Diários do Horizonte Consciente - "Todos estamos interconectados" - Parte Final

 



Era o nosso oitavo dia por terras de Eylin. Já tinham passado alguns dias depois do Ritual do Lanka.

Eylin é saída de um conto de utopia, feita de um verde escuro penetrante. Esculpida por cascatas e frondosas florestas é povoada por uma vasta vida selvagem em que os elefantes são reis e senhores. As suas tribos são povos amáveis e hospitaleiros que fazem da sua relação com a natureza uma obra de arte. Havia um motivo para só conseguirmos aceder ao Ritual do Lanka em Eylin. Esta magia suave e harmoniosa feita de natureza e pessoas revelava o porquê.

Viajar até ao Horizonte Consciente tinha sido um momento revelador, uma experiência que nos remetia para um dos mais importantes saberes da Humanidade, "todos estamos conectados".

Só para vos reavivar a memória, o Horizonte Consciente é o mundo da energia vital, onde se entrecruzam os cosmos de cada ser humano livre, o mundo dos velhos deuses e os espíritos da natureza (que na realidade são mensageiros cósmicos). É o universo simbólico em que se interligam todos os cosmos vivos.

Somos o resultado de interações infinitas, em que uma grama de areia pode interferir na maior das derrocadas e que o bater de asas de uma águia determina um conjunto de eventos que irrompe numa tempestade imprevisível.

Esta interconexão tem uma dimensão física e tangível, o Mundo Visível. E uma dimensão espiritual, cósmica e transcendente, o Horizonte Consciente.

Termos consciência desta realidade deixa clara a nossa fragilidade, a falta de alcance da nossa obra e o quão desnecessário pode ser o nosso plano de ação. Perguntam vocês: É útil conhecer esta realidade? Útil ou não, escolher ser consciente acaba por não ser uma opção, é a única forma da nossa obra fazer sentido.

Ao fim destes dias Shafil, Sacerdote Mestre dos Dambala de Eylin, perguntou-me:
- E agora Abraham de Ethérnia, qual é o caminho?
A minha resposta foi clara:
- Agora já não vejo mais o caminho, vejo o mapa dos vários caminhos em que me vou poder encontrar. A rota até poderá ser a mesma, mas será sempre aquela que escolho em liberdade, aceitando o que ficou, o que trouxe e o que consegui construir.

Tinham sido dias de grande introspeção, contemplação da natureza e de viagem utópica. Estava na hora de me despedir de Lynus e voltar a casa.