Diários do Horizonte Consciente - Respostas Intuitivas - Parte II




Terceiro dia em Eylin. Eu e Lynus estávamos preparados para o Ritual do Lanka. Cada um tinha um objetivo diferente, mas primeiro tínhamos de passar pelo Escrutínio Sagrado do Lanka, onde o Sacerdote Mestre de Eylin nos questiona sobre as três perguntas que servem de ponto de partida para o Ritual. Como vos contei no último diário, são três questões que deves fazer a ti mesmo antes de beberes o Lanka e te aventurares no teu universo cósmico à procura das respostas que viestes procurar. Recordo-vos as três perguntas: Quem sou eu quando ninguém está a reparar nos meus passos? Que memória gostaria de partilhar com um desconhecido? Para onde quero regressar quando percebo que já não vou partir?

Mediante as nossas respostas podemos ou não ser autorizados a beber o Lanka e viajar até ao Horizonte Consciente.

Há uma parte da história que ainda não vos havia contado. Apenas é possível aceder ao Lanka no Vale de Dambala, nos Lagos de Matale. Aí habitam os Dambala, tribo que dá nome ao Vale. São eles que possuem a receita secreta do Lanka. São mestres em Botânica e Meditação Transcendental, foram os primeiros aprender a falar com a natureza e os velhos deuses através dos canais cósmicos usando o poder conectivo das plantas e flora da ilha de Eylin. Foi com base nesta sabedoria ancestral que nasceu o Lanka.

Os Dambala são também a principal tribo de Eylin. Gerem toda a política e negócios da ilha. Os seus melhores são enviados para a Ordem dos Cavaleiros do Poder para aprenderem as artes do combate, negociação e estabelecer relações com o exterior. Em troca, os Mestres da Ordem dos Cavaleiros do Poder têm acesso ao Ritual do Lanka. O chefe da tribo, treinado desde muito novo para essa responsabilidade, tem o estatuto de Sacerdote Mestre de Eylin.

Estávamos perante o Lago Maior de Matale, bem no centro do Vale de Dambala. Estávamos prontos para o Escrutínio Sagrado. Perante as três perguntas temos de redigir a nossa resposta numa carta em folha de palmeira.

As três perguntas Lynus fez desta a sua reflexão:
"Procuro-me muitas vezes no olhar do outro. Não para me encontrar, mas para me perder. Sei que há ali uma boa conversa e enigmas para fazer o tempo acontecer. Resumidamente, não gosto de viajar sozinho. Prefiro quem sou sem medo do nós."

Eu, intuitivamente, às três perguntas, respondi:
"Sou o que ainda não fui capaz de ser. Acredito que ainda vou acreditar. Sou necessário onde escolheram convidar-me a fazer parte do seu tempo. Sou quando escolho o poder de ser, com todas as causas e consequências do que não soube ser."

Aqui deixo-vos com as nossas respostas, o que se segue fica para o próximo episódio destes diários.