Diários das Ilhas - Em Busca dos Quatro Poderes da Natividade – Parte I




Estamos na Época Húmida. Nestes dias, viajei até Java, as Ilhas do Contentamento.

Para começar, paramos na ilha de Java Matre, a maior do arquipélago, que deve o seu nome ao grande vulcão que a fez nascer.

Por aqui, é quase impossível encontrar alguém sem um sorriso nos lábios, o que justifica o nome de Ilhas do Contentamento. Os seus povos vivem a um ritmo sereno, alinhado com os ciclos da natureza. O dia começa e termina com o Sol. Acalmia, generosidade e alegria fazem parte do quotidiano de um povo que vive ao seu próprio ritmo, rodeado por uma vegetação luxuriante, por entre verdes e amarelos garridos, pontilhados por imensos arrozais.

Java situa-se no extremo oriente do universo conhecido, perto de Zhao, as Terras da Grande Muralha. Vim cá encontrar-me com Rumi, conhecido como Mestre Poeta e amigo de outras paragens.

Queríamos, por estes dias, visitar, aprender e desvendar os chamados Quatro Firmamentos Ancestrais, quatro locais de grande espiritualidade onde, segundo os Sábios de Java, brotavam os Poderes da Natividade: a tempestade; a noite; a morte; e a dualidade.

A cada Firmamento estava associada uma prova e um saber ancestral que retratavam as várias versões do Poder da Natividade. Algumas provas eram exercícios filosóficos, outras envolviam destreza física. Mas nos próximos diários contarei tudo em detalhe.

Nestas paragens, os Sábios de Java são os senhores da sabedoria e da lei. São um velho clã de Eremitas e Guerreiros que dedicam os seus dias ao estudo do Tempo Cósmico (onde habitam e se entrecruzam as almas, também denominadas cosmos, de todos os seres vivos) e à medição do Ki (a energia da vida e da natureza). Uma pequena parte deles dedica-se à gestão do território. Outra parte tem ainda funções militares para a preservação da lei e ordem.

A nossa primeira paragem seria o Firmamento da Tempestade. Mas isso fica para o próximo episódio destes diários.

Por hoje, para terminar, permitam-me que vos apresente o meu amigo e Mestre Poeta, Rumi. Falo-vos de alguém de grande sabedoria e de um humor, diria eu, subtil. Adorava escrever sobre o Amor, a Filosofia e as Leis da Natureza, e era um Mestre da Retórica. Era capaz de escrever os mais exaltantes discursos e, como indica o seu cognome, adorava Poesia. Conhecemo-nos em Túria, terra dos Oásis da Intemporalidade, através do meu amigo, Mestre Chiate. Depois, a nossa amizade fortaleceu-se e ficámos amigos de jornada.

Foi ele, através de uma das suas poderosas dissertações, que me revelou uma visão profunda do valor de ser prestável. Lembro-me como se fosse hoje das suas palavras: "Um dia decidi ajudar-te a subir a montanha. Quando percebi, também eu a tinha subido."