Estava nos meus últimos dias por Terras de Túria. Aprendi a viajar no tempo através dos Oásis da Intemporalidade com ajuda e orientação do meu bom amigo Mestre Chiate.
Tinha aprendido vários mantras (cantos evocativos que te permitem despertar poderes e abrir portais) que me permitiam viajar ao passado, futuro ou simplesmente rever uma memória que achava relevante. Como última experiência, Chiate levou-me até Navshir, o mais pequeno de todos os Oásis da Intemporalidade. Desta vez propôs-me uma viajem sem programa, sem plano. Desafiou-me a confiar no meu foco e no que havia treinado.
Lembro-vos que para viajar no tempo através dos Oásis da Intemporalidade era preciso dominar a linguagem do amor e os seus códigos.
Fiz exatamente como todas as outras vezes. Desloquei-me para um ponto em que pudesse ficar a sós, senti o chão, respirei fundo e mergulhei no espelho de água do Oásis de Navshir. Uma luz intensa fez-me submergir até uma memória recente. Estava com Sarah.
Estávamos no arquipélago de Tempus, numa das suas ilhas. Tempus é o território onde o tempo para e deixamos de envelhecer. Estávamos em retiro depois de uma longa batalha. Queríamos apenas descansar, curar feridas e desvanecer por uns dias.
Não estávamos a falar, apenas nos abraçávamos e deixávamos o tempo passar ao som das ondas do mar sereno.
Sarah era na minha vida a personificação do amor sem rodeios, da presença do sagrado, o sentido que me fazia ver o futuro com alegria e otimismo. Sarah era a brisa que me fazia sentir o presente, o raio de luz que me permitia caminhar na névoa e na escuridão intensa. Sarah era a companheira que havia escolhido para viver os meus dias, para fazer a ponte que nos ligaria à eternidade.
Naquele momento, lembro-me de Sarah adormecer no meu colo e de ficarmos ali, numa noite continua e sem tempo para contar.
Não consigo definir o que era amor para os outros, tenho dúvidas se estou à altura do meu. Mas na minha vida, Sarah significava amor. Lembrei-me naquele instante duma das grandes lições que aprendi na vida “Não é o amor que faz o caminho acontecer, mas é o amor que faz o caminho valer.”
Entretanto, voltei à superfície, sentei-me na margem do espelho de água de Navshir e agradeci aqueles dias. Era o momento certo para regressar. Dei um grande abraço de gratidão a Chiate, juntei mantimentos e regressei a casa.
