6.21.2012

Alguém vai deixar de ter tempo para existir...

Trabalho è 12 anos, mais coisa menos coisa, nunca tive de ficar de baixa médica e raramente faltei. A maior parte dos meus anos de labuta têm sido uma benção e, ano após ano, têm sido magníficas as surpresas que um ano traz após o outro. Refiro-me sobretudo aos últimos seis anos, desde que sou professor. Cada novo ano é uma rotina completamente nova, um desafio inesperado e um combate sem tréguas que não nos permite adormecer nem passar ao lado do que temos de ser.

Ao longo dos anos pus em prática as mais variadas metodologias e pedagogias, investindo numa dupla perspetiva de afetividade e autoridade, num ambiente de pedagogia partcipativa. Se os resultados pedagógicos, académicos e humanos foram sempre recompensadores, o mesmo não se pode dizer do real que circunda a vida do professor, sobretudo nos últimos 3 anos.

Antes de continuar importa deixar claro que considero um privilégio ser professor e que esta profissão ainda é , nos contornos atuais de crise, a mais recompensadora e humanamente respeitada. Mas como dizia, nos últimos 3 anos temos vindo a passar por mudanças, ditas estruturais, em nome de um bem maior, a chamada qualidade da prática educativa. Primeiro foi Bolonha nas Universidades e Politécnicos, depois os cortes cegos no Ensino Básico e Secundário, sobretudo nas Escolas com contrato de Associação, e por fim o fim das Novas Oportunidades. Pelo meio, em média, cada professor perdeu cerca de 30% do seu rendimento. Todos nós sabemos, balelas à parte, tudo é feito porque não há dinheiro, não me venham com eficiência e eficácia, porque quem hoje tem emprego na Educação em Portugal, é escravo, quem não o tem é vítima. Só sei que trabalho cada vez mais e ganho cada vez menos. Não está em causa que nos tinhamos de reorganizar, mas a verdade é que depois das sucessivas reformas, os professors deixaram de ter tempo para estar com os alunos, as escolas, espaços de socialização e democracia partcipativa, estão a tornar-se espaços de ocupação de tempos livres onde os jovens aproveitam para verificar algumas matérias e conteúdos. Em vez de alunos, docentes e discentes motivados temos um conjunto de pessoas a aturarem-se sem perspetivas e vitimas da quantidade (30 alunos por turma é uma irracionalidade).

Por fim apelam à nossa participação cívica e eu pergunto, se nem tempo tenho para existir, vou participar em quê e com que tempo... e para quem me conhece estou envolvido ativamente em 8 associações... Eu falei apenas do ensino, mas isto alastra a todos os setores da vida social, embora com realidades e vivências distintas..... no meio de tudo isto.... Alguém vai deixar de ter tempo para existir... eu pergunto-me, quando é que nos esquecemos que precisamos de tempo para entender o tempo, a esta velocidade vazia acabaremos todos por desaparecer na nossa própria falta de sentido. Repito, alguém vai deixar de ter tempo para existir, ... não permitam que isso vos aconteça... na família, com os amigos, com quem amam e no que realmente têm que fazer...

6.15.2012

A cura....



Aprendi que um guerreiro "faz o melhor que pode e sabe até que o seu caminho se revele...". Quanto mais aprendo e quanto mais alimento as minhas dúvidas acredito ainda mais nesta demanda. O único problema é perceber quando é que o caminho realmente se revela.

Importa pouco onde fomos parar, importa é que estamos.... e misticismos e variações astrais à parte, importa o que fazemos com o tempo e recursos que temos no sítio e com as pessoas com quem estamos.
Numa citação mais ou menos religiosa, supostamente vimos à Terra para deixar a nossa marca e partirmos de volta a um infinito que ninguém percebe ou quer perceber. E por entre caminhos que se revelam e marcas mais ou menos declaradas vamos acabar por nos "adoentar" e deixar consumir por uma "chaga de inexistência". Vamos acabar por duvidar de nós próprios e por tudo que mexe ao nosso lado. Muitas vezes está longe de ser nossa responsabilidade, mas noutros venerados momentos nós somos os principais responsáveis pela "nossa própria doença". Nesta fase todos procuramos uma cura, uma forma de nos redimirmos e percebermos. 

Mas sabem qual é  parte divertida de tudo isto, é que a cura é mais uma ilusão emocional, mais um momento de paralisia até à doença seguinte que desencadeará a cura que se lhe segue. Nós somos a nossa própria cura, a nossa própria terapia. A força de vontade e capacidade de resiliência também de aprendem, mas as decisões continuam a ser de quem as toma, o que faz dos nossos erros um decisão inadiável na consciências que todos prezamos ter. Mesmo assim procurar uma cura não nos irá fazer mal, esse caminho tortuoso que todos insistimos em fazer, tem pelo pelo menos a vantagem de nos despertar, de nos dar a perceber o que é ilusão, o que pode ser a verdade e o que de fato é mentira. Um brinde à cura universal.... aquela que jamais será encontrada... mas que nunca deixaremos de procurar enquanto houverem portas por abrir.

5.29.2012

Fechar e abrir o livro...



Escrever a mim próprio é um exercício de insanidade, de obscura existência. Passo por uma das fases mais emotivas da minha vida, do que sou, quero ser e espero estar.
Tenho cortado enormes linhas do meu passado, não que as tenha esquecido ou colocado de lado, não... muito pelo contrário... Foram e são linhas que continuarão a existir na essência que me faz. Apenas as atenuo para dar espaço para novas linhas que quero ver escritas, não sei se melhores, não sei se piores, mas outras....
Obrigado ao mundo em redor.... e apesar das toupeiras continuarem a existir.... vou continuara fechar e a abrir o livro quantas vezes eu quiser.... só que desta vez e por escolha própria ... sozinho.......

5.26.2012

O Silêncio do Cosmos....






No silêncio fala o Cosmos
É na alma que ele que está
É na nossa falta de sentido
No rumo que não escolhemos
E que ingenuamente que nos assola.

Em dia de poucas palavras
Alimento-me do Cosmos que não tenho
Na esperança que se revele.

Por estar perdido como nunca estive
Não faço questão de me encontrar.
Nos venerados dias que se seguem
Peço inspiração só para existir
Porque já nem isso sem fazer.
Não me considero um estranho
Mas nesta falta de momento e sentido
Considero-me inóspito e desregulado
Sem inspiração para me escrever
Para te escrever..
O que vale
É que ainda há mundo lá fora,
E desta vez... eu espero que ele me valha...

E como em tempos escrevi,
Solidamente só, terei de aprender a viver no silêncio do meu Cosmos...

5.21.2012

Afinal não foi por acaso...

Só para que a minha alma não esqueça
Na última vez que me escrevi
Que te escrevi,
Contava que quando ainda não percebia o acaso
"A pequena musa deixou-me entrar
Acompanhou-me até aos aposentos
E por ali me fiquei.
Horas finitas de sono deram lugar ao meu abrir de olhos,
Olhei à minha volta,
Nem aposentos, nem estalagem
Apenas eu, depois de mais um sono perdido.
Levantei-me, preparei-me e rumei à labuta diário.
Não deixava de pensar, de me atormentar
Por aquela estranha e improvável visão, talvez sonho até...
Até que num desses corredores de rodopio,
Logo após o último abrir de porta,
Revi a face que abrira a porta durante o meu último sono..."
Foi então que percebi que continuava a dormir
Que ainda não havia acordado...

Nesse dia,
Logo após o sono me passar,
Esperei pela noite,
Esperei porque sabia que precisava de voltar a ver as estrelas,
De voltar a ouvir a voz,
De voltar a perceber os passos
Sem que para isso precisasse de olhar,
De escutar, ou sequer pensar...
Sabendo que bastaria estar.
E aquela estranha estalagem onde havia pernoitado durante os sonhos,
Haveria de servir de casa mágica
Sempre que a minha imaginação e coração precisasse
Sempre que precisasse de ver novamente as estrelas acordado
Porque nada tinha sido por acaso...
Numa viagem sem fim à vista...

5.20.2012

Foi por acaso que existe o que existe?...



Nas ruas de um caminho como nunca vi
Vi mais um caminho que  não procuramos
Nem queriamos encontrar.
Ao fundo vi uma velha estalagem abandonada,
Aproximei-me, bati na enorme porte de madeira de carvalho
E esperei que dessem por mim.
Passaram breves instantes... e num ranger incandescente
A porta foi-se abrindo lentamente, lentamente...
Uma pequena fada estava do outro lado,
Batendo asas e de face perdida.
Perguntou-me o que me trazia aquelas paragens?
O que fazia de mim presente naquele momento?
Eu no meu absurdo, não sabia o que responder,
Tinha sido levado ali pelo meu acaso,
Pela minha curiosidade,
Por um tudo e nada que se traduziam num caminho desconhecido,
Trilhado por uma par de pés famintos
Por uma esquizofrénica vontade de perceber o além...

Depois destes minutos iniciais de insano silêncio,
Regateei que precisava de pernoitar
Precisava de uma horas de silêncio
Para continuar viagem.

A pequena musa deixou-me entrar
Acompanhou-me até aos aposentos
E por ali me fiquei.
Horas finitas de sono deram lugar ao meu abrir de olhos,
Olhei à minha volta,
Nem aposentos, nem estalagem
Apenas eu, depois de mais um sono perdido.
Levantei-me, preparei-me e rumei à labuta diário.
Não deixava de pensar, de me atormentar
Por aquela estranha e improvável visão, talvez sonho até...
Até que num desses corredores de rodopio,
Logo após o último abrir de porta,
Revi a face que abrira a porta durante o meu último sono...

5.16.2012

Afinal porque fazes parte?... quem faz parte?



Era importante que cada um percebesse quem realmente importa para cada um de nós. Todas as pessoas que nos importam devem saber que nos importamos com elas, que estamos dispostos a sacrificar-nos por elas, que queremos estar com elas e que os seus passos são escutados com ansiedade para revermos a forma como sorriem para nós.

Importa pouco a distância e a forma idiota como correspondemos às suas expetativas, importa antes o essencial da afetividade que nos une, a forma como nos olhamos nos olhos e a desorientação orientada que faz a relação.
Depois importam as causas e sonhos comuns na diferença que os une, mas antes de tudo fica a máxima de que gostar de alguém é natural e sem pré-contratos, faz parte, e lembrem-lhes, a esses estranho seres de quem gostam, de que fazem parte e vocês querem que eles façam parte.... 

Para terminar, não tenham medo de se humilharem, de mostrarem que são reais.... porque se nos merecemos a nós próprios nada é ridículo, gostar de estar com alguém não é ridículo, é antes estar vivo e dizê-lo bem alto para que o mundo perceba que também ele é real.

5.14.2012

O Licórnio...

Antes de começar esta história importa recordar a lenda por detrás da mesma, o Unicórnio, também conhecido como Licórnio. É um animal mitológico que tem a forma de um cavalo, geralmente branco, com um único chifre em espiral. Tem a imagem associada à pureza e à força. Segundo as narrativas são seres dóceis. Este animal é um tema de notável recorrência nas artes medievais e renascentistas e assim como todos os outros animais fantásticos, não possui um significado único.

O unicórnio está associado à virgindade, já que o mito compreende que o único ser capaz de domar um unicórnio é uma donzela pura. Leonardo da Vinci escreveu o seguinte sobre o unicórnio: "O unicórnio, através da sua intemperança e incapacidade de se dominar, e devido ao deleite que as donzelas lhe proporcionam, esquece a sua ferocidade e selvajaria. Ele põe de parte a desconfiança, aproxima-se da donzela sentada e adormece no seu regaço. Assim os caçadores conseguem caçá-lo."

Ninguém sabe a origem do unicórnio, é uma história que se perde nos tempos. Presente nos pavilhões de imperadores chineses e na narrativa da vida de Confúcio, no Ocidente faz parte do grande número de monstros e animais fantásticos conhecidos e compilados na era de Alexandre e nas bibliotecas e obras helenísticas (Grécia Antiga).

A história que vos conto é curta, não em tempo nem alma, mas apenas nas palavras de poesia presente que convosco partilho:

O Mar compreende que existem mistérios
O Olimpo, montanha dos Deuses, alimenta existências celestes
As estrelas lêem as entrelinhas que todos temos medo de pronunciar.
Mas no mundo dos Mitos
Há caminhos dos quais não nos conseguimos desviar
Mesmo que a nossa lenda o quisesse.
Assim é o caminho do Licórnio
Um caminho obtuso e estreito que poucos cruzam
Mas que não deixa fugir aqueles a quem se revela.


O Licórnio com quem me cruzei
Não compreende línguas nem palavras estranhas
É um ser sem tempo, no seu tempo e no tempo dos outros.
Irradia a sua ternura perante o manto verde em que se alimenta
Enquanto o mundo espera que ele não se esqueça que existe.


Não tece conspirações obscuras
É belo e bondoso no espírito que transpira
Fala e conspira com as estrelas
Porque foi tocado pelos dons da magia e do magnetismo
Embora, distraído
Tenha medo de ser importante no destino que o escolheu...


Sê bem vindo Licórnio,
Aceita que nascestes para mergulhar em rios perigosos,
Para subir montanhas em só vez o topo,
Para sonhar com o que nunca sonhaste,
Para viver o caminho dos predestinados.
E não tenhas medo da solidão,
Porque eu conheço-a... e ela esqueceu-se de ti...
A solidão, companheira de legado
É o destino dos Dragões que se cruzam connosco...

5.13.2012

O fim do início... e o inicio de mais inícios...

Fez seis anos que conheci e ajudei a formar um dos grupos que me marcou de forma mais decisiva e relevante, falo do grupo infomal da PASEC, Nova Fénix, equipa que conheceu agora o seu fim.

Já animei dezenas de grupos, já integrei centenas de reuniões e dinâmicas de grupo e, sobretudo, já vi o fim muitas vezes. Os Nova Fénix e o Grupo SER - Sabedorias e Rituais deram origem ao que é hoje a Plataforma de Animadores SocioEducativos e Culturais, estrutura que congrega dezenas de grupos informais. Ambos já acabaram, embora a maior parte dos seus elementos continue na PASEC. As linhas que se seguem dedico-as por inteiro ao legado dos Nova Fénix e o que isso significou.

Os Nova Fénix produziram saber e construíram-se tendo por a sua própria indefinição e falta de rumo. Por vezes o que nos falta torna-se numa grande oportunidade e foi isso que aconteceu. Conseguimos, quase sem o querer, juntar um cardápio enorme de incertezas numa incerteza comum que nasceu das cinzas dando origem a uma nova fénix. As incertezas deram lugar a novas incertezas, as respostas que encontrávamos davam lugar a novas perguntas, e as dúvidas cresciam na igual medida em que o grupo fazia cada vez mais sentido. Mas perguntam vocês como é que tanta indefinição pode fazer qualquer sentido? A resposta simples, a diferença entre novas e as velhas dúvidas, é que as novas dúvidas eram nossas, eram reais, existenciais e parte de um caminho que estávamos a percorrer. Pelo caminho, todos os que subiram a montanha viram horizonte, ajudaram outros a subir outras montanhas e, no momento que escolheram, partiram rumo a novas dúvidas fora do existencialismo que nos fez. Foi um privilégio caminhar com vocês...

Este "foi o fim do início" dos grupos que deram origem à PASEC, nestes últimos dois meses "deram à costa" três novos grupos permitindo o "início de mais inícios" na eterna dúvida de que montanhas se seguem no próximo caminho que todos vamos traçar.

3.18.2012

O maior espetáculo do mundo




De uma forma ou de outra já todos quisemos ou procuramos ver o maior espetáculo do mundo, seja lá o que isso for. Para uns é o circo, para outros é uma boa partida de futebol, outros naturalmente escolherão uma paisagem mítica, outros ainda ficarão os curtos dias que lhes são concedidos em frente à televisão. Mas o que é realmente o maior espetáculo do mundo?


Como não existe nenhuma resposta concreta para a pergunta que enunciei fico-me pela pouca experiência de vida que tenho. De todos os momentos artísticos que tive a oportunidade de ver e participar o espetáculo "Alegria" da companhia Cirque du Soleil foi, sem margem para dúvidas, o mais marcante, brilhante e cinéfilo. Tratasse de um momento de poesia em forma de expressão corporal no seu sentido máximo, na sua forma mais opulente, numa fotografia cósmica de imaginação irradiante. O espetáculo é  conjugação perfeita de melodia, história, cenário, sonho e humanidade.

Mas uma coisa é o espetáculo que vemos e participamos, outro é o espetáculo que sonhamos, que vimos nascer, que nos dá dimensão, aquele que nos fez e se faz numa construção em que o último ato é apenas o resultado final de um caminho percorrido por muitos e sentido por todos.

Já encenei várias peças e momentos de expressão artística nos mais variados domínios. Todos fizeram sentido no seu devido tempo, na sua forma e marcaram etapas de referência. Mas a 8 de Março de 2012, na sala de espetáculos da Cooperativa de Ensino Didáxis, onde sou docente e diretor de cursos profissionais na área da Animação SocioCultural e Apoio Psicossocial, encontrei o meu "maior espetáculo do mundo". Não é que o resultado final daquele conjunto de encenações tenha sido de um mundo que não este. Não é isso. Acontece... que o momento foi a fusão de uma história de três anos que... mais do que nunca.... fez sentido.

Sempre invejei positivamente alguns amigos pelas produções artísticas que produziam e pelo processo educativo e pedagógico que os mesmos implicavam. O produto final era meritório e de qualidade e evolução dos "miúdos" com quem trabalhavam era evidente. Sinto que tive a oportunidade de atingir essa meta, de fazer parte de um percurso sólido, único, de qualidade e que foi partilhado com centenas de jovens e adultos e que a diferença...uma diferença real e marcante.

Entretanto retrato uma hora e trinta minutos antes do espetáculo começar. Entro sozinho na sala onde vai acontecer o espetáculo. Toca a música "Alegria", a tal do maior espetáculo do mundo. Estou profundamente só sentado na boca de cena. Se a paz interior existe, acho que nesse momento estava em paz.... o importante já tinha acontecido... o caminho já tinha sido percorrido.... e eu tinha tido o privilégio de ter feito aquela viagem.

2.07.2012

O mundo que nos rodeia tem um equilíbrio delicado... como preservâ-lo?

O mundo que nos rodeia tem um equilíbrio delicado... como preservâ-lo?
Por estes dia lia que mais difícil do que conseguir algo novo é conseguir preservar e elevar o que já temos ou conquistamos. Não é novidade para ninguém que somos circunscritos pelo novo, pela eterna saciedade de queremos aumentar os nossos níveis de adrenalina e de interesse pelo mundo que nos rodeia. E esses requisitos apenas os vislumbramos no novo, na descoberta de algo que volte a tornar a nossa vida interessante. E nesta demanda esquecemo-nos de quem nunca se esqueceu de nós, dos caminhos que tanto nos custaram a trilhar ou das montanhas que muito suor levaram a subir. Com isto não estou a dizer que devemos viver permanentemente na lição e façanhas do passado. Muito pelo contrário, acho que o caminho para a felicidade passa por elevar o que somos e ajudamos a construir dando sempre espaço para o que de novo o destino nos trouxer.

Nesta fase já estou a ouvir os comentários da total ausência de novidade das linhas que exponho. A mim, nobre ser desorientado, cabe-me concordar com quem alimenta em si esta ausência de novidade. De quaqluer forma todos concordarão que não é demais relembrar. E isto leva-me à pergunta e reflexão inicial: O mundo que nos rodeia tem um equilíbrio delicado... como preservâ-lo?

A resposta assenta no que já disse, mas sobretudo é um exercício de cronologia. É sempre importante lembrarmo-nos do que pretendíamos e onde queríamos chegar antes de avaliarmos o que nos rodeia. Muitas vezes vamos para além do que pretendíamos e tornamo-nos imprudentes e impacientes por algo novo que desperte o entusiasmo de existirmos. Nesta fase é importante que tentemos perceber quem está connosco, como está connosco e que ainda querem de nós. Depois devemos arranjar um pouco mais de espaço no nosso "copo cheio" para ouvirmos e prestarmos um pouco mais de atenção a sinais que nunca havíamos avistado antes. São estes detalhes que nos permitirão encontrar orientação para as nossas próximas viagens emocionais.

Para terminar é fundamental nunca traçar destinos finais, eu, pelo menos, fico-me sempre pelo que chamo de etapas ou pontos de passagem, porque destinos finais nem na morte... porque o mundo que nos rodeio está muito para além dos nossos olhos.... e o essencial continua a ser invisível aos olhos, e eu nunca fui o "Principezinho".


1.23.2012

Generosidade



Existem várias atitudes que nos fazem melhores, que nos tornam melhores, que nos transformam em seres melhores. Só recorro a estas linhas sempre que considero que há algo a dizer, e penso que o que tenho para partilhar é importante. Falo-vos do ato de ser generoso, de estar disponível, de ir ao encontro da autenticidade dos outros e do que eles são capazes de dar.

Generosidade é antes de tudo uma suposta virtude de acrescentar algo ao próximo. Generosidade não significa dar, significa partilhar o que é nosso, o que nos é precioso, o que nos faz falta, o que temos de melhor e queremos disponibilizar aos outros na forma de tempo, de magia, de loucura, mas sobretudo na forma de dom, porque ser generoso é um dom.

Segundo René Decartes, na sua obra Tratado das Paixões e também nos Princípios de Filosofia, a generosidade é apresentada como um despertador do real valor do "Eu" e ao mesmo tempo como mediadora para que a vontade se disponha a aceitar o concurso do entendimento, acabando assim a causa do erro. Digamos que passa a ser um conceito de mediação entre a vontade e o entendimento.

Mas filosofias à parte experimentem ser generosos... primeiro disponibilizem o tempo que não têm, segundo procurem o que realmente vos faz falta, terceiro, tentem perceber se o que são faz falta ao mundo que vos rodeia... Como diria Raúl Solnado, "façam o favor de ser felizes", eu acrescento, "e generosos".

12.21.2011

Aquiles e o seu calcanhar maldito

Procuramos todos as nossas raízes, donde viemos para onde vamos e se de fato tudo o que fizemos faz algum sentido. Não vos vou fazer perder tempo a refletir e dissertar sobre o que sendo importante não importa nada porque só nos faz perder tempo.

Por estes dias tenho tentado voltar às minhas raízes, recordar o meu berço e os contextos que me fizeram ser... e reitero ser....

Ser, sermos, implica magia interior, intuição, vontade de tentar perceber o que nos rodeia e por quem nos fizemos rodear.

No campo da magia interior não encontro medos absurdos, só velhas recordações de adolescência em que recordo a fraude que quis ser e forma como a queimei num inferno inexistente.

No campo da intuição vejo tantos símbolos existenciais que tenho dificuldade em perceber os meus. Olho para os olhos que me orientam e percebo que os símbolos nem são a razão que nos conduz, somos nós que conhecemos e orientamos os símbolos, constatando o seu poder e a forma como o canalizamos. Dizem agora vocês, que raio é que ele está a dizer? Tento explicar de forma pessoal que a nossa intuição está presente nos nossos detalhes e que estes são representados pelos símbolos que só nós e a nossa índole reconhece. 

Ao viver a vontade de tentar perceber o que nos rodeia  percebo que os meus sonhos quase que deixaram de existir, pernoitam noutras longitudes servindo o meu horizonte e o horizonte de quem lhes quiser dar sentido.
Para terminar recordo Aquiles e o seu calcanhar maldito. Nessas dores místicas mantenho três cicatrizes... a de um lobo abandonado, a de um cisne sem asas e a de um símbolo com rosto desfigurado.

11.28.2011

Ter um um rumo implica derrotas e indefinições dolorosas...

Quantas vezes já nos indicaram a porta de saída, que estávamos a mais ou que já não valia a pena enfrentar-mos o próximo desafio. Estes contextos não são novidade nenhuma, umas vezes foram os outros que nos deram a conhecer este enigmático conjunto de ideias, outras vezes foram os amigos que muito estimamos, outras ainda foram a força das circunstâncias. Normalmente o que varia é a força com que deixamos com que esta força inexplorada nos invada o nosso coração simbólico impreparado.

Gosto de acreditar que conheço o meu rumo, não o destino para que ele me leva, mas o rumo para o qual ele me orienta. Este gostar de acreditar vai-se tornando em crença e esta crença em fé e acabamos todos a perceber o porquê da religião e da mística existência de cada humano.
Independentemente de vir a mudar de direção nos próximos épicos episódios da minha eternidade a verdade é que acredito no meu rumo e devo ter o discernimento de perceber que este implica derrotas e indefinições dolorosas. Quando falo de derrotas não falo de perder, falo de ceder ao óbvio, de permitir que o meu errado dê lugar ao meu certo, de seguida ao importante manifestando por fim o essencial. Quando falo de indefinições dolorosas falo das imperfeições que quem nos faz sofrer, de quem fazemos sofrer, dos que nos guiam e daqueles que guiamos. A este rumo que assumo com dúvidas mas sem rodeios entrego 3 ideias humanas, simples e essenciais: amar, aprender e partilhar.


11.10.2011

Ou somos ou não somos...

Vivemos tempos de austeridade financeira, económica, social e ideológica. Mas o mais incomoda é que vivemos graves tempos de austeridade humana, traduzida na falta de valores, na falta de ambição (a boa), na falta de oportunidades e na falta de momentos para realmente sermos humanos.

O mais triste é ver amigos, família e pessoas de que gosto a serem arrastados na enxurrada por dramas como desemprego, a depressão e o "contar de trocos" diário rumo à sobrevivência.

Mas se esta época é pródiga em austeridade não é menos generosa no excesso de desculpas e na falta responsabilidade. Mas para que fique claro não me refiro aos 80% de seres humanos que não escolheram ser líderes, nem aos outros 15% que são políticos, lideres das multinacionais ou ainda opinadores televisivos. Refiro-me apenas aos 5% de humanos líderes que realmente podem fazer a diferença, que escolheram fazer a diferença e têm por obrigação fazer a diferença porque sem estes o caos não será uma escolha, será a usualidade dos nossos dias.

Como não posso falar com todos os 5%, porque felizmente ainda são alguns milhões, dirijo-me a apenas alguns deste humanos líderes, pessoas de excepção, amigos próximos e parte da minha vida.

Também estes se deixaram levar por uma espécie de austeridade mental deitando por terra a maior qualidade que tinham, o fato de terem escolhido serem importantes na vida nos outros. Rodeiam-nos com um discurso redondo sobre imaturidade, que se trata de algo de novo e que precisam de tempo para aprender e sobreviver. Este discurso até seria justo se procurassem de fato aprender em vez de vegetarem na sua própria depressão existencial e emocional.

Todos nós humanos líderes, temos momentos de rutura, de passagem, de menos impacto... mas quando somos nós que escolhemos entrar na vida dos outros, de dar voz aos outros e às suas causas... falhar a essa responsabilidade não só é estúpido como inconcebível, visto que fomos nós que nos chegamos à frente sem que ninguém nos tivesse apontado uma arma.

Por estes dias tenho convivido com um desses humanos líderes, que apesar da sua importância e bom exemplo, (e não ponho em causa a amizade que nos une) se começou a centrar nos seus próprios detalhes, deixou de querer aprender, deixou de ambicionar, atingiu níveis de negligência inimagináveis e deitou fora em semanas tudo o que demorou anos a construir. Escolheu ser líder a reboque na desculpa do tal discurso redondo sobre imaturidade, que se trata de algo de novo e que precisa de tempo para aprender e sobreviver. Então repito, este discurso até seria justo se tivesse de fato procurado aprender em vez de vegetar na sua própria depressão existencial e emocional. Quando escolhemos a causa pública não há família, idade ou preconceito que justifiquem a nossa falta de iniciativa, sentido prático e egoísmo narcisista.

Ou somos ou não somos.... o nosso discurso até pode ser enviesado e a nossa atitude mal disposta desde que não percamos o sentido da ação militante em prol da causa que abraçamos... mas paralíticos na desculpa de existirmos é sermos iguais aos que tanto criticamos, é sermos iguais aos parasitas que desprezamos.

Para que também restem dúvidas e não achem que estou acima destas críticas, contra mim falo, porque não sou imune a estas desditas contradições.... começo como titulei "ou somos ou não somos". 

10.27.2011

Há um tempo para tudo e para todos...


Há um tempo para tudo e para todos. A vida é extremamente generosa mas o ser humano é perito em desperdiçar o tempo em crises existenciais inexistentes justificadas pela idade, pela falta de maturidade, pela falta de oportunidades, pela falta de tempo ou disponibilidade ou ainda pela falta de saberes. Tudo isto é verdade, mas não serve todas as causas nem todas as situações. O caminho da espiritualidade é uma destas.

Sou católico não praticante e um péssimo exemplo de praticante da doutrina cristã, mas de uma forma geral revejo-me nos princípios doutrinários da fé católica. O meu trilho espiritual está mais ou menos por entre o caminho que intercepta o espírito e a consciência humana vulgar e a magia que torna os homens e mulheres seres místicos conscientes que o próximo desafio é sempre o mais decisivo.

Chamo a este estranho caminho Simbologia. Explicando de forma simples, acredito que escolhemos a linguagem dos símbolos para explicarmos o que somos mantendo ao mesmo tempo a ideia de que não sabemos o que realmente somos. Os símbolos são essa linguagem metafísica, constante e subjectiva, que ao mesmo tempo que nos perturba e abre caminhos.

Introduções à parte, a Simbologia na sua dimensão grupal acabou por se tornar numa metodologia de vida que partilho com todos os que me são próximos. Por entre todos os seus defeitos, tem duas grandes virtudes que de forma simples e brilhante foram, por estes dias, partilhadas por duas amigas de caminhada, para registo, a Susana e a Elisabete. Diziam elas: "A Simbologia Grupal é um processo contínuo que não nos paralisa mas nos obriga a reinventar constantemente, apelando ao nosso constante contributo no seio do grupo a que estamos ligados." (Susana); " A maior qualidade que encontrei nas técnicas de Simbologia Grupal foi o facto de juntar pessoas dos 8 aos 30 anos numa reflexão partilhada e combinada de emoções em que todos se percebem independentemente do nível a que supostamente estão" (Elisabete).
Não foram bem estas as palavras que transmitiram, mas o conteúdo era este.

Voltando à ideia inicial do texto "Há um tempo para tudo e para todos", nesta caminhada uns ficam na primeira estalagem, outros ficaram a meio das suas próprias palavras, outros nunca perceberam o que ajudaram a construir. Porventura é pela idade, pela falta de maturidade, pela falta de oportunidades, pela falta de tempo ou disponibilidade ou ainda pela falta de saberes. Sinceramente nem quero saber, o fundamental é que todos percebam que "Há um tempo para tudo e para todos", e se o caminho que escolheram é o da Simbologia Grupal, o vosso grupo, o vosso estado grupal é a essência que vos alimenta. Se não existe ou não se revêm nele significa que o vosso tempo nesse Cosmos já foi... procurem outro e preservem os laços...


9.29.2011

Ódio.... que não te deixa cair....

Odiar não é um exercício difícil, muitas vezes é inclusíve um sentimento mobilizador e gerador de uma energia interior que nos alimenta e dá sentido à nossa ação.
Dizer que não odiamos ninguém é uma qualificação óbvia de quem nunca experimentou ser humano e o simples acto de errar pela naturalidade de errar.

Se formos ao dicionário ódio significa "extrema aversão," "hostilidade," "animosidade" ou "desejo que o mal se abata sobre o objeto odiado," bem como "emoção que exige ação." O ódio é antes de tudo uma emoção humana, se existe, assenta num sentido que determina o nosso comportamenta e que o fundamenta. Eu há muito que ergui os meus ódios de estimação e mesmo sem grande esforço, eles auto alimentaram-se ao longo do tempo e em alguns casos ganharam contornos patológicos (sem dignóstico). De qualquer forma importa de forma clara distinguir o ódio sentido do ódio activo. E de forma ainda mais clara, afirmar que no campo pessoal fiquei-me sempre pelo primeiro. Deixarmo-nos dominar pelo ódio no sentido comportamental tornando-o ação curva-nos perante a nossa própria falta de sentido, tolhe-nos o discernimento e insulta o nosso projecto de vida.

Encaro o ódio sentido como uma ferramenta do ego que me permite manter alerta sobre forças de que desconfio. Não argumento que se trata de um bom ponto de equilíbrio, mas até agora ainda não me deixou cair e preveniu males maiores.


8.25.2011

Milénia... perceber onde devemos estar.... (Parte IV)

Os dias em Milénia vivem-se a uma intensidade sem ritmo, por entre emoções traiçoeiras que se transformam em armadilhas para uma mente desorientada, e Milénia tem o poder de desorientar os mais incautos. Em mais uma manhã madrugadora Saaber e Serenity procuram treinar a arte das armas dos homens, não só como se manejam, mas a sua história, a razão da sua existência e a justificação do seu tempo. Esta jornada matinal leva-os a um velho forte meio abandonado em Yuma, velha capital de Milénia. Os próximos tempos seriam dedicados à arte do combate.

Cansados, mas iluminados, os dois jovens aspirantes a magos seguem jornada rumo à costa de Milénia. Encontram uma enorme duna com uma soberba vista sobre o elemento natural que por este dias lhes governou a alma, a água na imensidão do Mar dos Deuses. Saaber sugere que parem e tomem uma refeição. Saaber aproveita as horas que se seguem para tirar apontamentos das suas ultimas aventuras e mais uma vez contemplar  a paisagem através de exercícios de introspecção.

Os dias em Milénia estavam a chegar ao fim, mas faltava um último desafio por superar, um que tinha ficado adiado nas aventuras anteriores, vislumbrar toda a exuberância da Lagoa das Visões. Saaber e Serenity prepararam alguns mantimentos e seguem rumo à Lagoa por entre as montanhas. Durante a subida mais uma vez Milénia consegue surpreendê-los com mais uma pequena lagoa de águas quentes alimentada por uma magnifica cascata onde algumas crianças de uma velha aldeia de pastores ali de perto de recriavam.

Infelizmente o objectivo maior não permitia ficar muito tempo e prosseguiram caminho. Foram horas a tentar chegar ao pico das Montanhas do Fogo, refúgio que permitiria finalmente conhecer a Lagoa das Visões. E assim foi, os dois jovens aspirantes a Magos petrificaram perante a magnitude daquele monumento natural. Naquele momento, Saaber perceberia o porquê do nome da Lagoa. Este parou no seu tempo, concentrou toda a energia cósmica que fluía de cada um dos seus sentidos em um só numa espécie de exercício de concentração e focalização que o transcendia e jamais havia experimentado. Aquele instante transformou-se em eternidade e Saaber transportou-se para o seu dia-a-dia, viu os rostos familiares com quem se havia aventurado nas eternidades presentes passadas, vislumbrou as suas acções quotidianas que traduziam a sua missão e papel enquanto pessoa comum feito Mestre em caminhos que via como alheios, viu-se e amou-se pelo que era, mesmo com todos os erros que cometeu e cometeria. A Lagoa mostrou-lhe onde naquele momento ele pertencia e deveria estar. De repente lá acordou daquele transe através da voz de Serenity, não havia tempo, era altura de regressar. Ele queria muito mergulhar nas águas da Lagoa, mas o seu tempo em Milénia tinha chegado ao fim, o seu dia-a-dia chamava-o de volta. De qualquer forma ele sabia que haveria de voltar à Lagoa das Visões, conhecida por entre os homens comuns como a Lagoa do Fogo, e por entre os místicos, como o Refúgio dos Dragões de Fogo.


8.24.2011

Milénia... a aprendizagem através do elemento água em toda as suas formas... (Parte III)

Depois do tempo necessário para apaziguar a alma e equilibrar físico, espírito e psiquis, Saaber procura perceber o que mais Milénia lhe pode ensinar. Por estes dias decidiu visitar as Grutas da Promessa, bem no interior Sul de Milénia e posteriormente escalar as Montanhas do Fogo e do seu topo observar a Lagoa das Visões, bem no centro de Milénia. Mas a sua escalada é em vão, uma enorme neblina apoderasse do topo da Montanha, não é possivel ver mais que três metros em frente. Sem querer dar por mal empregue o tempo da sua jornada, Saaber segue na direcção contrária à nebllina procurando a claridade. Serenity acompanha-o.



Depois de várias horas a descer por entre velhos trilhos, alguns mesmo inexistentes e inventados na pressão do caminho, Saaber avista uma enorme Lagoa. Acelerando o passo, aproximasse das margens do enorme lago. Não era a Lagoa das Visões, tratavasse da Lagoa Amarela e nas suas margens erguiam-se velhos palácios de antigos feiticeiros. Alguns desses palácios estavam já abandonados, outros davam ainda morada aos descendentes dos antigos mágicos. Cada um deles parecia contar uma história de silêncio diferente e com alguma atenção era possível ouvir as calmas águas da Lagoa Amarela a sussurrar alguns  trechos desse passado distante. Saaber não estava preocupado em perceber o local, limitou-se a viver a intensidade e a paz que aquele santuário natural transmitia. Sentou-se e contemplou o local por tempo indeterminado através de um exercício de introspeção.

Horas passados, Saaber e Serenity sobem pelo sopé das montanhas em busca da nascente da Lagoa Amarela e qual não é o seu espanto quando durante a subida dão de caras com um conjunto de lagoas mais pequenas, numa especie de piscinas naturais de água quente no meio do nada. Logo ao lado uma pequena povoação de pastores. Saaber e Serenity param para admirar o local e resolvem mergulhar nas águas das pequenas lagoas. As lagoas tinham poderes medicinais, Saaber sentia cada uma das mazelas que tinha acumulado durante a jornada a regenerar-se. Alguns pastores aproximam-se e explicam a Saaber como era possivel aquele fenómeno. Tudo era devido a enormes caldeiras naturais que imergiam no coração da ilha e que para além de aquecer as águas lhe atribuiam as suas propriedades medicinais. Neste momento em que Saaber se preparava para ouvir o resto da história, a neblina de outrora aproxima-se e com ela uma leve tempestade transformada em chuva. Em plena lagoa de água quente, Saaber experimenta uma rara dádiva natural, uma especie de concílio entre os Deuses da Terra e os Deuses do Céu conciliados pelos Deuses da Água. Prostrado em águas a pouco mais de 25 graus com uma suave chuva a tecer a sua face, Saaber lembra-se que mais do equilibrar o seu todo, o homem no seu devaneio, procura equilibrar-se com o Cosmos que o rodeia e que encontra na Natureza a sua expressão maior. Milénia era o sítio perfeito para aprender a viver o que já todos os homens sabem, só sobreviveremos se depois de equilibramos a alma a soubermos integrar no meio que nos envolve, no Cosmos para além de nós, representado em estado puro pelo elemento água.

8.23.2011

Milénia... à procura do equilíbrio para travar o "bom combate"... (Parte II)

Milénia é uma terra de pessoas comuns, onde qualquer um pode ser o escolhido, o finalizador do seu próprio destino. Saaber e Serenity são os jovens magos que por estes dias têm o privilégio de viver nestas terras.

Existe uma razão diferente para cada um deles cá estar, Saaber tenta perceber toda a mística que determina Milénia e procura aprender como se deve preparar para o próximo "Bom Combate", Serenity pensa apenas em recarregar o seu pote mágico de intensidade suficiente para aventuras futuras.

Em busca do saber para enfrentar o "Bom Combate" os dois jovens Magos procuram nos primeiros dias as Lagoas do Céu, bem pertinho do Vulcão Elishea, no sentido de perceberem o poder da Serenidade, da Paz Interior. São dias dedicados à introspeção, à contemplação e às memórias que fazem doer.



Depois das Lagoas do Céu, de perceberem onde mora a Paz que não percebem mas desejam atingir, os dois jovens magos percebem que devem procurar as Nascentes das águas da Paz Eterna, uma nascente de água medicinal aquecida pela lava vulcânica e que desagua no mar. Dizem os Antigos da Tradição que antes do "Bom Combate" o guerreiro deve equilibrar espírito, corpo e a psiquis (intelecto). Mergulhar naquelas nascentes, segundo os Antigos, permitia revigorar e equilibrar o físico. Faltava o espírito e a psiquis.

E é com essa intenção que ambos os pretendentes a guerreiros se perdem em antigas ruínas em busca dos Templos do Tempo Incontável e das portas do Mausuléu das Recordações para se completarem no seu equilíbrio. Nos Templos do Tempo Incontável ambos rezam ao Tempo e a quem o pretendeu, pretende e pretenderá buscando o equilíbrio do espírito. Mas para chegar ao Mausuléu das Recordações a aventura é mais rebuscada. Só se percebe que se passou por ele quando nos perdemos nele. Serenity passou e nem se apercebeu, não completando a triade do equilíbrio do mago humano. Saaber esbarrou no Mausuléu e cumpriu o velho ritual de ler cada um das suas paredes. Completada a primeira jornada é hora para descansar e desfrutar do equilíbrio conquistado.