11.02.2012

Gosto de acreditar que todos estamos dimensionados para o bem (livro Tempo)



Gosto de acreditar que todos estamos dimensionados para o bem, aliás por estas eras acreditamos que o homem nasceu predisposto para o bem. Acreditamos que mesmo os que vivem à margem da sua própria natureza estão predispostos para o bem e que cabe a cada um de nós, nobres cavaleiros imperfeitos, criar os campos de oportunidades suficientes para cada um poder concretizar todo o seu potencial orientado para a bondade e promoção do bem comum.

O mundo como cada um de nós o conhece está para além do subjetivo, chega a ser absurdo a forma como o vemos, sobretudo quando nos damos ao trabalho de partilhar a nossa opinião com o universo em redor. Tudo que o eu digo é assimilado e entendido de forma absolutamente distinta por cada um dos que me ouve. Cada um absorve, subverte e rentabiliza a informação de forma diferente, com uma intensidade diferente, numa perspetiva diferente. Por isso também a forma como vemos o bem  subverte-nos. Uma decisão imponderada, uma abordagem diferente do real que nos envolve pode ser assimilada e compreendida como ato de maldade.

No Império de Gaia, regido pelo Livro dos Elementos, somos ensinados acreditar que o bem é um fluxo energético constante que habita em todos os seres humanos, centrado na sua aura e que um dia alguém registou em palavras como sendo "o poder do coração".

Duvido muitas vezes desta ideia, mas não duvido da intenção cega que a mesma pretende guardar "que cada ser humano merece um novo começo, independentemente do caminho que um dia escolheu para se perder…"

8.14.2012

Tempo - Os dias de Milénia - Cap. I - Faço hoje 33 anos


Ano de 3980, faço hoje 33 anos, não sei muito bem que dia é, nem o mês, mas pelo calor deve ser a estação a que os antigos chamavam de Verão. Nos dias que correm limitámo-nos a contar os dias da época anual (consagrada como tendo 365 dias), eu nasci no dia 114 pela manhã noturna. Hoje faço 33 existências num mundo sem memória que recupera ninguém sabe muito bem de quê.

Vivo em Ethérnia, um pequeno vilarejo ancestral, sede feudal da região. Sou sozinho, os meus pais vivem aqui perto, a minha irmã migrou para a região de Bahar onde vive em família com o seu esposo.

Por estes dias estou em Milénia Centrum, ilha mãe do arquipélago de Milénia, também rezadas como as ilhas do descanso eterno dos Deuses. Milénia Centrum é uma espécie de capital espiritual do Império de Gaia, que une as muitas centenas das regiões livres conhecidas. Todas as épocas anuais este número de regiões aumenta, assim que o Homem descobre novas regiões que desconhecia.

Estou em Milénia em retiro, como o tenho feito em todas as épocas anuais desde que assumi as minhas funções de Mestre Aprendiz na Ordem dos Cavaleiros do Poder. Para além de Milénia ser a minha casa espiritual, ela é ao mesmo tempo o refúgio de muitas histórias intemporais, de aventuras que ficaram por viver e onde estive mais próximo de perceber o que os nós, seres humanos, chamamos de "Amor".

Apesar de estar em retiro não estou sozinho, vim com alguns Mestres Aprendizes iniciais e alguns candidatos a aprendizes de Mestre. Na Ordem dos Cavaleiros do Poder começamos como candidatos a aprendizes, evoluímos para Aprendizes e por fim Companheiros. Depois alguns de nós seguem o caminho de Mestre, sentem que para continuarem o seu percurso têm de devolver e multiplicar parte do que lhes foi dado. Começamos como Mestre Aprendizes em iniciação, passamos por Mestres aprendizes em confirmação e por fim Mestres Aprendizes. A palavra aprendiz segue-nos sempre porque como nos conta a lenda que deu origem à Ordem dos Cavaleiros do Poder: " o Mestre que perdeu a capacidade de aprender já não tem mais nada a ensinar". Alguns de nós seguem depois o que chamamos de "caminho simbólico" e tornam-se em Mestres Simbólicos, protetores de um saber maior, só ao alcance de alguns.

Mas voltando a Milénia Centrum e ao "Amor", nestes estranhos tempos procuro desvendar o seu mistério, a sua energia, insistindo em inutilidades para perceber onde reside o meu erro ou a minha certeza. Quero perceber se amo o meu ego, os que me rodeiam, a minha família, o que faço ou uma construção de imagens todas elas irreais, ou, na pior das coincidências, nada de nada, sendo eu mesmo um vazio nos vazios que gerei e me rodeiam. Pelo meio das minhas dúvidas, mantenho o meu trabalho de reflexão, meditação e contemplação junto dos meus Mestres Aprendizes em iniciação e dos seus Aprendizes, tentando viver sem pressas, respeitando o tempo imaterial. Aprendi que não vale a pena apressar o ritmo do Universo, mesmo que a realidade assim o determine. Desvendar o essencial apenas se revela quando estamos disponíveis para sermos o que ainda não somos, deixando verter parte da água que encheu o nosso cálice. (continua...)



7.17.2012

Os 4 elementos nas coincidências do amor...


Somos o produto dos quatro elementos,
Somos a elevação de nós mesmos,
A ação que nos ocorre quando fugimos do acaso.
Somos água
Quando mergulhamos na alma,
Somos terra
Sempre que percebemos o destino,
Somos ar
Quando existimos na vida dos outros,
Somos fogo quando percebemos o amor.
Viajamos da água para o mar
Quando a alma se transcende,
Transformamos a terra em montanha
Quando escalamos além do destino,
Calibramos o ar para vento
Quando a vida dos outros se desafia na nossa,
Do fogo forjamos o metal
Quando o amor é incondicional...

Dos quatro elementos ativos partimos,
Dos quatro elementos transcendemos,
No quinto elemento existimos,
No fim do caminho,
Finalmente acreditámos.

Pelo menos,
Eu quero um dia acreditar
Que fui mais sem menosprezar o menos,
Que alinhei
Logo depois de ter desertado,
Que fui capaz de amar
Logo depois de ter desesperado.
Sermos o que somos já não chega,
De onde viemos e de onde partimos
São agora memórias de devaneio.
Para onde vamos,
A disciplina que abraçamos,
O mapa que desenhamos,
São apenas coincidências
Que escondem o que realmente amamos...


7.08.2012

O Caderno de Encargos Simbólico... (atualização)

O ser humano tem a tendência para se auto deteriorar e ritualizar-se numa busca obstinada por meandros mesquinhos, egoístas que o destroem e violam a sua integridade. O divertido e rebuscado da situação é que boa parte das vezes o ser humano tem plena consciência da sua insanidade, mas insiste porque é imperfeito, fraco e "humano".

Mas o melhor de ser humano é poder errar e traduzir esse erro numa oportunidade. Ainda neste seguimento vi e ouvi por estes dias, num desses filmes ridículos que têm uma ou duas frases de oportunidade, uma filosofia interessante: "não existem erros, apenas um caminho que te levou a um determinado destino...".

Mas voltando ao que hoje me traz aqui, tenho a plena consciência do que me deteriora diariamente e me faz ritualizar os meus devaneios. Temos direito a vivê-los enquanto nos testamos e aprendemos o caminho do TEMPO, mas não podemos eternizá-los, eles podem-nos tornar obsessivos e fazer com que nos percamos na nossa própria irregularidade. Não estou a afirmar que deixemos de ser irregulares, estou apenas a relembrar (nomeadamente a mim próprio) que nada é tão bom que não acabe ou se deteriore, nem nada é tão mau que não possa melhorar ou mudar de sentido.

Hoje tirei alguns minutos para contemplar uma pequena capela em Famalicão, e qual não foi o meu espanto quando me dou no meio de uma cerimónia ortodoxa num templo cristão. Era um ambiente estranho, e eu era uma estranha e pálida presença por entre os presentes. Mas não deixa de ser assombroso que é mesmo assim que me sinto diariamente, um estranho num mundo de estranhos que me estranham e se estranham.... por breves minutos entrei em astral (momento em que o nosso ser simbólico viaja para além da nossa carcaça) e fiz daquele banal e estranho momento uma ponte para a minha nova casa. Desenhei pela primeira vez, e de uma forma clara, o que acredito ser "um caderno de encargos simbólico". Não, não estou a falar de mais uma "troika económica", falo de estabelecermos metas existenciais e significantes que nos permitem alimentar o espírito inconformado e elevarmos o nosso nível existencial, simbólico e cósmico.

Determinei para mim próprio um caderno de encargos muito exigente, que exige inclusive austeridade, mas ao contrário da austeridade atual, é realista e de prazos credíveis.
Metas obrigatórias:
- Dizem que um homem deve escrever um livro, plantar uma árvore e formar família... não entro nestas máximas, mas escrever sempre foi uma prioridade, por isso escrever a poesia e prosa que guardo à imensos anos e me fazem têm entre 12 a 24 meses para verem a luz do dia e vou chamar-lhe, intitulá-lo TEMPO...
- Quero ver a Acrópole do Cavaleiro Cosmos (visitar a Grécia), caminhar e profanar o meu local de Batismo (mergulhar na Lagoa do Fogo em São Miguel, Açores) e subir Machu Picchu (Perú) no espaço de 12 a 24 meses
- Pretendo aprofundar, melhorar e conhecer melhor os laços simbólicos que estruturam a minha família sem qualquer barreira temporal que o determine
- Pretendo ver TEMPO (total livro que idealizo) interpretado e apunhalado por seres humanos reais e com quem respiro diariamente (os meus formandos e formandas), juntando a este objetivo o compromisso de continuar a ser feliz no que faço (ser professor animador) o máximo de tempo possível
- Por fim deixo cair os devaneios capitais, prometo-me a espiritualidade simbólica de quem acredita num caminho longo, com percalços e erros que não deixarão de existir, mas com TEMPO.

Espero bem ser capaz de dar voz e corpo a estes compromissos e ao maior de todos que me obrigou a pensar em todos estes... termino com a proposta de um exercício de simbologia que todos devem tentar, crentes ou não crentes..... façam uma viagem curta com a pessoa mais significativa do momento (nem sempre é a pessoa que amam ou mais gostam, muitas vezes é aquela pessoa que mais luz traz à vossa noite de penumbra), procurem uma viagem noturna de céu limpo e um local que permita uma contemplação do horizonte e do imenso celeste (por exemplo a praia com céu limpo à noite ou um declive num topo de montanha também à noite), permitam um acompanhamento sonoro relevante e sereno (a música contemplativa permite acalmar a mente e faz fluir o pensamento), por fim tracem o caminho do passado e do presente, partilhem-no com quem vos acompanha, ouçam o que ela/ele tem para vos dizer, ouçam-se a vocês mesmos e determinem metas significativas para o futuro, como esta espécie de caderno de encargos simbólico que acabei de exercitar. Têm é de ser reais e com limites temporais claros.

O exercício é tão básico que todos perceberão que, em alguma altura, já o fizeram, o que tenho a certeza, é que não têm consciência da dimensão simbólica de cada um dos passos que descrevi, mas isso fica para outra viagem com letras. Hoje começo a construir a minha nova casa... para começarem a desenhar o vosso caderno de encargos simbólico desafio-vos a queimar uma nota de pelo menos €20 euros.... porquê??? experimentem e perceberão...

6.21.2012

Alguém vai deixar de ter tempo para existir...

Trabalho è 12 anos, mais coisa menos coisa, nunca tive de ficar de baixa médica e raramente faltei. A maior parte dos meus anos de labuta têm sido uma benção e, ano após ano, têm sido magníficas as surpresas que um ano traz após o outro. Refiro-me sobretudo aos últimos seis anos, desde que sou professor. Cada novo ano é uma rotina completamente nova, um desafio inesperado e um combate sem tréguas que não nos permite adormecer nem passar ao lado do que temos de ser.

Ao longo dos anos pus em prática as mais variadas metodologias e pedagogias, investindo numa dupla perspetiva de afetividade e autoridade, num ambiente de pedagogia partcipativa. Se os resultados pedagógicos, académicos e humanos foram sempre recompensadores, o mesmo não se pode dizer do real que circunda a vida do professor, sobretudo nos últimos 3 anos.

Antes de continuar importa deixar claro que considero um privilégio ser professor e que esta profissão ainda é , nos contornos atuais de crise, a mais recompensadora e humanamente respeitada. Mas como dizia, nos últimos 3 anos temos vindo a passar por mudanças, ditas estruturais, em nome de um bem maior, a chamada qualidade da prática educativa. Primeiro foi Bolonha nas Universidades e Politécnicos, depois os cortes cegos no Ensino Básico e Secundário, sobretudo nas Escolas com contrato de Associação, e por fim o fim das Novas Oportunidades. Pelo meio, em média, cada professor perdeu cerca de 30% do seu rendimento. Todos nós sabemos, balelas à parte, tudo é feito porque não há dinheiro, não me venham com eficiência e eficácia, porque quem hoje tem emprego na Educação em Portugal, é escravo, quem não o tem é vítima. Só sei que trabalho cada vez mais e ganho cada vez menos. Não está em causa que nos tinhamos de reorganizar, mas a verdade é que depois das sucessivas reformas, os professors deixaram de ter tempo para estar com os alunos, as escolas, espaços de socialização e democracia partcipativa, estão a tornar-se espaços de ocupação de tempos livres onde os jovens aproveitam para verificar algumas matérias e conteúdos. Em vez de alunos, docentes e discentes motivados temos um conjunto de pessoas a aturarem-se sem perspetivas e vitimas da quantidade (30 alunos por turma é uma irracionalidade).

Por fim apelam à nossa participação cívica e eu pergunto, se nem tempo tenho para existir, vou participar em quê e com que tempo... e para quem me conhece estou envolvido ativamente em 8 associações... Eu falei apenas do ensino, mas isto alastra a todos os setores da vida social, embora com realidades e vivências distintas..... no meio de tudo isto.... Alguém vai deixar de ter tempo para existir... eu pergunto-me, quando é que nos esquecemos que precisamos de tempo para entender o tempo, a esta velocidade vazia acabaremos todos por desaparecer na nossa própria falta de sentido. Repito, alguém vai deixar de ter tempo para existir, ... não permitam que isso vos aconteça... na família, com os amigos, com quem amam e no que realmente têm que fazer...

6.15.2012

A cura....



Aprendi que um guerreiro "faz o melhor que pode e sabe até que o seu caminho se revele...". Quanto mais aprendo e quanto mais alimento as minhas dúvidas acredito ainda mais nesta demanda. O único problema é perceber quando é que o caminho realmente se revela.

Importa pouco onde fomos parar, importa é que estamos.... e misticismos e variações astrais à parte, importa o que fazemos com o tempo e recursos que temos no sítio e com as pessoas com quem estamos.
Numa citação mais ou menos religiosa, supostamente vimos à Terra para deixar a nossa marca e partirmos de volta a um infinito que ninguém percebe ou quer perceber. E por entre caminhos que se revelam e marcas mais ou menos declaradas vamos acabar por nos "adoentar" e deixar consumir por uma "chaga de inexistência". Vamos acabar por duvidar de nós próprios e por tudo que mexe ao nosso lado. Muitas vezes está longe de ser nossa responsabilidade, mas noutros venerados momentos nós somos os principais responsáveis pela "nossa própria doença". Nesta fase todos procuramos uma cura, uma forma de nos redimirmos e percebermos. 

Mas sabem qual é  parte divertida de tudo isto, é que a cura é mais uma ilusão emocional, mais um momento de paralisia até à doença seguinte que desencadeará a cura que se lhe segue. Nós somos a nossa própria cura, a nossa própria terapia. A força de vontade e capacidade de resiliência também de aprendem, mas as decisões continuam a ser de quem as toma, o que faz dos nossos erros um decisão inadiável na consciências que todos prezamos ter. Mesmo assim procurar uma cura não nos irá fazer mal, esse caminho tortuoso que todos insistimos em fazer, tem pelo pelo menos a vantagem de nos despertar, de nos dar a perceber o que é ilusão, o que pode ser a verdade e o que de fato é mentira. Um brinde à cura universal.... aquela que jamais será encontrada... mas que nunca deixaremos de procurar enquanto houverem portas por abrir.

5.29.2012

Fechar e abrir o livro...



Escrever a mim próprio é um exercício de insanidade, de obscura existência. Passo por uma das fases mais emotivas da minha vida, do que sou, quero ser e espero estar.
Tenho cortado enormes linhas do meu passado, não que as tenha esquecido ou colocado de lado, não... muito pelo contrário... Foram e são linhas que continuarão a existir na essência que me faz. Apenas as atenuo para dar espaço para novas linhas que quero ver escritas, não sei se melhores, não sei se piores, mas outras....
Obrigado ao mundo em redor.... e apesar das toupeiras continuarem a existir.... vou continuara fechar e a abrir o livro quantas vezes eu quiser.... só que desta vez e por escolha própria ... sozinho.......

5.26.2012

O Silêncio do Cosmos....






No silêncio fala o Cosmos
É na alma que ele que está
É na nossa falta de sentido
No rumo que não escolhemos
E que ingenuamente que nos assola.

Em dia de poucas palavras
Alimento-me do Cosmos que não tenho
Na esperança que se revele.

Por estar perdido como nunca estive
Não faço questão de me encontrar.
Nos venerados dias que se seguem
Peço inspiração só para existir
Porque já nem isso sem fazer.
Não me considero um estranho
Mas nesta falta de momento e sentido
Considero-me inóspito e desregulado
Sem inspiração para me escrever
Para te escrever..
O que vale
É que ainda há mundo lá fora,
E desta vez... eu espero que ele me valha...

E como em tempos escrevi,
Solidamente só, terei de aprender a viver no silêncio do meu Cosmos...

5.21.2012

Afinal não foi por acaso...

Só para que a minha alma não esqueça
Na última vez que me escrevi
Que te escrevi,
Contava que quando ainda não percebia o acaso
"A pequena musa deixou-me entrar
Acompanhou-me até aos aposentos
E por ali me fiquei.
Horas finitas de sono deram lugar ao meu abrir de olhos,
Olhei à minha volta,
Nem aposentos, nem estalagem
Apenas eu, depois de mais um sono perdido.
Levantei-me, preparei-me e rumei à labuta diário.
Não deixava de pensar, de me atormentar
Por aquela estranha e improvável visão, talvez sonho até...
Até que num desses corredores de rodopio,
Logo após o último abrir de porta,
Revi a face que abrira a porta durante o meu último sono..."
Foi então que percebi que continuava a dormir
Que ainda não havia acordado...

Nesse dia,
Logo após o sono me passar,
Esperei pela noite,
Esperei porque sabia que precisava de voltar a ver as estrelas,
De voltar a ouvir a voz,
De voltar a perceber os passos
Sem que para isso precisasse de olhar,
De escutar, ou sequer pensar...
Sabendo que bastaria estar.
E aquela estranha estalagem onde havia pernoitado durante os sonhos,
Haveria de servir de casa mágica
Sempre que a minha imaginação e coração precisasse
Sempre que precisasse de ver novamente as estrelas acordado
Porque nada tinha sido por acaso...
Numa viagem sem fim à vista...

5.20.2012

Foi por acaso que existe o que existe?...



Nas ruas de um caminho como nunca vi
Vi mais um caminho que  não procuramos
Nem queriamos encontrar.
Ao fundo vi uma velha estalagem abandonada,
Aproximei-me, bati na enorme porte de madeira de carvalho
E esperei que dessem por mim.
Passaram breves instantes... e num ranger incandescente
A porta foi-se abrindo lentamente, lentamente...
Uma pequena fada estava do outro lado,
Batendo asas e de face perdida.
Perguntou-me o que me trazia aquelas paragens?
O que fazia de mim presente naquele momento?
Eu no meu absurdo, não sabia o que responder,
Tinha sido levado ali pelo meu acaso,
Pela minha curiosidade,
Por um tudo e nada que se traduziam num caminho desconhecido,
Trilhado por uma par de pés famintos
Por uma esquizofrénica vontade de perceber o além...

Depois destes minutos iniciais de insano silêncio,
Regateei que precisava de pernoitar
Precisava de uma horas de silêncio
Para continuar viagem.

A pequena musa deixou-me entrar
Acompanhou-me até aos aposentos
E por ali me fiquei.
Horas finitas de sono deram lugar ao meu abrir de olhos,
Olhei à minha volta,
Nem aposentos, nem estalagem
Apenas eu, depois de mais um sono perdido.
Levantei-me, preparei-me e rumei à labuta diário.
Não deixava de pensar, de me atormentar
Por aquela estranha e improvável visão, talvez sonho até...
Até que num desses corredores de rodopio,
Logo após o último abrir de porta,
Revi a face que abrira a porta durante o meu último sono...

5.16.2012

Afinal porque fazes parte?... quem faz parte?



Era importante que cada um percebesse quem realmente importa para cada um de nós. Todas as pessoas que nos importam devem saber que nos importamos com elas, que estamos dispostos a sacrificar-nos por elas, que queremos estar com elas e que os seus passos são escutados com ansiedade para revermos a forma como sorriem para nós.

Importa pouco a distância e a forma idiota como correspondemos às suas expetativas, importa antes o essencial da afetividade que nos une, a forma como nos olhamos nos olhos e a desorientação orientada que faz a relação.
Depois importam as causas e sonhos comuns na diferença que os une, mas antes de tudo fica a máxima de que gostar de alguém é natural e sem pré-contratos, faz parte, e lembrem-lhes, a esses estranho seres de quem gostam, de que fazem parte e vocês querem que eles façam parte.... 

Para terminar, não tenham medo de se humilharem, de mostrarem que são reais.... porque se nos merecemos a nós próprios nada é ridículo, gostar de estar com alguém não é ridículo, é antes estar vivo e dizê-lo bem alto para que o mundo perceba que também ele é real.

5.14.2012

O Licórnio...

Antes de começar esta história importa recordar a lenda por detrás da mesma, o Unicórnio, também conhecido como Licórnio. É um animal mitológico que tem a forma de um cavalo, geralmente branco, com um único chifre em espiral. Tem a imagem associada à pureza e à força. Segundo as narrativas são seres dóceis. Este animal é um tema de notável recorrência nas artes medievais e renascentistas e assim como todos os outros animais fantásticos, não possui um significado único.

O unicórnio está associado à virgindade, já que o mito compreende que o único ser capaz de domar um unicórnio é uma donzela pura. Leonardo da Vinci escreveu o seguinte sobre o unicórnio: "O unicórnio, através da sua intemperança e incapacidade de se dominar, e devido ao deleite que as donzelas lhe proporcionam, esquece a sua ferocidade e selvajaria. Ele põe de parte a desconfiança, aproxima-se da donzela sentada e adormece no seu regaço. Assim os caçadores conseguem caçá-lo."

Ninguém sabe a origem do unicórnio, é uma história que se perde nos tempos. Presente nos pavilhões de imperadores chineses e na narrativa da vida de Confúcio, no Ocidente faz parte do grande número de monstros e animais fantásticos conhecidos e compilados na era de Alexandre e nas bibliotecas e obras helenísticas (Grécia Antiga).

A história que vos conto é curta, não em tempo nem alma, mas apenas nas palavras de poesia presente que convosco partilho:

O Mar compreende que existem mistérios
O Olimpo, montanha dos Deuses, alimenta existências celestes
As estrelas lêem as entrelinhas que todos temos medo de pronunciar.
Mas no mundo dos Mitos
Há caminhos dos quais não nos conseguimos desviar
Mesmo que a nossa lenda o quisesse.
Assim é o caminho do Licórnio
Um caminho obtuso e estreito que poucos cruzam
Mas que não deixa fugir aqueles a quem se revela.


O Licórnio com quem me cruzei
Não compreende línguas nem palavras estranhas
É um ser sem tempo, no seu tempo e no tempo dos outros.
Irradia a sua ternura perante o manto verde em que se alimenta
Enquanto o mundo espera que ele não se esqueça que existe.


Não tece conspirações obscuras
É belo e bondoso no espírito que transpira
Fala e conspira com as estrelas
Porque foi tocado pelos dons da magia e do magnetismo
Embora, distraído
Tenha medo de ser importante no destino que o escolheu...


Sê bem vindo Licórnio,
Aceita que nascestes para mergulhar em rios perigosos,
Para subir montanhas em só vez o topo,
Para sonhar com o que nunca sonhaste,
Para viver o caminho dos predestinados.
E não tenhas medo da solidão,
Porque eu conheço-a... e ela esqueceu-se de ti...
A solidão, companheira de legado
É o destino dos Dragões que se cruzam connosco...

5.13.2012

O fim do início... e o inicio de mais inícios...

Fez seis anos que conheci e ajudei a formar um dos grupos que me marcou de forma mais decisiva e relevante, falo do grupo infomal da PASEC, Nova Fénix, equipa que conheceu agora o seu fim.

Já animei dezenas de grupos, já integrei centenas de reuniões e dinâmicas de grupo e, sobretudo, já vi o fim muitas vezes. Os Nova Fénix e o Grupo SER - Sabedorias e Rituais deram origem ao que é hoje a Plataforma de Animadores SocioEducativos e Culturais, estrutura que congrega dezenas de grupos informais. Ambos já acabaram, embora a maior parte dos seus elementos continue na PASEC. As linhas que se seguem dedico-as por inteiro ao legado dos Nova Fénix e o que isso significou.

Os Nova Fénix produziram saber e construíram-se tendo por a sua própria indefinição e falta de rumo. Por vezes o que nos falta torna-se numa grande oportunidade e foi isso que aconteceu. Conseguimos, quase sem o querer, juntar um cardápio enorme de incertezas numa incerteza comum que nasceu das cinzas dando origem a uma nova fénix. As incertezas deram lugar a novas incertezas, as respostas que encontrávamos davam lugar a novas perguntas, e as dúvidas cresciam na igual medida em que o grupo fazia cada vez mais sentido. Mas perguntam vocês como é que tanta indefinição pode fazer qualquer sentido? A resposta simples, a diferença entre novas e as velhas dúvidas, é que as novas dúvidas eram nossas, eram reais, existenciais e parte de um caminho que estávamos a percorrer. Pelo caminho, todos os que subiram a montanha viram horizonte, ajudaram outros a subir outras montanhas e, no momento que escolheram, partiram rumo a novas dúvidas fora do existencialismo que nos fez. Foi um privilégio caminhar com vocês...

Este "foi o fim do início" dos grupos que deram origem à PASEC, nestes últimos dois meses "deram à costa" três novos grupos permitindo o "início de mais inícios" na eterna dúvida de que montanhas se seguem no próximo caminho que todos vamos traçar.

3.18.2012

O maior espetáculo do mundo




De uma forma ou de outra já todos quisemos ou procuramos ver o maior espetáculo do mundo, seja lá o que isso for. Para uns é o circo, para outros é uma boa partida de futebol, outros naturalmente escolherão uma paisagem mítica, outros ainda ficarão os curtos dias que lhes são concedidos em frente à televisão. Mas o que é realmente o maior espetáculo do mundo?


Como não existe nenhuma resposta concreta para a pergunta que enunciei fico-me pela pouca experiência de vida que tenho. De todos os momentos artísticos que tive a oportunidade de ver e participar o espetáculo "Alegria" da companhia Cirque du Soleil foi, sem margem para dúvidas, o mais marcante, brilhante e cinéfilo. Tratasse de um momento de poesia em forma de expressão corporal no seu sentido máximo, na sua forma mais opulente, numa fotografia cósmica de imaginação irradiante. O espetáculo é  conjugação perfeita de melodia, história, cenário, sonho e humanidade.

Mas uma coisa é o espetáculo que vemos e participamos, outro é o espetáculo que sonhamos, que vimos nascer, que nos dá dimensão, aquele que nos fez e se faz numa construção em que o último ato é apenas o resultado final de um caminho percorrido por muitos e sentido por todos.

Já encenei várias peças e momentos de expressão artística nos mais variados domínios. Todos fizeram sentido no seu devido tempo, na sua forma e marcaram etapas de referência. Mas a 8 de Março de 2012, na sala de espetáculos da Cooperativa de Ensino Didáxis, onde sou docente e diretor de cursos profissionais na área da Animação SocioCultural e Apoio Psicossocial, encontrei o meu "maior espetáculo do mundo". Não é que o resultado final daquele conjunto de encenações tenha sido de um mundo que não este. Não é isso. Acontece... que o momento foi a fusão de uma história de três anos que... mais do que nunca.... fez sentido.

Sempre invejei positivamente alguns amigos pelas produções artísticas que produziam e pelo processo educativo e pedagógico que os mesmos implicavam. O produto final era meritório e de qualidade e evolução dos "miúdos" com quem trabalhavam era evidente. Sinto que tive a oportunidade de atingir essa meta, de fazer parte de um percurso sólido, único, de qualidade e que foi partilhado com centenas de jovens e adultos e que a diferença...uma diferença real e marcante.

Entretanto retrato uma hora e trinta minutos antes do espetáculo começar. Entro sozinho na sala onde vai acontecer o espetáculo. Toca a música "Alegria", a tal do maior espetáculo do mundo. Estou profundamente só sentado na boca de cena. Se a paz interior existe, acho que nesse momento estava em paz.... o importante já tinha acontecido... o caminho já tinha sido percorrido.... e eu tinha tido o privilégio de ter feito aquela viagem.

2.07.2012

O mundo que nos rodeia tem um equilíbrio delicado... como preservâ-lo?

O mundo que nos rodeia tem um equilíbrio delicado... como preservâ-lo?
Por estes dia lia que mais difícil do que conseguir algo novo é conseguir preservar e elevar o que já temos ou conquistamos. Não é novidade para ninguém que somos circunscritos pelo novo, pela eterna saciedade de queremos aumentar os nossos níveis de adrenalina e de interesse pelo mundo que nos rodeia. E esses requisitos apenas os vislumbramos no novo, na descoberta de algo que volte a tornar a nossa vida interessante. E nesta demanda esquecemo-nos de quem nunca se esqueceu de nós, dos caminhos que tanto nos custaram a trilhar ou das montanhas que muito suor levaram a subir. Com isto não estou a dizer que devemos viver permanentemente na lição e façanhas do passado. Muito pelo contrário, acho que o caminho para a felicidade passa por elevar o que somos e ajudamos a construir dando sempre espaço para o que de novo o destino nos trouxer.

Nesta fase já estou a ouvir os comentários da total ausência de novidade das linhas que exponho. A mim, nobre ser desorientado, cabe-me concordar com quem alimenta em si esta ausência de novidade. De quaqluer forma todos concordarão que não é demais relembrar. E isto leva-me à pergunta e reflexão inicial: O mundo que nos rodeia tem um equilíbrio delicado... como preservâ-lo?

A resposta assenta no que já disse, mas sobretudo é um exercício de cronologia. É sempre importante lembrarmo-nos do que pretendíamos e onde queríamos chegar antes de avaliarmos o que nos rodeia. Muitas vezes vamos para além do que pretendíamos e tornamo-nos imprudentes e impacientes por algo novo que desperte o entusiasmo de existirmos. Nesta fase é importante que tentemos perceber quem está connosco, como está connosco e que ainda querem de nós. Depois devemos arranjar um pouco mais de espaço no nosso "copo cheio" para ouvirmos e prestarmos um pouco mais de atenção a sinais que nunca havíamos avistado antes. São estes detalhes que nos permitirão encontrar orientação para as nossas próximas viagens emocionais.

Para terminar é fundamental nunca traçar destinos finais, eu, pelo menos, fico-me sempre pelo que chamo de etapas ou pontos de passagem, porque destinos finais nem na morte... porque o mundo que nos rodeio está muito para além dos nossos olhos.... e o essencial continua a ser invisível aos olhos, e eu nunca fui o "Principezinho".


1.23.2012

Generosidade



Existem várias atitudes que nos fazem melhores, que nos tornam melhores, que nos transformam em seres melhores. Só recorro a estas linhas sempre que considero que há algo a dizer, e penso que o que tenho para partilhar é importante. Falo-vos do ato de ser generoso, de estar disponível, de ir ao encontro da autenticidade dos outros e do que eles são capazes de dar.

Generosidade é antes de tudo uma suposta virtude de acrescentar algo ao próximo. Generosidade não significa dar, significa partilhar o que é nosso, o que nos é precioso, o que nos faz falta, o que temos de melhor e queremos disponibilizar aos outros na forma de tempo, de magia, de loucura, mas sobretudo na forma de dom, porque ser generoso é um dom.

Segundo René Decartes, na sua obra Tratado das Paixões e também nos Princípios de Filosofia, a generosidade é apresentada como um despertador do real valor do "Eu" e ao mesmo tempo como mediadora para que a vontade se disponha a aceitar o concurso do entendimento, acabando assim a causa do erro. Digamos que passa a ser um conceito de mediação entre a vontade e o entendimento.

Mas filosofias à parte experimentem ser generosos... primeiro disponibilizem o tempo que não têm, segundo procurem o que realmente vos faz falta, terceiro, tentem perceber se o que são faz falta ao mundo que vos rodeia... Como diria Raúl Solnado, "façam o favor de ser felizes", eu acrescento, "e generosos".

12.21.2011

Aquiles e o seu calcanhar maldito

Procuramos todos as nossas raízes, donde viemos para onde vamos e se de fato tudo o que fizemos faz algum sentido. Não vos vou fazer perder tempo a refletir e dissertar sobre o que sendo importante não importa nada porque só nos faz perder tempo.

Por estes dias tenho tentado voltar às minhas raízes, recordar o meu berço e os contextos que me fizeram ser... e reitero ser....

Ser, sermos, implica magia interior, intuição, vontade de tentar perceber o que nos rodeia e por quem nos fizemos rodear.

No campo da magia interior não encontro medos absurdos, só velhas recordações de adolescência em que recordo a fraude que quis ser e forma como a queimei num inferno inexistente.

No campo da intuição vejo tantos símbolos existenciais que tenho dificuldade em perceber os meus. Olho para os olhos que me orientam e percebo que os símbolos nem são a razão que nos conduz, somos nós que conhecemos e orientamos os símbolos, constatando o seu poder e a forma como o canalizamos. Dizem agora vocês, que raio é que ele está a dizer? Tento explicar de forma pessoal que a nossa intuição está presente nos nossos detalhes e que estes são representados pelos símbolos que só nós e a nossa índole reconhece. 

Ao viver a vontade de tentar perceber o que nos rodeia  percebo que os meus sonhos quase que deixaram de existir, pernoitam noutras longitudes servindo o meu horizonte e o horizonte de quem lhes quiser dar sentido.
Para terminar recordo Aquiles e o seu calcanhar maldito. Nessas dores místicas mantenho três cicatrizes... a de um lobo abandonado, a de um cisne sem asas e a de um símbolo com rosto desfigurado.

11.28.2011

Ter um um rumo implica derrotas e indefinições dolorosas...

Quantas vezes já nos indicaram a porta de saída, que estávamos a mais ou que já não valia a pena enfrentar-mos o próximo desafio. Estes contextos não são novidade nenhuma, umas vezes foram os outros que nos deram a conhecer este enigmático conjunto de ideias, outras vezes foram os amigos que muito estimamos, outras ainda foram a força das circunstâncias. Normalmente o que varia é a força com que deixamos com que esta força inexplorada nos invada o nosso coração simbólico impreparado.

Gosto de acreditar que conheço o meu rumo, não o destino para que ele me leva, mas o rumo para o qual ele me orienta. Este gostar de acreditar vai-se tornando em crença e esta crença em fé e acabamos todos a perceber o porquê da religião e da mística existência de cada humano.
Independentemente de vir a mudar de direção nos próximos épicos episódios da minha eternidade a verdade é que acredito no meu rumo e devo ter o discernimento de perceber que este implica derrotas e indefinições dolorosas. Quando falo de derrotas não falo de perder, falo de ceder ao óbvio, de permitir que o meu errado dê lugar ao meu certo, de seguida ao importante manifestando por fim o essencial. Quando falo de indefinições dolorosas falo das imperfeições que quem nos faz sofrer, de quem fazemos sofrer, dos que nos guiam e daqueles que guiamos. A este rumo que assumo com dúvidas mas sem rodeios entrego 3 ideias humanas, simples e essenciais: amar, aprender e partilhar.


11.10.2011

Ou somos ou não somos...

Vivemos tempos de austeridade financeira, económica, social e ideológica. Mas o mais incomoda é que vivemos graves tempos de austeridade humana, traduzida na falta de valores, na falta de ambição (a boa), na falta de oportunidades e na falta de momentos para realmente sermos humanos.

O mais triste é ver amigos, família e pessoas de que gosto a serem arrastados na enxurrada por dramas como desemprego, a depressão e o "contar de trocos" diário rumo à sobrevivência.

Mas se esta época é pródiga em austeridade não é menos generosa no excesso de desculpas e na falta responsabilidade. Mas para que fique claro não me refiro aos 80% de seres humanos que não escolheram ser líderes, nem aos outros 15% que são políticos, lideres das multinacionais ou ainda opinadores televisivos. Refiro-me apenas aos 5% de humanos líderes que realmente podem fazer a diferença, que escolheram fazer a diferença e têm por obrigação fazer a diferença porque sem estes o caos não será uma escolha, será a usualidade dos nossos dias.

Como não posso falar com todos os 5%, porque felizmente ainda são alguns milhões, dirijo-me a apenas alguns deste humanos líderes, pessoas de excepção, amigos próximos e parte da minha vida.

Também estes se deixaram levar por uma espécie de austeridade mental deitando por terra a maior qualidade que tinham, o fato de terem escolhido serem importantes na vida nos outros. Rodeiam-nos com um discurso redondo sobre imaturidade, que se trata de algo de novo e que precisam de tempo para aprender e sobreviver. Este discurso até seria justo se procurassem de fato aprender em vez de vegetarem na sua própria depressão existencial e emocional.

Todos nós humanos líderes, temos momentos de rutura, de passagem, de menos impacto... mas quando somos nós que escolhemos entrar na vida dos outros, de dar voz aos outros e às suas causas... falhar a essa responsabilidade não só é estúpido como inconcebível, visto que fomos nós que nos chegamos à frente sem que ninguém nos tivesse apontado uma arma.

Por estes dias tenho convivido com um desses humanos líderes, que apesar da sua importância e bom exemplo, (e não ponho em causa a amizade que nos une) se começou a centrar nos seus próprios detalhes, deixou de querer aprender, deixou de ambicionar, atingiu níveis de negligência inimagináveis e deitou fora em semanas tudo o que demorou anos a construir. Escolheu ser líder a reboque na desculpa do tal discurso redondo sobre imaturidade, que se trata de algo de novo e que precisa de tempo para aprender e sobreviver. Então repito, este discurso até seria justo se tivesse de fato procurado aprender em vez de vegetar na sua própria depressão existencial e emocional. Quando escolhemos a causa pública não há família, idade ou preconceito que justifiquem a nossa falta de iniciativa, sentido prático e egoísmo narcisista.

Ou somos ou não somos.... o nosso discurso até pode ser enviesado e a nossa atitude mal disposta desde que não percamos o sentido da ação militante em prol da causa que abraçamos... mas paralíticos na desculpa de existirmos é sermos iguais aos que tanto criticamos, é sermos iguais aos parasitas que desprezamos.

Para que também restem dúvidas e não achem que estou acima destas críticas, contra mim falo, porque não sou imune a estas desditas contradições.... começo como titulei "ou somos ou não somos". 

10.27.2011

Há um tempo para tudo e para todos...


Há um tempo para tudo e para todos. A vida é extremamente generosa mas o ser humano é perito em desperdiçar o tempo em crises existenciais inexistentes justificadas pela idade, pela falta de maturidade, pela falta de oportunidades, pela falta de tempo ou disponibilidade ou ainda pela falta de saberes. Tudo isto é verdade, mas não serve todas as causas nem todas as situações. O caminho da espiritualidade é uma destas.

Sou católico não praticante e um péssimo exemplo de praticante da doutrina cristã, mas de uma forma geral revejo-me nos princípios doutrinários da fé católica. O meu trilho espiritual está mais ou menos por entre o caminho que intercepta o espírito e a consciência humana vulgar e a magia que torna os homens e mulheres seres místicos conscientes que o próximo desafio é sempre o mais decisivo.

Chamo a este estranho caminho Simbologia. Explicando de forma simples, acredito que escolhemos a linguagem dos símbolos para explicarmos o que somos mantendo ao mesmo tempo a ideia de que não sabemos o que realmente somos. Os símbolos são essa linguagem metafísica, constante e subjectiva, que ao mesmo tempo que nos perturba e abre caminhos.

Introduções à parte, a Simbologia na sua dimensão grupal acabou por se tornar numa metodologia de vida que partilho com todos os que me são próximos. Por entre todos os seus defeitos, tem duas grandes virtudes que de forma simples e brilhante foram, por estes dias, partilhadas por duas amigas de caminhada, para registo, a Susana e a Elisabete. Diziam elas: "A Simbologia Grupal é um processo contínuo que não nos paralisa mas nos obriga a reinventar constantemente, apelando ao nosso constante contributo no seio do grupo a que estamos ligados." (Susana); " A maior qualidade que encontrei nas técnicas de Simbologia Grupal foi o facto de juntar pessoas dos 8 aos 30 anos numa reflexão partilhada e combinada de emoções em que todos se percebem independentemente do nível a que supostamente estão" (Elisabete).
Não foram bem estas as palavras que transmitiram, mas o conteúdo era este.

Voltando à ideia inicial do texto "Há um tempo para tudo e para todos", nesta caminhada uns ficam na primeira estalagem, outros ficaram a meio das suas próprias palavras, outros nunca perceberam o que ajudaram a construir. Porventura é pela idade, pela falta de maturidade, pela falta de oportunidades, pela falta de tempo ou disponibilidade ou ainda pela falta de saberes. Sinceramente nem quero saber, o fundamental é que todos percebam que "Há um tempo para tudo e para todos", e se o caminho que escolheram é o da Simbologia Grupal, o vosso grupo, o vosso estado grupal é a essência que vos alimenta. Se não existe ou não se revêm nele significa que o vosso tempo nesse Cosmos já foi... procurem outro e preservem os laços...