Era o nosso terceiro dia em Gobi. Por estes dias estávamos por terras do Deserto Vivo. Estava com Bottelli e Edh. A nossa missão era reencontrar Batar, Mestre das Artes do Minimalismo, desaparecido há mais de duas épocas anuais. Para mais detalhes remeto-vos para o primeiro texto destes diários.
Nos primeiros 2 dias desvanecemos no imenso deserto rumo à cordilheira oeste de Gobi, mais concretamente ao acampamento nómada de Kakorum. Tínhamos requisitado 3 camelos albinos para fazer a viajem. Haviam sido disponibilizados por um velho Ermita nómada que gentilmente os cedeu depois de ter aceite em troca alguns velhos manuscritos do Livro dos Elementos, o livro sagrado da Ordem dos Cavaleiros do Poder. Não sabíamos se os devolveríamos, por isso pensamos que a troca justa seria o gesto a ter. Camelos por manuscritas, no mínimo uma troca original.
Seguíamos para Kakorum por se tratar do último local de onde se ouvira falar de Batar. Tinha sido à três épocas anuais, mas era a única pista que tínhamos.
Já com o Sol a pôr-se chegamos a Kakorum. Não havia muita gente. O local era povoado por dezenas de tendas circulares apelidadas de Geer, cada uma com uma chaminé no meio por onde emanava abundante fumo. Provavelmente os seus moradores estariam a aquecer-se ou só a cozinhar. Não estava frio, mas o tempo estava ventoso.
A população de Kakorum varia de acordo com as estações do ano, mas era, por estas bandas, um ponto de recolhimento obrigatório por ser local de abastecimento de recursos básicos para toda região oeste de Gobi.
Montamos acampamento. Preparávamo-nos para atear uma fogueira até que fomos abordados por um estranho que parecia ser um monge:
- Como estão forasteiros, o que vos trás a Kakorum? Não vemos muitos Mestres da Ordem dos Cavaleiros do Poder por estas partes.
Era abordagem inusitada, mas havíamos sido reconhecidos, vá-se la saber como. Edh aproveitou a deixa e retribuiu:
- Bem, caro senhor. Vejo que nos reconheceis. Viemos em busca de Mestre Batar, nosso velho amigo. Ouvimos dizer que esteve nestas paragens. Sabeis algo sobre ele?
O desconhecido não se deteve. Partilhou que antes de nós, outro havia estado à sua procura. Dava pelo nome de Buitre e dizia-se seu aprendiz.
A conversa progrediu. O desconhecido dava pelo nome de Sanja e não era nenhum monge. Era antes o Mestre Juiz de Kakorum, figura a quem se recorria para os fins judiciais do território. No meio da conversa tivemos uma importante informação. Segundo Sanja, havia o rumor que Batar estava cativo pela Tribo de Mogul, no extremo norte de Gobi. Mas era apenas um rumor.
A conversa avançou. Quando demos por ela, Sanja parecia mais um de nós. Depois de ouvir a história de Batar e o objetivo da nossa jornada ofereceu-se para nos acompanhar. Era uma situação inesperada, mas uma ajuda que não podíamos desprezar.
A noite avançava e era hora de recolhermo-nos. Amanhã a busca continuava e como cedo aprendi, "enquanto a busca continuar é sinal que ainda não te perdeste."