histórias de apelo à humanidade escondida. É o chão de muita gente (no bom sentido...) e é quem prepara a bebida do guerreiro nas conversas à volta da fogueira depois de mais uma batalha vencida...
- o Luís continua a subir e a saltar de árvore em árvore como um jaguar, sempre presente numa espécie de aventura "salteadores da ara perdida"...
- o Bernardo, ausente e presente, é como todos os gatos da noite, surgem de dia por escolha própria ou divina...

Outros estão nesta equipa, mas o espaço já não permite mais e critério era mais de três anos. A todos os que esqueci, perdoem-me. Fica mais uma palavra para os jovens Cavaleiros que começaram a sua aventura à mais de oito anos... não falei deles porque a nossa aventura é outra...
Esta não é uma equipa maravilha, muito menos um grupo de amigos... é uma irmandade que se une em torno de objectivos, momentos e desafios simbólicos.

12.09.2010

Diários da Neve IV... De Cinquencento até à próxima paragem...

E como tudo o que é bom acaba depressa, a minha viagem tinha que chegar a mais um epílogo... toi o meu último dia em Cassano (Itália), em casa do Stefano... foi um dia para descansar, conversar... mais uma grande almoçarada à Asterix e pela tarde com o Antonio, Case e companhia experimentamos a condução de um Fiat 500 com cinquenta anos... uma experiência no mínimo agigantada... devido à dificuldade que tive em entrar no carro devido ao diminuto tamanho... passadas as peripécias iniciais é uma experiência que considero experimental, porque o meu jeito "para a coisa" carece de evolução... felizmente que o Case foi paciente para me ensinar, no final era um verdadeiro piloto de ralis antigo, aqueles que ficam em casa a ver o rali pela televisão por já não ir a tempo de "perceber a coisa". Fora estes contrastes adorei...Pelo final da tarde compras e regresso a casa...

Mas o que marca o dia são novamente as conversas e os afectos que nos ligam a este canto da Europa, eu, o António e o Stefano estivemos a conversar horas sobre lideranças e como é difícil tomar decisões, chegando à conclusão que a única receita é a dos Deuses e nós ainda não a temos, no final de contas o que conta é vamos continuar por cá a acertar e a errar dando voz ao tempo que ainda temos com o melhor que pudermos e conseguirmos dar.

12.08.2010

Diários da Neve III... Dia de 72 horas...!!!

Este Terça feira foi um dia de três tonalidades diferentes, não só pelo número de experiências mas sobretudo pela interminável energia que valeu por algumas semanas em que adormecemos na rotina do divagante e restrito dia-a-dia. Pela manhã dei formação em Simbologia Grupal, fomos almoçar a casa da Lucia, de tarde visitamos um parque natural e surpresa... fui ver pela primeira vez um Observatório Astronómico... com tanta neve e nevoeiro pode ser uma experiência, no mínimo, imaginativa. Pelo final da tarde fomos recebidos e agraciados pelo Município de Gorlla Maggiore e depois de mais uma grande jantarada com o "pessoal do Spazio Zero" fomos ao "Lazer Game", um campo de batalha virtual em que duas equipas se enfrentam tentando destruir a base uma da outra.

Contado desta forma foi um óptimo dia, mas não revela toda a energia emergente que o dia fez revelar:
- perceber que ao fim de dez anos este "embrulho metodológico" a que chamamos de Simbologia Grupal é mais do que uma experiência idiota faz-me pensar na responsabilidade que é não passar ao lado de um "modo de estar" que deixou de ser teu;
- voltar a estar com amigos de momentos "sempre replicados na celeste perfeição" faz-nos reflectir no tempo que perdemos todos os dias com desculpas obtusas e absurdas para não sermos plenos... só revela a fraqueza do básico ser humano;...

- os jantares que tenho tido por aqui fazem-me lembrar as épicas jantaradas de Asterix e Obelix, em que todos à volta de uma mesa repleta comemoram o nada, porque os motivos são apenas o estar aqui... contigo, com ele, com ela e o resto do mundo que nos quer a todos...


Bem, amanhã é dia de regresso... espero que o avião esteja de plena saúde e o espaço aéreo espanhol (em especial...) não tenha tirado férias...

12.06.2010

Diários da Neve II ... O "Tao" da noite...


Tao 道(pronuncia-se tao, mas na grafia chinesa Pinyin escreve-se Dao) significa, traduzindo literalmente, o Caminho, mas é um conceito que só pode ser apreendido por intuição. O Tao não é só um caminho físico e espiritual; é identificado com o Absoluto que, por divisão, gerou os opostos/complementares Yin e Yang, a partir dos quais todas as «dez mil coisas» que existem no Universo foram criadas.
Estes últimos dois dias foram isso mesmo, fazer caminho, o Yin e o Yang, a unidade na diferença constante. Tive conversas de horas com os sábios do presente imediato e revi mais que tudo o Absoluto que por estes dias transforma tudo na crise que ninguém vê e que todos se queixam.

A vida é feita de máximos e de mínimos e nós, pobres seres humanos, poderíamos e devíamos estar no meio desta desdita. Infelizmente, na minha humilde opinião, optamos pela simplicidade do minímo tornando-o num máximo obscuro , sem direcção, sem objecto de estudo e extremamente inexistente.
Por estes dias optei pelos máximos simples da vida: conversar com os sábios seres; fazer caminho com os meus; reabastecer para continuar caminho; continuar a estudar para aprofundar e perceber outros absolutos num Tao sem fim...

Hoje fui o cozinheiro de serviço, já comeram arroz Chau Chau (Chinês) com frango à portuguesa, foi esta especie de prtao que produzi.... toda a gente adorou, pelo menos foram todos simpáticos nos elogios... devia ser da fome...

A Noite foi passada com reflexões do Tao... eu e o Stefano (sem entrar em pormenores...!!!!) perdemo-nos em filosofias em frente à lareira com menos oito graus lá fora e com um poderoso reabastecimento vitivinícola...

Diários da Neve I... Aviões, Amigos e Neves Silenciosas

As 48 horas entre os dias 4 e 5 de Dezembro foram no mínimo estranhas e ocultas no que a Karma diz respeito. Já viajo com a Elisabete à alguns anos e sempre tivemos contrariedades em todas as expedições que envolvam aviões. Desta vez não foi diferente, é caso para pensar que constelações Kármicas nos possuem quando nos aproximamos de aeroportos ou aviões. De todas as vezes que viajamos de avião ou perdemos malas, ou ficamos apeados, ou existiram problemas técnicos. Desta vez foi a greve dos controladores aéreos espanhóis. mas verdade seja dita, chegamos sempre ao nosso destino e, embora tenham existido percalços iniciais, a aventura que se seguiu às dificuldades iniciais foi sempre indescritível, surpreendente e amplamente recompensadora, desta vez não está a ser diferente.

Chegamos a Malpensa, Milão, com o tempo razoável... tínhamos à nossa espera o Stefano, amigo de longa data e companheiro de jornada para os próximos dias.
Nas primeiras horas em Itália o tempo foi pouco para rever amigos e fazer planos para o dia seguinte. Mal chegamos e fomos de imediato assistir a uma sessão de cinema de animação japonês do Mestre Miazakhi, falamos da obra "Porco Rosso". De volta aos nossos aposentos por estes dias, revimos os amigos de outros tempos e percebemos porque viemos a Itália... viemos ver a neve que não para, comer e beber bem... muito bem... conversar e atasanar os amigos de quem não disfarçamos o nosso lunatismo e supostas irregularidades. A "the first nigth" foi no mínimo o excesso de meses de regras e simbolismo constante. Vim para poder por de parte a responsabilidade "de ser" e escrever novamente diários e pelo meio preparar a melhor época do ano, "o Natal do homens".

É bom estar de volta à terra das neves silenciosas.

12.01.2010

As quatro pontes do compromisso...

Quando caminhamos para o compromisso há quatro pontes que temos de atravessar primeiro: a da persistência; a da convicção; a do sacrifício; e a do conhecimento.
Deusa Ísis
A da persistência assenta a na capacidade que temos para ir atrás dos nossos sonhos, sem teimosias, mas com a resiliência de percebermos que os verdadeiros sonhos são os que nos fazem subir montanhas e não os que estão do outros lado da rua... embora do outro lado da rua possam estar montanhas enormes.
A ponte da convicção vive nas nossas crenças e valores, na fé que temos em nós, nos outros e na esperança de um mundo que não tem tempo para a nossa falta de tempo.
A ponte do sacrifício traduz-se na nossa aptidão para escolhermos o essencial mesmo deixando de parte "parte" de nós, e do que por vezes chegamos mesmo a amar.
A ponte do conhecimento é o caminho da técnica, da pedagogia, do guerreiro que não renega a teoria que fez a prática de todos os dias.
Após atravessarmos estas quatro pontes, o Ritual do compromisso é apenas a confirmação do guerreiro que sempre fomos.

11.15.2010

Teoria do homem novo…

As teorias de existir,
Aquelas que submetem o Ser,
São uma equação difícil,
Sem que qualquer galáxia a possa deduzir ou decifrar.
São um sistema refractário,
Uma evolução diletante.
São a nossa falta de tempo que e o tempo que nos fez,
Os direitos que nos revertem e os que revertemos
São parte de um íntimo que desconhecemos
São parte da análise astral dos dias em que não vemos a nossa sombra…

No passado dos outros,
No presente do nosso egoísmo
E no futuro arcaico,
Idealizamos a teoria do homem novo,
A certeza de alguém ideal,
De um mecenas que reconstruirá a humanidade,
Que fará parar as areias do tempo,
O tempo que não assimilamos
E o tempo que não é nosso.

Se esta teoria se constrói no existir dos dias,
Esta teoria não teoriza,
Nem se lhe reverte a direito de a teorizar,
É apenas uma ideia uma construção cósmica desmedida.

A teoria do homem novo,
É uma fábula de homens,
Um conto retirado do apogeu da insignificância humana
E uma desculpa por não evoluirmos
E nos perdermos em constelações de vácuo

Cada dia…
É mais uma oportunidade de sermos,
De procuramos,
De Interiorizamos o que e porque somos outra vez.
Em cada novo dia,
É-nos dado o direito de voltar a existir,
De inventar um novo Caminho,
De inverter o rumo celeste,
Fazendo da velha carcaça,
Um novo tempo para todas as eternidades…

11.11.2010

Floresta densa...e a persistência compensa...

Nestas linhas de tempo mal interpretadas (porque assim o quero), acabo agora de chegar à maior e mais densa das florestas de que tenho memória. Não sou daqueles que sucessivamente pergunta pela crise ou pelo que dela resta, aliás se os meus presentes dias são crise, que eles se propaguem às décadas que se seguem nesta curta existência terrena.

Mas como vos dizia, entrei por estes dias na mais densa das florestas que conheci. Este foi um período de intensas mudanças, não tanto da minha  parte, mas daqueles que me rodeiam e colaboram comigo e com as causas que abraço (e abraçamos...!!!). Conseguir que, apesar de todas as esperadas mudanças, fossemos capazes de manter o rumo que nos orienta e une, foi um exercício insano e mais desgastante que o tempo que não espera. A verdade é que os Deuses ajudaram e cá contiuamos nós pelo mundo dos vivos a desbravar uma floresta imensa, cheia de recantos, de magia oculta e sombria e de desafios de esperança que nos continurão a unir por mais algum tempo.... dando tempo aqueles por quem trabalhamos....

SER PERSISTENTE COMPENSA ... mas não esqueçamos antes o equilíbrio....

11.10.2010

Ver o mundo a crescer...

Tive a oportunidade de acompanhar o crescimento e desenvolvimento  psicossocial de muitos amigos pequenos na idade, mas grandes nos laços que tivemos a oportunidade de construir.

Mas mais extraordinário do que ver o seu desenvolvimento psicossocial, foi poder estar presente nessa caminhada incessante de compromisso com om mundo que os rodeia, retratada na sua acção concreta no dia-a-dia dos grupos em que estão envolvidos na escola, na comunidade, no seio da família, etc.

Perceber a forma como entendem o compromisso simbólico que firmaram consigo próprios e com o mundo de que fazem parte remete-me para a Simbologia de todos os dias a forma como lhe passamos ao lado.
Estes Cavaleiros que tenho a oportunidade e privilégio de acompanhar abandonaram à muito a análise de necessidades e evoluíram no seu potencial cósmico e real. Nós, pequenos pecadores e Cavaleiros, destas e doutras andanças, que temos o supremo privilégio de os motivar e acompanhar.. percebemos que também nós concretizamos a nossa caminhada simbólica na sua e eles na nossa, numa parceria intemporal e milenar...

11.04.2010

Darmas e oportunidades...

Depois de ter tirado umas férias no meu leito de masmorras funebres, eis que dou por mim de novo no mundo dos vivos, acompanhado por um estranho darma (prémio por bom comportamento numa suposta vida anterior) que me pôe perante duas escolhas óbvias: se posso ter o mundo para que só ter parte dele; se posso ter o mundo e a outra parte que não é dele porque não tentar o universo todo.
Embora ambas as opções sejam totalmente desproporcionadas, penso que são poucas as vezes que nos damos conta do potencial que nos rodeia e das ferramentas reais  que temos à nossa disposição. Sem cair na tentação da soberba (querer tudo sem nada dar em troca) e sem passar ao lado da teoria da simplicidade e solidariedade humana, é bom termos consciência do pouco tempo que temos para fazermos a diferença e ancorarmos a realidade ao caminho dramático do sucesso. Quando somos bem sucedidos, a tendência é para desconfiarmos da sorte, do próximo que vai ao nosso lado e do medo que parece que deixamos de sentir. Ser bem sucedido foi apenas mais uma oportunidade bem aproveitada até à próxima com que nos iremos deparar...

10.11.2010

As tormentas...e....os caminhos que se vão abrindo

É estranho pensar como as tormentas mudam de um instante para o outro, não é que deixem de ser tormentas, mas não deixa de ser estranho o extase que sentimos nesta brusca e nefasta vontade de desaparecer... de percebermos o que nos faz bem e mesmo assim desistir de ver a luz que nos liberta e faz mais humanos.

A vida é feita de processos simples, de lições inesquéciveis fomentadas por chuvas de ideias mutáveis ao segundo que nos sinalizam, dão rosto e nos fazem perder num ápice. A Feira de Jogos Intercultural deste fim de semana foi isto mesmo, uma chuva de ideias de um ideal que uns dias não faz sentido, noutros se redescobre e revela o que de melhor o ser humano tem enquanto fortaleza humana, enquanto conjunto de pessoas que constituem as organizações, os grupos, os legados.

A organização de que faço parte pode mesmo acabar amanhá, mas ninguém apagará os caminhos que já abriu...

9.06.2010

Ser ou não ser... nunca foi uma questão...

Terminou o mês de Agosto, já sei a agenda dos Deuses me ditaram para os próximos meses... desta vez não foi uma surpresa total o que o oráculo tinha para revelar, mas mesmo assim duvidamos sempre dos caprichos dos deuses...

Mas passados estes primeiros suspiros lembro o intenso mês de Agosto. Esse espaço de excepção temporal onde me reencontro e que de ano para ano me revela o Abraão em espírito e presença "quase constante"... pelo menos é quando me observo mais constante e  na plenitude daquilo que penso ser capaz de fazer e partilhar... e acentuo a palavra partilhar e sublinho-a com comungar...

Nesta permanente questão de ser humano perguntamos e argumentamos com argúcia o nosso papel principal e secundário na linha de tempo que nos liga à vida dos outros... Tentamos perceber se somos mestres, aprendizes, ratos ou simplesmente ervas daninhas em jardins alheios...

Neste labirinto percebi que na parte que cabe ao Mestre, o seu papel não está no poder que este tem para para transformar vidas ou antecipar caminhos, o seu poder está no equilíbrio que mesmo tem para dominar o esse mesmo poder... na capacidade que este tem para não deixar de tomar decisões e dar opiniões por medo ou cobardia de errar, bem como no discernimento que deve ter para permitir que, depois do seu "indispensável complemento", o aprendiz possa partir em viagem até à próxima paragem em que Mestre e Aprendiz se voltarão a fundir.

Quanto às partes de aprendiz, rato e erva daninha ficam aqui três ideias que me ajudam a defíni-las:
- no dia em que deixarmos de ser aprendizes é bom que seja São Pedro o porteiro que nos recebe;
- ratos, apesar de pestilentos existem sempre os simpáticos como o Mickey, o Jerry e mais recentemente o protagonista do filme Ratatui;
-quanto a ervas daninhas, sempre que falo nelas lembro-me da façanha de as cortar com um corta unhas...

Ser ou não ser, o o quer que sejamos, não é uma questão, é uma prerrogativa, uma metáfora, um paradoxo que nos alimentará na nossa paranóia constante... ter consciência disso faz-nos menos paranoicos e mais úteis ao nos fazem ter um papel.

8.11.2010

Onde estava eu quando me encontraram?...

Por este dias começo mais uma vez com "POR ESTES DIAS", porque tinham de ser estes e não outros.
Sou e fui em virtude do que todos fomos e somos, nem mais, nem menos, mas sempre tentando enganar o presente com um terceiro sujeito que acompanhava a minha sombra.

Por estes dias encontraram-me de ressaca num emaranhado de almas e abutres celestes, pronto para morrer reatado ao meu mundo de perdição. Senti que por uns dias tinha emigrado para um universo alternativo reconfigurado na exacta medida das minhas necessidades filosóficas.

Estive com as personagens que descrevo nos meus sonhos, com os lunáticos com quem sonho viajar e extasiei-me com as vivências de quem não tem medo de abraçar o próximo só pelo simples facto de que gosta dele ou dela.

Perdi-me durante dias em momentos de exactidão que nunca foram meus. Foram milhares de pedaços de Cosmos fundidos e que geraram esse imenso universo filosófico, de que todos eram, são e quiseram fazer parte.
Entretanto, quase perdido na minha aura, encontraram-me, atormentado, junto às cinzas produzidas por um incêndio quase extinto. Agora por estes dias procuro a próxima Pedra Filosofal que fará voltar onde estava antes de me encontrarem...

6.22.2010

Dimensões Cósmicas


Parte das nossas vidas é passada a descobrir o que somos, outra a confirmar o que somos e o resto a perceber se não nos enganamos. Por entre dúvidas e a total ausência de auto-certezas procuramos no "divino suporte" ao caminho alheio a resposta à ausência de respostas que guardamos para nós.

No meio desta encruzilhada por vezes esquecemo-nos de olhar a nossa volta e perceber os caminhos que trilhamos, as pessoas que fizeram esses caminhos e a diferença que fizemos na vida deles e delas. De certeza que toda a imensidão que construímos não foi feia só de jardins de encantamento. Concerteza que os desfiladeiros e pântanos foram por vezes imensos e tortuosos, mas todos eles fizeram parte do processo de descoberta e confirmação do que somos, seja no "Éden ou no Némesis de nós mesmos". É por isso que quando nos achamos em digno nível de consciência devemos lembrar à aura que nos persegue e alimenta que por vezes é ridículo tentarmos perceber quem somos, é imperioso percebermos onde estamos.

Neste sentido, faz sentido perceber que nos últimos 3 anos tive o privilégio de influenciar positivamente pequenas dimensões de Cosmos.

Se a vida é "fazer caminho", espero no mínimo ter o privilégio de influenciar novas dimensões cósmicas... mas eu sei que o meu Némesis continua por aí....