5.26.2011

Cosmos

19 Abril 2011


Durante séculos a escuridão permaneceu intacta, silenciosa em torno do seu próprio interior e nada fazia alterar o conteúdo da sua existência. Vivia programada de acordo com a rotina do seu dia-a-dia e nada fazia despertar a sua curiosidade íntima, a sua essência natural e misteriosa. Até que em determinado momento, algo inesperado, capaz de despertar o seu interesse interior acontece.

Num amanhecer, aparentemente comum a tantos outros, a escuridão acorda fria e vagarosa, mas ligeiramente incomodada por uma sensação invulgar, jamais sentida anteriormente. Por incrível que pareça, a escuridão sentia-se vigiada, o modo como se expressava, o próprio comportamento era ponto fixo para quem a observava.

Então, sozinha, a escuridão comenta consigo mesma:

- Que estranho, nunca me tinha sentido assim, sinto olhares estranhos sobre mim.

Até que surge uma voz quase como inexistente, mas ao aproximar-se sentia-se a força expressa na voz.

- Não tenhas medo escuridão, apenas quero ser tua amiga. Sabes, há muito tempo que vivo aqui, mas nunca consegui encontrar ninguém, cheguei mesmo a pensar que seria a única a cá morar. Mas parece que estava enganada.

Enquanto, a voz misteriosa se aproximava o coração da escuridão foi abrandando, até estabelecer o seu ritmo inicial, já que agora conseguia ver o rosto da voz que falava com ela.

- Quem és tu? E o que fazes aqui? – Perguntava a escuridão ainda num tom de voz tímido.

- Olá, sou a Lua e procuro alguém, preciso de encontrar alguém com quem possa falar, já não consigo viver sozinha por muito mais tempo. Sabes quando sentes que deixas de existir porque que te falta algo, e no meu caso falta-me a presença de quem amo. Sempre precisei de viver em grupo porque só assim sou feliz, sem isso não consigo brilhar.

A escuridão percebendo e identificando-se com a situação da lua permitiu que o diálogo prolongasse por várias horas, tendo a lua pernoitado por ali durante uns dias.

Cada dia que passava a lua sentia-se feliz e acolhida pela escuridão. E foi então, que perdeu a ideia de que a escuridão não existe apenas num sentido negativo, mas sim num sentido de conforto. A lua passou a ver o escuro como meio de reconhecer as luzes mais fraquinhas, luzes essas, que desvendam segredos, a partir dos quais surge o inesperado – a própria magia.

Posteriormente, as luzes são ténues, quase inexistentes no universo devido à imensidão do escuro, mas que, no entanto, aparecem como um sinal de vida, alcançando um brilho intenso e bastante significante em tudo o que precisa de vida e de ser descoberto.

Neste sentido de descoberta a lua refere-se ao planeta Marte, sendo o planeta que se encontra à descoberta. É o local onde se espera que haja possibilidade de existir vida.

Em contrapartida a lua também se refere a um outro planeta, mas algo que não se consegue descobrir na sua totalidade e que nunca ninguém consegue desvendar por completo. As suas características são muito complexas, apesar de aos seus olhos tudo parecer simples e tão básico.

Mas não existem planetas sem os seus meteoros e estes ao colidir na terra torna-se brilhantes porque se transformam numa estrela cadente, mas só por alguns segundos, porque o seu brilho é dado só para quem está atento e para quem o quer ver. Requer muita atenção e paciência para a analisar.

Contudo, a lua acrescenta ainda nesta lógica, o eclipse, uma espécie de conflito que nada permite ver, nem a lua nem o sol. Quando ambos se juntam na linha do horizonte não permite transparecer nenhum sentimento. Pode significar aos olhos dos simples um fenómeno cruel porque a luz torna-se ausente, mas é o maior fenómeno existencial na vida humana.

E na sua lógica, a lua termina com o buraco negro, no sentido de que acolhe o que esta disperso no universo e que faz sentido unir para dar o significado à grande expansão que é o Cosmos.

A escuridão ficara atónita com o que acabara de ouvir nos últimos dias, e esforçava-se continuamente para conseguir compreender tudo o que aprendera.

A aprendizagem fora muito simples: durante séculos a escuridão não vivera, pois tivera medo de avançar, de partir à descoberta do que inicialmente ainda era desconhecido, e que por isso a atormentava, limitando-se assim a viver na sua redundância insignificante. Percebera agora que não existe nada melhor e mais intenso do que viver em grupo. A vida em grupo é das melhores experiências de vida que qualquer um de nós aqui presente nesta sala pode ter ao longo da sua pequena eternidade. Principalmente, nos grupos que aparentemente, nada têm em comum. Aqui fica o testemunho de mais uma experiência, de mais uma vida, de mais um grupo. O grupo Cosmos!

(texto escrito pelo Grupo Cosmos - PASEC 2011)

5.09.2011

Coimbra intemporal...

Faz hoje dez anos que foi o meu Cortejo Académico, o dia de todas as "santas bebedeiras", aquelas que até o encarregados de educação não se importam de mencionar.

Sempre vivi numa especie de sindicalismo académico...   vivia a Queima das Fitas com alma e horizonte mas sempre numa especie de pré-responsabilidade relativamente à praxe. Mas verdade seja dita o simbolismo académico só começou a fazer sentido quando já estava eu no terceiro ano da universidade. Momentos como a Serenata Monumental na Sé Velha de Coimbra, o traçar de capa  que marca a passagem de caloiro a doutor, o Cortejo Académico que marca a ligação entre o mundo académico a cidade e a família que paga os nosso exageros ao fim do mês, foram momentos que só compreendi quando o meu fado de Coimbra era já o de partida. Dizem que Coimbra tem mais encanto na hora da despedida, eu digo que faz mais sentido na hora dos regressos não programados.

Coimbra é uma feira de vaidades mal compreendidas, é um laboratório de relações humans que demoramos tempo a entender e assimilar. Coimbra Académica é uma Universidade que subjuga uma cidade, é a "intensidade" de momentos que nos ligam a nós próprios e aos regressos que nos fazem melhores.

Continuo a entender a realidade académica como um mundo de farsa que nos tenta preparar, sem o conseguir, para uma sociedade de rutura e instabilidade total. Coimbra é intemporal e com todo o tempo do mundo para nos voltar a dar o tempo que nunca tivemos. Num mundo em que o tempo de hoje é o do ontem diário, Coimbra é a excepção que confirma uma regra absurda.


Por estes dias partilho o meu tempo com Dragões Azuis, Tigres perdidos, Deuses do Egipto Antigo... tempo limitado mas que me permite mais um regresso que me faz melhor no pecado dos meus dias com os que me são mais próximos.

5.04.2011

Persistir... com o nosso tempo... (para a Cavaleira Grifo)

Enquanto adormeces,
Enquanto pernoitas na tua própria falta de sentido
És a senhora do da tua desdita e confusa singularidade.
Enquanto te escarneceres,
És o irromper e manar da tua própria alucinação
Continuando a fluir para longínquas conclusões
Espezinhando a tua presença
E os outros que adulteramente te honram.

Viajas no constante situacionismo de te concluíres
Sem conceberes que precisas de uma chave,
De um trespasse que te possa transportar
Da saída que te permita entrar.
Só comprometendo esse êxtase lunático de trevas
E abonando a tua essência no persistir
Te permitirás.

Persistir é um quadro mal pintado,
Uma parede de uma cidadela inacabada,
Uma orquídea de um Éden abandonado,
Uma letra de um poema jamais redigido,
Uma noite de um tempo só nosso.
O persistir não se desvanece num epílogo mas num incremento,
É o sangue da nossa conquista, do nosso triunfo
É o  talvez da chave que procuramos,
Não nos conclui, mas compromete-nos com o tempo,
Com o nosso tempo...
Um tempo de amigos,
Um tempo de compromisso,
Um tempo de que ambos iremos fazer parte...

4.23.2011

Sou o que sou em virtude do que todos somos...

Partimos à aventura como se fosse a primeira vez…
Equipamos a alma
Alimentamos o espírito
Unimos o que nos separa
E voltamos à montanha do silêncio.

Ao subir a montanha
Desafiamos a nossa criatividade
O nosso tempo
A nossa existência como grupo
Os sentimentos que nos unem.

Ao rever o horizonte
Limpamos a mágoas
Saramos as feridas
E preparamo-nos para a própria subida
Para a próxima viagem
Que nos fará começar outra vez
Sendo novamente, em virtude do que todos seremos.


4.05.2011

Há dias em que se pudessemos enforcavamo-nos vinte vezes...

Há dias em que se pudessemos enforcavamo-nos vinte vezes, mas não seria um enforcamento qualquer, seria algo de glorioso para todos verem e que marcasse de modo inigualável quem pudesse assistir ao momento. Mais rídiculo que este pensamento é lembrarmo-nos da quantidade de vezes que damos conselhos aos outros e da quantidade de vezes que fazemos exactamente o contrário só porque somos especiais e naquele momento de insanidade nada fazia sentido.

Se ser disciplinado existe, é nesta horas que revelamos o que a nossa integridade realmente vale. Nesta matemática cósmica foco-me no que tem de ser (e sabemos que "isso" tem sempre muita força!!!) e no essencial que nos faz levantar todos os dias e que faz a vida valer a pena.

Por estes dias o que tem de ser é o meu emprego que me abre portas, fecha tempos, mas me realiza... o essencial que me alimenta e liberta a alma é a "tropa de elite" com quem partilho os meus dias, que me desafiam constantemente e me obrigam a não baixar a guarda porque não tenho o direito de frustrar as suas expectativas. Felizmente que o meu essencial me transporta ainda para Cavaleiros de aventuras épicas, para uma família que continua a transportar o meu farol, para amigos muito "melhores que eu" e para uma consciência que me faz procurar o meu próprio silêncio. E se me permitem a oração "no silêncio fala Deus, é na alma que ele está..." e como pecador que sou, limito-me ao silêncio porque Deus já tem problemas que chegue para lidar. 

3.11.2011

Perceber que ao fim de dez anos começamos todos os dias…

O tempo passa como um furacão e nem nos apercebemos que com o tempo fomos ultrapassados pelo próprio tempo sem que o nosso próprio tempo desse por isso. E é nesta confusão de processos que acertamos, erramos, redescobrimos, filtramos e alcançamos caminhos. E reforço a ideia de caminhos porque os lugares onde de paramos são meros pontos de passagem numa constante cavalgada que só termina no dia em que paramos de nos penitenciar pelos erros que cometemos.

E é um pouco sobre esses erros e acertos que todos cometemos ao longo do caminho que gostaria de reforçar na reflexão de hoje.

Fez no dia 7 de Março de 2011 10 anos que nasceu o Grupo Cavaleiros numa espécie de segunda versão. Quando digo segunda versão refiro-me ao facto de que na origem da PASEC esteve o grupo informal Cavaleiros que conheceu o seu início por volta de 1994, embora as iniciativas mais significativas tenham começado em 1996. E foi devido à acção do primeiro Grupo Cavaleiros que nasce em 2001 este novo grupo, na altura com o nome Mini-Cavaleiros Campeões.

Mas o tempo passa e em meados de 2005 o grupo Cavaleiros conhece o seu epílogo. Os Mini-Cavaleiros continuam, tendo alterado o nome para Cavaleiros em 2007. Substância histórica à parte, entre 2001 e 2011tudo mudou, embora muitos dos pilares permaneçam os mesmos, um deles o processo de educação não formal que esteve na origem do grupo.

O grupo tem hoje dez elementos, mas foram largas as outras dezenas que em determinada fase do seu ciclo vital o compuseram. A juntar a estas dezenas de crianças e adolescentes foram também alguns os Animadores que o grupo conheceu, pelas minhas contas cinco: primeiro o Bernardo e a Mayra, seguiu-se o Luís, mais recentemente a Patrícia e hoje a Bruna. De toda esta panóplia de personagens, ficaram para contar a história desde os primórdios, o Bernardo, que não sendo Animador do grupo é hoje Vice-Presidente da PASEC, e o Bruno, a Ana e o Alexandre, que têm dez anos “de casa”.

Pelo meio deste caminho cheio de desvios, devaneios, momentos ocultos, cerimónias irreais e experiências avassaladoras foram muitos os erros de casting, as “metidas de para na poça” e os enganos que nos magoaram, deram forma e nos trouxeram até ao que somos hoje. E vou começar por abordar esses mesmos erros na pele de Pedagogo e Animador.

O papel de Animador pode ser ingrato porque a influência e papel que desempenha na vida de cada um dos elementos do grupo está sempre na fronteira entre o que é certo e errado, na linha que pode separar um processo de manipulação de um processo de emancipação e capacitação. Estive já certamente nas duas situações, mas o que torna legítima este nosso papel que pode cair para qualquer um destes lados?

Não é fácil responder porque não podemos avaliar o nosso desempenho apenas com base nos resultados que alcançamos, estes são sempre variáveis e dependem dos olhos de “quem os vê”. Penso que a resposta mais simples é termos a consciência de que tudo o que fizemos, independentemente dos resultados, foi com a intenção de deixar o mundo “um pouco melhor do que o encontramos”, aceitando os nossos momentos de “soberba” como fogachos que servem de lição e as fortalezas humanos que ajudamos a erguer como um privilégio que nos permitirá cumprir mais uma etapa do papel que escolhemos desempenhar.

Não vale a pena nos assumirmos como plenos de boas intenções porque mesmo que em boa parte da nossa acção tenha por base os nossos bons intentos já todos erramos e assumimos posições “absurdas” conscientemente pelas mais variadas razões. Eu não sou diferente. E é na consciência destes factos que podemos diagnosticar a qualidade do trabalho que realizamos. È no conhecimento das causas e consequências do mau trabalho que fizemos que melhor poderemos avaliar os bons trabalhos que estamos a fazer e mais importante, que queremos e perspectivamos fazer.

Com o tempo este estado de consciência assume o formato de “alarme introspectivo” que nos mantém alerta sobre nós próprios, não permitindo que o absurdo vença em formatos ainda mais absurdos. Claro que como todos os sistemas de alarme, este é igualmente falível, mas reajustável e flexível na igual medida da nossa experiência. Consoante as etapas que percorremos, este mecanismo tornasse cada vez mais complexo, completo e capaz de nos auxiliar num maior e mais vasto conjunto de situações.

Assim, tendo por base os pressupostos anteriormente referidos, tenho orgulho nos caminhos que ajudei a traçar, nomeadamente no Grupo Cavaleiros actual. Mas este “quase sucesso” eternamente inacabado só se proporcionou porque tive a oportunidade de experimentar, de testar em Laboratório as formulas que considerava mais ajustadas, combinando-as com a partilha de experiências com “Mestres de Caminhada” que me formaram e permitiram perceber e interpretar outros saberes e fórmulas de que hoje faço uso. A consciência destes dois suportes (de que precisamos de ter a oportunidade de experimentar e a humildade para a aprender) auxilia-nos a perceber quando precisamos de ajuda, informação ou mudar de caminho, porque em alguma fase do nosso percurso estivemos, fizemos parte ou fomos interpelados pelo caminho de outrem.

Compete-me agora abordar a antítese do erro, o “darma” (prémio) de dez anos a acompanhar o Grupo Cavaleiros, as lições, o “legado”, a pedagogia implementada, porque não é tão usual assim um grupo informal de jovens subsistir e se erguer no tempo acompanhando as diferentes fases da vida dos seus elementos.

Para começar é preciso ter alguma sorte, depois muito entusiasmo e por fim o compromisso de que queremos aquele caminho. Depois de conjugarmos todos estes factores é essencial percebemos e termos a noção de processo e que este se constrói com base nas relações humanas, porque antes de tudo estamos a trabalhar com um grupo de pessoas que procuram a sua satisfação e realização pessoal.

Conscientes que estamos perante um processo grupal, este deve ter como ponto de partida as histórias de vida dos elementos do grupo, a suas experiências, as suas capacidades naturais. Um plano de acção inicial com base nestes pressupostos permitir-nos-á perceber o que o grupo como um todo realmente quer, para onde pode caminhar e onde deve e pode ser reorientado. E depois, é deixar o grupo crescer, errar, voltar a errar, tentar e por fim, se houver tempo, acertar. Com o tempo a relação de aprendizagem vai mudando, sendo que o que sentimos que estamos a dar e “ensinar” assume uma natureza recíproca. O Animador deve assumir uma postura de abertura e disponibilidade para aprender com o grupo que está a orientar, mesmo que não o demonstre. As lições mais valiosas para gerir um grupo estão nas entrelinhas de uma conversa, no detalhe de uma acção que nos passou ao lado, no resultado que não previmos. O grupo nunca é sobre nós, é sempre sobre “eles” e de que modo “eles” e “nós” somos ao mesmo tempo.

Durante este processo de descoberta mútua o Animador deve estar preparado para as encruzilhadas do caminho, sobretudo aquelas com que nunca lidamos. Exemplos, imaginem que descobrem que um dos elementos do grupo se emergiu no universo das Drogas, que um deles foi preso ou ainda que um deles é vítima de violência doméstica. O que fazer numa destas situações para as quais nunca fomos preparados? A resposta pode ser impossível, mas a nossa presença é inevitável. Por outras palavras, independentemente dos apoios e suportes que procurarmos para lidarmos com a situação no concreto, a nossa presença na relação directa com o problema é a oportunidade que temos para aprender, mais uma possibilidade que temos para fortalecer os laços em quem confiou em nós e sobretudo para testarmos a nossa resiliência, persistência, capacidade para gerir as nossas próprias frustrações e momentos de crise comuns.

Durante este caminho vamos ainda aprender a desaprender, a deixar de parte os preconceitos, a não considerar receitas universais (porque cada caso é um caso, e cada problema tem uma resposta diferente) e sobretudo a equilibrarmos a forma como abordamos os problemas criando uma matriz própria assente em valores que partilhamos com o grupo. Ao mesmo tempo vamos aprendendo a gerir a nossa Inteligência Emocional sem nunca descorar o processo formação contínua de melhoria e ampliação do quadro de técnicas pedagógicas que dominamos.

E entre todas as coincidências, acertos e erros, a principal lição que fica é que mesmo ao fim de dez anos continuamos a começar todos os dias… fazendo do amanhã o desafio seguinte que nos desperta o entusiasmo e o compromisso com base na fé que nunca é sobre nós… é sobre “eles”… porque afinal sou o que sou, em virtude do que todos somos.

2.05.2011

Diários de Kayseri, 2ª Serie - Parte VI - "A montanha das vertigens..."

O dia 6 assinala a contagem descrescente para a casa da(o) partida/regresso. Foi das semanas mais intensas que poderia imaginar pela "misturada" de emoções, dores físicas, experiências irrealistas e momentos do oculto, como ir a uma consulta no dentista às 2 da manhã (só na Turquia). Hoje, pela manhã, fomos para 4000m de altitude, para o Centro de Ski, o que só por si alimenta os sonhos de qualquer um. Estavamos ansiosos devido ao facto de ainda sermos virgens nestas andanças, eu pelo menos só experimentei "sku" e não me dei muito bem.



Entramos para o autocarro e "bora" montanha acima. Pelo caminho converso com a Pelin, a companhia de "amena cavaqueira" por estes dias, trocamos impressões, até que me calo e coloco a minha vista no Sol intenso que acaricia e nos faz vislumbrar a enorme montanha. Nos últimos minutos de viagem perco-me na imagem das imensas montanhas cobertas por mantos inebriantes e intermináveis de neve.

Finalmente chegamos ao Centro de Ski, "brutal"... passados alguns minutos embarcamos no teleférico rumo ao cume da montanha e perdemo-nos a ver a pequena humanidade, a nossa própria insignificância e paramos o tempo para registar a nossa idiota carapaça no topo de tudo o que já conseguimos atingir nesta frágil cápsula que habitamos na Terra... eu pelo menos nunca tinha estado a 4000 metros. 

Chegados de uma viagem que nos registará no nosso próprio tempo fico indefinido.... ski ou mota de neve?.... tem mesmo que ser uma mota de neve.... e como num filme digno de Bond acelaramos a mais de 100k colina abaixo sem mais ar para respirar, subimos a pique... saltamos e "malhamos" e era como se todos os ossos me tivessem saltado do corpo. Foram minutos, mas a adrenalina foi....!!!!!!!!!!! preciso de repetir... ai espera... esta "cena" custa dinheiro.... vou ter que parar porque a carteira não se estende mais.

Após o apocalipse das neves e de todas estas "vertigens", segue-se a competição final... polacos a dinamizar. O resultado o costume, vencemos um e ficamos em segundo noutro jogo. E finalmente sentamo-nos ao sol com a neve como sofá de improviso. São quase 15h da tarde, tempo de ir almoçar. Depois intervalamos longamente, estamos em grupo e jantar final. Segue-se a Noite Intercultural de despedida. Foram dias para guardar no baú dos desejos, a esperar que mais se repitam. Segue-se dia 7, uma viagem de mais de 15h até Portugal. Até à próxima aventura....

Diários de Kayseri, 2ª Serie - Parte V - "Se a perfeição matasse, morria hoje..." - Continuação

Ontem a ausência de força mental, física e espiritual não me permitiu acrescentar mais linhas a um dia que marcará a minha incauta memória para os milénios que nunca terei. Sei que sou refém das minhas próprias palavras, mas queria retocar a questão da organização das actividades por parte dos nossos amigos turcos. Parece que tinham guardado tudo para ontem, foi um dia interminável, em todos os seus gigantescos sentidos.

Abrimos a manhã em Adana onde participamos num Workshop de Olaria Tradicional, momento único para descontrair e perceber o jeito que não temos para esta arte, mas foi irracionalmente divertido. Numa busca por aquela especie de gruta onde está instalada a loja dou de cara com réplicas das tabuletas da antiga civização suméria superiormente detalhadas. Para perceberem a importância destes itens históricos, boa parte das histórias do fim do mundo das últimas décadas e das próximas que se seguem tem a sua base nos antigos cultos sumérios que falavam de seres celestes que emergiam da luz para orientar o ser humano pelos caminhos da iluminação. Depois de ter estudado o assunto, é desafiante poder reorganizar as nossas aprendizagens no terreno, no concreto.
Seguimos para Nevshir, o coração da mítica Capadócia, a região das lendas, dos rochedos humanos, de mistérios que até hoje não entedemos. Após o almoço fomos recebidos no Centro Juvenil de Nevshir e presenteados com música tradicional turca ao vivo. Dançamos, fingimos que cantamos, agigantámo-nos com o sempre complementar chá. E muitas fotos após trocamos presentes. Seguiu-se uma recepção por parte do Secretário Regional da Educação e Juventude. Entretanto avançamos para o coração da Capadócia, o que me povoava a mente desde que aqui cheguei.
O autocarro começou por subir por entre ruas estreitas, cada vez mais devagar até que... uma enorme estrutura rochosa amarelada povoada por neve se ergue imponente por entre a paisagem. Saimos do autocarro deixamos o queixo fazer a vénia de expressão e espanto perante aquela magnitude.... esperem... dou a volta e aquilo não acaba... dezenas de kilómetros de construção esculpida dentro da própria rocha, num interminável desfiladeiro de formas que nunca tinha visto, abençoadas pela Natureza e adornadas por um Homem que ainda compreendia a Natureza e o seu equilíbrio. A partir daí a tarde foi uma interminável viagem ao início da humanidade, das antigas construções com mais de cinco mil anos à visita de um simpático camelo. São kilómetros de túneis, entradas em todos os recantos, como se este maciço rochoso fosse um enorme corpo vivo e os humanos que aqui habitaram o seu sangue.
Parto em piloto automático... paramos numa antiga Casa Otomana para tomar chá.... e segue-se mais um dia de competição, desta vez organizada pelos romenos e... novamente... em três jogos, os portugueses venceram dois... por favor alguma competição. Sei que estou a ser sobranceiro, mas é só para acrescentar texto. Nesta altura para todo o grupo já nem se importa de quem ganha.
Eis que quando pensava que nada mais me poderia deslocar da realidade, o jantar de 3h30m (começou as 20h locais e terminou as 23h30) deslocou o único vínculo que ainda tinha no espaço terreno. Entre práticos típicos assistimos a um espectáculo de dança tradicional turca que revivia as suas antigas lendas, histórias e heróis. Os momentos acrobáticos, o ambiente harmonioso, a companhia, a interacção, o esplendor de não ter que pensar para derreter cada miligrama da aura que esquecemos durante a semana banal do nosso dia-a-dia, o clima de cumplicidade de pessoas que comunicam pela forma como se olham, deixaram que não consiga encontrar semântica para acabar esta parte... foi de perder o fôlego (fotos no artigo anterior).



Dia 6, hora de Sky, espero sobreviver para contar como foi.... obrigado à Fada dos Dentes por esta pausa nas dores....

2.04.2011

Diários de Kayseri, 2ª Serie - Parte V - "Se a perfeição matasse, morria hoje..."

Palavras hoje não conseguem descrever a grandeza deste dia, estou muito cansado e preciso de cama, o que é um óptimo sinal ficam as imagens e a reflexão fica para amanhã se houver tempo... a perfeição não existe, mas este dia está longe de existir... foi um privilégio vivê-lo...









2.03.2011

Diários de Kayseri, 2ª Serie - Parte IV - "Dores de Anjo da Guarda"

Passaram quatro dias mas parece uma longa temporada. Por um lado é óptimo porque somos capazes de ver todo o tempo a passar, perceber cada minuto e reavivar a memória com o que temos por cá e o que deixamos por lá. Por outro lado revela um lado menos positivo... sem querer ser propriamente impertinente, já participei e realizei dezenas de campos internacionais, inclusive aqui na Turquia... mas a falta de organização e ideias nesta actividade é inesperada e no mínimo faz-me pensar se sou eu que estou mal habituado. Não me interpretem mal, porque estou a viver intensamente cada momento, mas pelo grupo que aqui está, que é excelente, dos organizadores salvasse a simpatia e facto de serem atencisosos. Fico a imaginar o potencial deste campo internacional com os organizadores certos, porque o grupo tem muito para dar. Para exemplificar, todas as noites são livres para fazermos o que quisermos depois do Jantar, que é às 18 horas locais. Não me queixo, porque me deixa tempo para delirar o que me apetecer, mas não deixa de ser uma oportunidade desperdiçada. Repito, provavelmente sou eu que estou mal acostumado.

Fora este tipo de comentários, a minha dor de dentes virou obsesso, uma estreia no meu rol de sintomas ligados a problemas dentários, espero que melhore amanhã.

Segundo dia de competição e mais uma vez Portugal a dominar, sem qualquer tipo de exageros. Hoje fomos nós a organizar. Começamos com uma dinâmica de quebra-gelo com o suporte de balões, seguiu-se um jogo em que revivemos o tempo dos Descobrimentos e acabamos com uma Workshop de Kendo. Mais do que se terem divertido, todos foram capazes de perceber até onde conseguem funcionar como equipa. O resto do dia foi passado em visitas temáticas desenquadradas da dinâmica que nos trouxe cá (desde a visita à companhia de águas, passando por alguns momentos de espera despropositados).

Mas as dores que me têm acompanhado trazem de volta a humildade que por vezes o ser humano despreza, sentimento do qual não passo ao lado. Este sentimento torna-nos mais introspectivos e perspectiva o quão fraco somos em todos os sentidos. Nestes momentos volto ao meu anjo da guarda, que me acompanha desde sempre, e sob a forma de oração pagã conversamos sobre os darmas (prémios) e karmas (punições) que me têm sido destinados e percebo o que vou adiando, a sorte e o azar que tenho e as loucuras labirinticas em que alucino. Nos últimos anos assumi uma postura de "máximos", traduzindo, se puder ter o "Mundo" não me vou ficar pelo meu refúgio, embora a liberdade dos outros seja sempre um elemento transcendental desta equação. Hoje, inflamado pelas conversas com o meu anjo da guarda sobre as brasas desta dor de dentes introspectiva, talvez perceba que nem sempre percebemos o que é ter o "Mundo", porque na prática nunca o temos, só lutamos por ele, com ele e nele o melhor que podemos e sabemos com o tempo que temos... venha o dia 5... e que a Fada dos Dentes me livre destas dores por muito úteis que sejam...

2.02.2011

Diários de Kayseri, 2ª Serie - Parte III - "Perdidos na Noite Subterrânea"





Dia 2 de Fevereiro, a dor de dentes continua a ser generosa nas dores que dá e nos momentos que vai cativando. Hoje é o primeiro dia de competição. Sei que ainda não tinha contado, mas este projecto é uma espécie de competição internacional de jogos tradicionais. Então vamos por partes.

Eu sei que disse que iamos por partes mas vou falar sobretudo da manhã. Para quem aprecia as extraordinárias surpresas que a natureza humana milenar nos guarda este foi, no mínimo, uma manhã doutrinária: Primeiro fomos visitar uma antiga casa otomana (império que existiu antes da Turquia), até aqui bonito, mas nada de mais; Seguidamente "invadimos" uma antiga igreja cristã transformada em Mesquita, agora sim, tinhamos algo para ver, para tentar perceber e deixar divagar o espírito. Aproveitei para parar e realizar um pouco de "profana introspecção", para quem não entende  meias palavras, rezei,  acto que recapitulo sempre que volto a uma Mesquita; Por fim o Mundo (e refiro-me aos amigos turcos) foi generoso e fomos visitar uma Cidade Subterrânea perto de Talas contruída por Cristãos para fugirem à perseguição romana à 1500 anos atrás aproximadamente e agora... tinhamos aventura. Capacete na cabeça, botas com os cordões devidamente atados e siga em frente... caminhos mais estreitos que meia porta com uma altura a rondar os 1,40 metros, perfeito para treinar as dores de coluna mas vamos lá para... kilómetros de túneis!!!... para entenderem o quão complicado o trajecto era, se um de nós se sentisse mal e por acaso fosse no início da fila todos teriam de voltar para trás porque era impossível ultrapassar. O ar começava a faltar mas o que estava para vir valia a pena. Vimos uma especie de lago subterrâneo onde os antigos cristãos se abasteciam de água para todas as suas necessidades, uma antiga adega, um templo de oração e pequenos compartimentos onde se pensa que pernoitavam. Ufa, terminamos o percurso, as dores de dentes deram lugar às dores de costas e de cabeça mas o "Mundo" valeu a pena. Transportando-me para 1500 anos atrás, não deixa de ser enigmático imaginar como é que aqueles homens ergueram aquela estrutura que desafia o sentido humano.

Seguiu-se o almoço e pela tarde começamos a competição... para não variar... portugueses ao poder... vencemos praticamente todos os jogos... esta tarde organizados e dinamizados pelos lituanos. Amanhã é a nossa vez de organizar. No fim fomos fazer compras para Kayseri na companhia do grupo e perdermo-nos em negociatas à portuguesa... o que não lhes podes comprar, leva-lhes de borla (não me peçam para explicar esta parte).

O dia foi intenso e há partes de que não falo porque não tinha espaço neste blog....e refiro-me às conversas, às peripécias, aos novos amigos e às novas cumplincidades.... se o mundo de amanhã for metade deste já me dava por satisfeito...

Diários de Kayseri, 2ª Serie - Parte II - "O dia da Fada dos Dentes"



Dizem que a fada dos dentes deixa ficar uma moeda sempre que escondemos um dente debaixo do travesseiro. Longe de me ter acontecido algo de semelhante no dia de hoje (terça-feira, dia 1 de Fevereiro), digamos que a minha dor de dentes deu lugar a uma serie de surpresas pelas quais não esperava.

A neve está farta e a temperatura faz abanar os pilares da estrutura humana (-10º). Pela manhã realizamos uma série de dinâmicas de grupo para averiguar as expectativas do grupo, os sentimentos do momento e sobretudo para nos darmos a conhecer. No final da manhã fomos recebidos pelo Presidente da Câmara de Talas (cidade próxima de Kayseri) que nos presentiou com algumas oferendas (digasse de passagem que fomos muito bem recebidos, senti-me Chefe de Estado por 10 segundos). A tarde foi sobretudo para estar em grupo, energia que mantivemos durante e após o jantar. E acrescentesse que por aqui os jantares são momentos mais intensos que o habitual face à farta alegria e interacção entre todos.

Somos Lituanos, Romenos, Portugueses, Turcos e Polacos e apesar das barreiras da língua o ambiente é impróprio para "amuados". Digamos que a Fada dos Dentes em troca pelo meu "sofrimento diário" me presenteou com doses maciças de intensa descoberta intercultural. E quem diria que a grande descoberta seriam as portuguesas que viajaram comigo por entre jogos de cartas, conversas absurdas, gargalhadas idioticamente pronunciadas, negociatas nocturnas e momentos impronunciáveis e pedagogicamente instáveis... não as vou elogiar muito porque elas acabarão por ler isto... e autoestimas elevadas ficam para histórias vindouras... chega o dia 3 nas próximas horas...

Diários de Kayseri, 2ª Serie - Parte I - "O regresso dos Cavaleiros das Estrelas"

Foram 18 horas a viajar, quatro aeroportos diferentes, uma maratona de "Checkpoints" e uma arreliadora dor de dentes que não me larga. Deixo em casa a ansiedade de voltar e regresso a Kayseri depois do Dia das Neves Eternas.

O dia de hoje não tem muito para contar, foi sobretudo um dia de retorno ao baú das memórias a rever episódios dos "Cavaleiros das Estrelas" que tenho no computador. Para quem não conhece esta série dos anos oitenta, na sua versão original apelidada de "Saber Rider and the Star Sherifs", falamos de um conjunto de quatro guerreiros interestelares que viajam pelo espaço para proteger toda a Nova Fronteira (todo o universo conhecida) dos temíveis Salteadores liderados por Némesis. O argumento sem ser original e longe de ser brilhante influenciou de uma forma "esmagadora" todas as series de animação de ficção cientifica que se lhe seguiram até inicios do ano 2000.

Mas passando à frente introduções, o que verdadeiramente me prendia à televisão era um grupo de quatro cavaleiros, o seu sentido de equipa, os valores porque se regiam e a "obsessão infantil" de ser como eles e fazer parte de todo aquele circo de emoções irrealistas. A verdade é que passados vinte anos, continuo a ver as equipas com que trabalho da mesma forma e paixão... mais do que me ensinar algo... os Cavaleiros das Estrelas foram a minha primeira inspiração desmedida..... dia 2 a caminho....

1.09.2011

Diários de Kayseri, Parte III - "O dia das neves eternas..."

Dia 3... pela manhã discutimos os detalhes do projecto que nos trouxe por cá e preparamo-nos para uma visita ao Museu da cidade. Quando pensamos em museus, pensamos numa estrutura antiga ou pelo menos convencional, o Museu do município de Kayseri é uma especie de base da NASA, com uma configuração a convidar a nossa imaginação a contar os segundos para a partida do próximo foguetão... para quê palavras, fica a imagem...
A hora de almoço e o período da tarde foi um daqueles dias que ficarão para sempre na memória de quem procura ser "esmagado pela própria realidade", percebendo os recantos, as histórias e os detalhes da terra que nos acolhe. Este foi um desses dias esmagadores, que nos ultrapassa pela simplicidade e surpresa com que surgiu.

O Mustapha, amigo turco, decidiu levar-nos a almoçar para a sua casa perto junto ao lago. Até aqui nada de novo. O que não sabiamos é que nos esperava uma viagem sem ponto de comparação nas nossas ainda curtas vidas. Uma estrada em alcatrão meio solto indicava a direcção das montanhas (estamos a falar de mais de 3000 metros de altitude)... de repente o alcatrão dá lugar a uma caminho de terra e neve e continuamos a subir... entretanto o terreno estabiliza e o que vemos é um longinquo castelo no meio de quilometros de neve a perder de vista... o suposto medo de declive por entre as montanhas brancas dá lugar ao espanto... sempre quis ver os Himalaias, estar no topo do mundo, e sem entrar em comparações banais, a paisagem que vi assemelham-se ao "esmagamento que a tv nos transmite" das montanhas das neves eternas.

Andamos pelo menos 20 km por esta especie de caminho sem que qualquer outro transporte passasse por nós até que no meio de nada  havistamos um enorme lago, criado a partir de uma barragem, uma aldeia abandonada no horizonte, deixada ao abandono depois da enchente da barragem e uma casa num dos topos... este era o nosso ponto de paragem... o resto é parar e ver o mundo, o silêncio que nos atormenta, o desligar de um quotidiano que por vezes é apenas mais um verso de um poema que adormecemos...



 
A imagem das montanhas das eternas neves tendo o grande lago como confidente foi o retrato de antologia que precisavamos para a nossa refeição selvagem com grelhados, legumes frescos e pão à mistura. Acabamos de almoçar quase na hora de jantar, regressamos já em plena noite sem antes pararmos para admirarmos o Sol a pernoitar... a convidarmos a voltarmos na próxima lua... dia 4... o regresso a casa aproximasse...

1.08.2011

Diários de Kayseri, Parte II - "Chá e histórias mil..."

Kayseri revelou-se uma surpresa total. Sendo uma cidade essencialmente comercial rodeada por montanhas (nesta altura do ano cheias de neve) é extremamente actual e mais desenvolvida que a maior parte das cidades portuguesas, desde Metro de superficie, escolas com "smart boards", ruas praticamente limpas por toda a parte, uma população cosmopolita, e acima de tudo não vemos uma única loja vazia, todas têm vida própria. Até o castelo românico com milhares de anos foi transformado num Bazar (centro comercial turco) gigante onde tudo se pode comprar. Para perceberem imaginem o Castelo de Guimarães só com lojas no seu interior onde, entre outras coisas, podem comprar um televisor, uma máquina de barbear, uma mangueira, roupa... escolham... pode parecer rídiculo mas é assim mesmo (quanto a valores patrimoniais e culturais postos em causa não me pronuncia porque na Turquia, sê Turco)...

Cada rua conta uma história diferente, mas sempre com intensidade, cada compra que fazemos é um peditório a tentar arranjar o melhor negócio, cada refeição é feita em forma de ritual e com requinte... o café é servido numa especie de involcruo metálico a imitar prata para se preservar quente, o chá é uma especie de "coca-cola" local, servido a cada meia hora, mas com a classe de quem dá o melhor que pode e tem e exagera para que estejas sempre bem e cómodo.... só e pena não pescar nada de turco e eles muito pouco de inglês e só agora terem percebido que também existe o português, mas querem ficar de boca-aberta.... vai lá, eu espero, abram a boca............ eles falam japonês e russo... poucos mas... português só o inglês mal pronunciado do Cristiano Ronaldo.

Foi um dia que pareceu uma semana pela quantidade e universalidade que vivi hoje, quanto à qualidade gosto sempre de guardar a avaliação para o último dia... seguem-se algumas fotos do dia 2, venha o 3...